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A Globo “ama” Dilma depois da reunião com a bancada do PT no Senado

Redação
Escrito por Redação

Um mistério intrigante e que explodiu como bomba no cenário político brasileiro foi finalmente desvendado. É a resposta à pergunta que muitos fazem sobre o que levou a Rede Globo a surpreender os observadores da política nacional e cravar posição contrária ao impeachment de Dilma Rousseff?

 

Em editoriais publicados no jornal O Globo e no Jornal Nacional nesta sexta-feira (7), os Marinho chamaram o PSDB de “inconsequente”, e abriram fogo contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

 

Telespectadores, observadores políticos, o meio político em geral, e os telespectadores que assistiram o JN nesse dia ficaram se perguntando, o que fez os Marinho e a Globo a mudar radicalmente de posição?

 

A resposta ao mistério pode ser dada nos bastidores da política.

 

Tudo começou exatamente na última quarta-feira (5), quando o vice-presidente do Grupo Globo e presidente do seu conselho editorial, João Marinho foi homenageado no Congresso Nacional pelos pelos 50 anos da TV Globo e dos 90 anos do jornal ‘O Globo’.

 

O que João Roberto Marinho não sabia que a bancada do PT tinha se articulado e usaria a presença dele em Brasília para dar uma tacada certa para tentar frear os ataques da Globo ao PT e ao governo da presidente Dilma, em todos os meios de comunicação da organizações Globo. E a estratégia parece que deu certo.

 

Articulado pelo senador Paulo Rocha (PT-PA), o encontro ocorreu em uma sala do Senado após as homenagens.

 

Lá Roberto Marinho permaneceu por mais de duas horas junto com toda a bancada petista, que falou primeiro dos avanços dos governos petistas de Lula e Dilma em relação ao governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Esses avanços e conquistas, continuaram os petistas, foram ainda maiores se comparado aos governos de José Sarney e Fernando Collor de Mello.

 

Teve horas que a bancada petista tratou mesmo foi de colocar Roberto Marinho na parede, falando da crise governamental e institucional, que o país atravessa hoje e de seus efeitos catastróficos se ela continuar.

 

Na reunião os petistas fizeram questão de citar que parte dessa crise é culpa da própria Rede Globo. De acordo com eles, a postura agressiva que a emissora vem travando contra o governo do PT está ajudando a oposição e os contrários ao governo, a colocar o país no fundo do poço.

 

A bancada disse ainda a João Roberto Marinho, que os efeitos em um caso de um impeachment seriam desastrosos. O momento econômico que já é ruim pioraria ainda mais, os conflitos sociais se acentuariam e é bem provável que tudo isso levaria a uma guerra civil, a uma luta armada entre os movimentos sociais e a direita desse País.

Aí não haveria jeito: o país mergulharia em uma crise social e institucional sem precedentes e quem pagaria o pato como um todo, seria a sociedade. E a Globo, disseram os petistas, seria corresponsável por esse processo de dissolução social e democrático da Nação. Fontes que estavam presentes ao encontro afirmam que João Roberto ficou praticamente calado, o tempo todo e assim que a reunião acabou, ele não cumprimentou ninguém e foi embora. O resultado viria dois dias depois com os editoriais bombas.

 

Leia abaixo trechos do editorial de O Globo:
“Há momentos nas crises que impõem a avaliação da importância do que está em jogo. Os fatos das últimas semanas e, em especial, de quarta-feira, com as evidências do desmoronamento da já fissurada base parlamentar do governo, indicam que se chegou a uma bifurcação: vale mais o destino de políticos proeminentes ou a estabilidade institucional do país?

 

Mesmo o mais ingênuo baixo-clero entende que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), age de forma assumida como oposição ao governo Dilma na tentativa de demonstrar força para escapar de ser denunciado ao Supremo, condenado e perder o mandato, por envolvimento nas traficâncias financeiras desvendadas pela Lava-Jato. Daí, trabalhar pela aprovação de “pautas-bomba”, destinadas a explodir o Orçamento e, em consequência, queira ou não, desestabilizar de vez a própria economia brasileira.

 

A Câmara retomou as votações na quarta, com mais uma aprovação irresponsável, da PEC 443, que vincula os salários da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo. Espeta-se uma conta adicional de R$ 2,4 bilhões, por ano, nas costas do contribuinte. Reafirma-se a estratégia suicida de encurralar Dilma, por meio da explosão do Orçamento, e isso numa fase crítica de ajuste fiscal. É uma clássica marcha da insensatez.
[…]

 

Até há pouco, o presidente do Senado, o também peemedebista Renan Calheiros (AL), igualmente investigado na Lava-Jato, agia na mesma direção, sempre com o apoio jovial e inconsequente dos tucanos. Porém, na terça, antes de almoço com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Renan declarou não ser governista, mas também não atuar como oposicionista, seguindo o presidente da Câmara, e descartou a aprovação desses projetos-bomba pelo Congresso. Um gesto de sensatez.

 

Se a conjuntura já é muito ruim, a situação piora com o deputado Eduardo Cunha manipulando com habilidade o Legislativo na sua guerra particular contra Dilma e petistas. Equivale ao uso de arma nuclear em briga de rua, e com a conivência de todos os partidos, inclusive os da oposição.
É preciso entender que a crise política, enquanto corrói a capacidade de governar do Planalto, turbina a crise econômica, por degradar as expectativas e paralisar o Executivo. Dessa forma, a nota de risco do Brasil irá mesmo para abaixo do “grau de investimento”, com todas as implicações previsíveis: redução de investimentos externos, diretos e para aplicações financeiras; portanto, maiores desvalorizações cambiais, cujo resultado será novo choque de inflação. Logo, a recessão tenderá a ser mais longa, bem como, em decorrência, o ciclo de desemprego e queda de renda.

 

Tudo isso deveria aproximar os políticos responsáveis de todos os partidos para dar condições de governabilidade ao Planalto.”

 

 

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