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A prisão de Mantega(Por Paulo Figueiredo)

Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Redação
Escrito por Redação
Advogado Paulo Figueiredo(AM)

                                                 Advogado Paulo Figueiredo(AM)

Pretendia escrever sobre as declarações de Geddel Vieira Lima sobre o Caixa 2 das campanhas eleitorais. Baiano e ministro, teve o desplante de sustentar que recursos não declarados à Justiça Eleitoral não constituem crime e que por tal prática ninguém pode ser punido. É muita cara de pau do secretário-geral da Presidência da República.

Sem nenhuma cerimônia, contrapõe-se ao enunciado expresso do Código Eleitoral, que tipifica como crime oferecer declarações falsas ao Judiciário Eleitoral. Como é elementar, quem não revela recursos que realmente recebe em cam panha, presta informações não verdadeiras, enganosas, criminosas. Ainda bem que Michel Temer, que não anda lá muito em boa companhia, logo desautorizou seu auxiliar direto, opondo-se ao projeto de anistia aos responsáveis pelo Caixa 2 em pleitos passados, em curso de forma sub-reptícia na Câmara Federal. Como advogado do impeachment da presidente Dilma Rousseff, pelos delitos que cometeu e pelo conjunto da obra, em nome dos mais elevados interesses nacionais, estimo que Temer tenha sucesso.

Na expectativa de que a iniciativa do perdão parlamentar inadmissível tenha sido afinal sepultada, cuido da prisão do ex-ministro Guido Mantega, fato que terminou dominando o noticiário da semana.  Basta correr os olhos pelos personagens do imbróglio para ver que nesta história toda não há nenhum santo. Nomes como os de Mantega, Eike Batista, José Dirceu, André Vargas, João Santana e Mônica Moura, há tempos envolvidos nas investigações da Lava-Jato, são autoexplicativos, alguns já condenados e outros em processos de colaborações premiadas.

O PT, Lula e seus acólitos questionaram de plano a falta de humanidade com que se deu a prisão de Mantega, arrancado do centro cirúrgico do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde prestava assistência à sua mulher, prestes a ser operada. Foram mais uma vez apanhados em mais uma mentira, porquanto a detenção realizou-se fora do ambiente do hospital, com a máxima discrição e urbanidade, em uma de suas ruas laterais e em automóvel descaracterizado. Percebendo a jogada dos lulopetistas e onde pretendiam chegar, o juiz Sérgio Moro cortou de imediato as asas dessa gente. Revogou a prisão do ex-minis tro, ao mesmo tempo em que ressaltou que a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Juízo não tinham conhecimento da situação de Mantega e de sua esposa.

Moro veio assim com um jato de água fria na choradeira demagógica da horda de petistas, que mais uma vez perderam o discurso, sempre periférico, com o qual jamais enfrentam o núcleo das ilicitudes e crimes em causa. Bordejam as ocorrências, limitam-se no que insistem em chamar de espetacularização dos episódios, sem dar uma única palavra concreta sobre os fatos criminosos. No caso de Mantega, que foi ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, os depoimentos se ajustam aos demais elementos de prova. Eike Batista, dependente de altos favores do Estado e com porta escancarada pela figura d e maior expressão na Esplanada dos Ministérios, diz que pagou, atendendo a pedido de Mantega, e Mônica Moura, mulher e administradora das finanças do marqueteiro de Dilma, João Santana, diz que recebeu cerca de R$ 5 milhões, ou US$ 2,3 milhões, em conta de “offshore” de propriedade do casal em um paraíso fiscal. A propósito, Mônica Moura não esconde de ninguém que recebeu pagamentos irregulares, via Caixa 2, por todas as campanhas que fez para o PT, de 2006 a 2014. E agora, Lula? E agora, Falcão? São estas as explicações que a população brasileira quer e exige, e não manobras diversionistas, com imagens de coitadinhos, vítimas da mídia e das elites.

Incrível é que o PT, o tão falado partido dos pobres e trabalhadores do Brasil, nunca manifestou o menor sinal de protesto contra milhares de prisões de miseráveis pelo país afora, muitas delas efetivadas em hospitais públicos, onde suspeitos sem nomes ou delinquentes sem origem são acorrentados ou algemados em seus leitos hospitalares. Bem, quando o sapato aperta os calos, tem-se o conhecido fuzuê, um corre-corre dos diabos e a mesma exasperante lamúria de que todas as doações foram feitas de acordo com a legislação, registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Mantega tem uma extensa folha de serviços prestados ao lulopetismo. Ele e Aloizio Mercadante, desde sempre, elaboraram as bases do programa econômico do PT. Terminou premiado com cargos proeminentes ao longo dos governos de Lula e Dilma, como presidente do BNDES, ministro do Planejamento e finalmente ministro da Fazenda, onde permaneceu por longo período, o mais longevo desde a redemocratização do país. Portanto, não é nenhum inocente, conhece as entranhas do projeto partidário e suas manobras para perpetuar-se no poder.

Mantega e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, ambos um desastre na gestão da economia brasileira que afundou o país na recessão e no desemprego de 12 milhões de trabalhadores, foram os autores da contabilidade criativa, as célebres pedaladas fiscais, que levaram ao impedimento da presidente. Agora, passado o lamentável episódio de sua mulher, que todos auguram vença suas dificuldades de saúde, que Mantega responda pelos atos ilícitos que praticou, independente de outros tantos que conduziram o Brasil à pior crise econômica de sua história.(Paulo Figueiredo é Advogado, Escritor e Comentarista Político –  paulofigueiredo@uolcom.br)

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