Garcia Neto

A dependência virtual pode matar a humanidade – por Garcia Neto

Garcia Neto é jornalista e professor universitário.
Redação
Escrito por Redação

A completa dependência dos mais modernos recursos tecnológicos pode fazer o usuário perder o controle da própria vida. O uso desmedido dos gadgets pode trazer sérios problemas de saúde.

É comum se ver adultos, jovens e crianças que não conseguem se desligar do vício digital. São sérios candidatos a portadores de Transtorno de Dependência a Internet (TDI), que é caracterizado principalmente pela incapacidade de controlar o próprio uso da Internet, que ocasiona ao indivíduo um sofrimento intenso ou prejuízo significativo em diversas áreas da vida.

Estudo sobre o assunto aponta que mais de 170 milhões de pessoas apresentam sintomas do uso excessivo do meio virtual que podem levar ao estresse, a doenças psicológicas e reumáticas, podem conduzir ao isolamento e provocar ansiedade, agitação, irritabilidade, depressão, perturbação, toc (transtorno-obsessivo-compulsivo), déficit de atenção, fobia social, piora no rendimento escolar, e à amnésia digital, considerada a mais nova avaria à saúde de usuários desses produtos ou serviços.

Pesquisa realizada pelo Pew Institute Research, dos Estados Unidos, registrou o aumento significativo de usuários desses dispositivos, inclusive nos países emergentes.

Em países mais desenvolvidos o número de internautas subiu de 22% para 44%, e em países considerados mais ricos o índice foi superior a 80%. Com a explosão dos smartphones estima-se que cerca de 10% dos brasileiros são considerados viciados digitais.

No Brasil cerca de 22% dos usuários não acredita que um dia podem se tornar vítimas do vício específico do celular e da nomofobia, enquanto 18% afirmam estar consciente desta ameaça, mas não acreditam que devam se preocupar com isso.

Flagrante de uma câmera de monitoramento 24 horas, na China, registrou como a ‘netcompulsão’ pode fazer a pessoa perder o controle da própria vida. Uma jovem caminhava pela rua utilizando seu smartphone sem se aperceber que estava indo na direção da margem do rio Wenzhou. Completamente desatenta a jovem tropeça e cai nas águas do rio. Depois de lutar para sair das águas a chinesa foi levada pela correnteza e morre afogada, sendo resgatada no dia seguinte.

É comum, no dia a dia, ver as pessoas nas ruas, nos ônibus, sentadas nas praças, dentro de clínicas ou em velórios, grudadas no celular, com os fones de ouvido dentro do canal auditivo, completamente alheios aos acontecimentos de seu entorno. Apesar da proximidade física entre as pessoas, dificilmente se vê quem esteja conversando, trocando idéias, contando novidades, falando banalidades, contando piadas.

Hoje, não se fala nada, raramente se ouve alguma palavra. Mas ainda se pode ver entre os mais idosos esses modelos de interação, longamente desenvolvidos e praticados durante a juventude em tempos d’antanho.

Até parece que a humanidade está desaprendendo de falar. Há quem acredite que seria mais fácil e até mais barato o bate-papo ao vivo, cara a cara, mas há quem aposte que a humanidade prefere mesmo é se comunicar através das telas de cristal líquido.

Nesse modelo de comunicação quem está longe é mais importante que aquele que está próximo. Pode-se concluir afirmando que esses aparelhinhos se transformaram em um dos principais obstáculos para a comunicação interpessoal. É bom ficar alerta com a dependência da humanidade aos recursos tecnológicos, porque as conseqüências dessa dependência têm se revelado desastrosa.

Pode parecer absurdo sugerir que evite o uso do celular, mas, sim, que se tenha força de vontade para definir novos limites.

*Garcia Neto é professor e jornalista

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