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22 de agosto: Dia do Folclore(Por Raimunda Gil Schaeken)

Professora Raimunda Gil Schaeken(AM)
Redação
Escrito por Redação

O Dia do Folclore foi instituído no Brasil por decreto presidencial a 22 de agosto, pois foi nessa data, em 1846, que o arqueólogo inglês William J. Thoms sugeriu a palavra  folk-lore  para designar o saber popular. O termo foi aceito e logo incorporado por todos os países civilizados, em suas respectivas línguas.
Folclore é o estudo dos costumes e das tradições de um povo. A palavra folclore vem do inglês: folk quer dizer “povo” e lore, “estudo”, “conhecimento”. O folclore abrange lendas, danças, crendices, músicas, jogos, provérbios, adivinhações, poesias e outras manifestações da cultura popular, que são basicamente transmitidas de forma oral.

Os estudos do folclore no Brasil foram iniciados nos fins do século XIX, com o trabalho de pesquisas do crítico Sílvio Romero, e enriqueceram-se com outros estudiosos como João Ribeiro, Amadeu Amaral, Câmara Cascudo, Nina Rodrigues, Artur Ramos, entre outros.

Segundo Luis da Câmara Cascudo, um dos principais folcloristas brasileiros, as tradições, os costumes e as crenças constituem a alma de um povo. Por isso, são importantes sua difusão e sua valorização.

O folclore brasileiro é um dos mais ricos do mundo, já que nele se manifestam características dos povos que contribuíram para a formação da nossa nacionalidade, sobretudo o indígena, o africano e o europeu.

Sendo amazonense, não posso deixar de falar um pouco do nosso folclore:

Manaus reúne mais de uma centena de grupos no seu Festival Folclórico, através da Secretaria  de Cultura, demonstrando a riqueza cultural de sua população, reunida num dos maiores do Brasil, transformando-se num gigantesco arraial com guloseimas típicas, jogos, brincadeiras de roda e outros folguedos juninos.

Há quem afirme que a ideia da realização de um evento que reunisse o grande potencial cultural da capital amazonense nasceu de um grupo de cinco intelectuais em plena avenida Eduardo Ribeiro, em 1957, quando comentavam o fato da vida cultural da cidade estar resumida a “quermesses” das Igrejas ou eventuais apresentações dos folguedos introduzidos no Amazonas, no início do século XX, pelos imigrantes nordestinos que vieram em busca dos seringais nativos, para fugir da seca. O grupo dos cinco era formado pela empresária Maria de Lourdes Archer Pinto, pelo pintor e escritor Moacir Andrade e pelos jornalistas Bianor Garcia, Philipe Daou e Herculano de Castro e Costa. O 1º Festival Folclórico Manacapuru, montando a ciranda “Flor Matizada” na festa junina da Escola Estadual de Nossa Senhora de Nazaré, com aceitação glamorosa do público presente. Com o tempo, surgiram grupos de Cirandas que foram se profissionalizando. E, para homenagear as Cirandas de Manacapuru, foi construído o “Cirandódromo”, no “Parque do Ingá”. Hoje a ciranda está mais dinâmica, adaptou-se aos novos tempos, buscando mostrar através da manifestação popular a história de seu povo, sua origem e lendas, com novas músicas e ritmos, com indumentárias características ao tema desenvolvido a cada festival, e alegorias, com seu bailado cadenciado, transformou-se em paixão de um povo, e procura ultrapassar a barreira do regionalismo, mostrando ao mundo sua força e sua arte nos três últimos dias da primeira semana do mês de agosto.
De grande atração turística, o Çairé é o mais importante festival folclórico do Município de Santarém (PA). Se Parintins é conhecida pela festa dos bois, Santarém quer emplacar a disputa dos botos, animais que povoam o imaginário popular da Amazônia. É festa de origem indígena, um misto de profano e religioso. Çairé é uma saudação indígena aos visitantes colonizadores, juntamente com seu símbolo que representa a Santíssima Trindade. É uma manifestação folclórica com ritmo de carimbó e compreende cerimônias religiosas, apresentações regionais de danças folclóricas e o festival dos Botos Cor-de-rosa e Tucuxi, que se enfrentam no Sairódromo, na 2ª semana de setembro.

Do folclore brasileiro fazem parte:

*Lendas e Mitos que nos foram transmitidos pelos índios e sertanejos, como a da Mula-Sem-Cabeça, do Saci-Pererê, Negrinho do Pastoreiro, Vitória Régia, Iara, Uirapuru, Curupira;

*Música de roda: A canoa virou, Ciranda-Cirandinha, O Cravo brigou com a Rosa;
*Cantigas de acalentar: Boi da cara preta, Nana neném.

A música folclórica é criada por pessoas que nem sempre conhecem teoria musical; relaciona-se sempre a uma função da vida da comunidade em que vivem. Essa música é transmitida de forma oral de um para outro membro da comunidade, de pai para filho.

Portanto, a música folclórica é uma música simples, espontânea, de autor desconhecido, que todos cantam, mas ninguém sabe quem fez.
*Instrumentos musicais: afoxé, agogô, atabaque, berimbau, cuíca, ganzá, maracá, rebeca, reco-reco, viola, zabumba.

*Danças de origem portuguesa: bumba-meu-boi, folia de reis, balaio, chegança, cana-verde, barqueiro, imperial, fandango, pau-de-fita, cirandas, quadrilhas, lundu, frevo. As danças de origem africana são: congada, maracatu. As danças de origem indígena são: caboclinhos, caboclo, caiapó.

*Festas, como o Carnaval, o Natal, as festas juninas, a folia do Divino Espírito Santo, as festas de Iemanjá.
*Ritos e crenças, como defumações, a malhação de Judas, procissões, benzedeiras, o uso de talismãs e amuletos, simpatias etc.
*Tradições orais, como adivinhações, histórias e anedotas.
*Jogos, brincadeiras e atividades lúdicas, como a víspora, a cabra cega, o pau-de-sebo, o pião, a peteca, as pipas, o esconde-esconde, a bola de gude, a briga de galos, e muitos outros.
*Artes e artesanatos, como a cerâmica, rendas, a cestaria, máscaras, a arte plumária indígena, os trabalhos com couro, madeira, metais, e literatura de cordel etc.
*Técnicas de substância, como, por exemplo, as relacionadas ao garimpo, à pesca, à agricultura, ao pastoreiro.

O folclore, portanto, é assim denominado se for uma manifestação popular; constituído de uma tradição; transmitido oralmente e pela prática; anônimo, porque os criadores são desconhecidos; criação livre e espontânea dos povos.

A variedade e a riqueza do folclore brasileiro são tão grandes, que é quase impossível resumi-las em poucas linhas. É muito importante que os professores se empenhem e aproveitem todas as ocasiões para despertar o interesse de seus alunos pela defesa e pela continuidade da cultura popular.

Conhecer o folclore de um país é valorizar sua cultura, compreender seu povo e aprender sobre boa parte de sua história.(Raimunda Gil Schaeken  – Tefeense, professora aposentada, católica praticante, membro efetivo da Associação dos Escritores do Amazonas –
ASSEAM e da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas – ALCEAR.)

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