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Acre tem 5ª maior taxa de recusa em doações de órgãos do país, diz estudo

Redação
Escrito por Redação

Associação Brasileira de Transplantes mostra que recusa chega a 76%.

Coordenadora de central de captação diz que religião pode ser um fator.

Levantamento feito pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) mostra que o Acre foi o 5º estado com a maior taxa de recusas em relação a doações de órgãos em 2015.

Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), de todos os doadores em potencial, cujas famílias foram entrevistas, o não consentimento para a captação chegou a 76%.

O estudo mostrou que o Acre ficou abaixo apenas do Tocantins (TO), que teve 100% de recusa; Sergipe (SE) com 81%; Mato Grosso do Sul (MS) com 78%; e o Rio Grande do Sul (RS) com 78%. No estado acreano, em 2015, houve a notificação de 61 potenciais doadores. Desses casos, 33 entrevistas foram feitas e 25 famílias se recusaram a fazer a doação.

Conforme a ABTO, o estado só contabilizou sete doadores efetivos. Em contrapartida, o Acre fechou o ano de 2015 com 52 pacientes ativos na lista de espera para transplantes de rim (26), fígado (5) e córnea (21) – tipos de cirurgias realizadas atualmente no estado.

A coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) no Acre, Regiane Ferrari, aponta que o alto índice de recusa pode estar ligado a fatores culturais e religiosos. O programa de transplantes teve início em 2006 e já realizou, de acordo com a gestora, 250 cirurgias – 86 de rim, 10 de fígado e 154 de córnea.

“Cremos que há uma falta de conhecimento no assunto. Tem também a questão das pessoas ainda não acreditarem na morte encefálica e ainda questões religiosas, que temos que respeitar, muitos familiares nos apontam esses motivos”, ressalta Regiane.

Além disso, a coordenadora aponta outros gargalos enfrentados no Acre para que os índices de transplantes aumentem, como o transporte aéreo. “Para o sul do país, temos uma logística precária. Temos poucos voos e só noturnos. Isso nos coloca em muita dificuldade para enviar órgãos, material biológico, levar e trazer equipes para transplantar”, acrescenta.

Bons exemplos
Apesar de muitas famílias se recusarem a doar, algumas fazem questão de tentar modificação desse cenário. Foi o caso da família da estudante de jornalismo e estagiária da Rede Amazônica Acre, Marina de Oliveira Lima, de 23 anos, morta em um acidente de carro na última segunda-feira (4) em Rio Branco, que decidiu doar as córneas.

Na época, a irmã de Marina, Izabelle Lima, disse que a decisão foi tomada baseada no desejo da própria estudante quando estava viva. “Quando soubemos da morte, fomos informados que ela poderia doar as córneas. Então, por conhecermos o coração da minha irmã, sabíamos como ela agiria nessa situação e, por isso, optamos pela doação”, falou na época.

Outro caso foi dos parentes da vendedora Keyla Viviane dos Santos, de 29 anos, morta a facadas quando saia da loja onde trabalhava também na capital acreana. A família também concordou com a doação das córneas. A própria filha de Keyla, de 15 anos, teria decidido pelo transplante.

“A decisão partiu da filha dela que a viu morrer e estava na hora do crime. Minha avó concordou e decidimos doar.

Não foi possível doar mais órgãos por conta da hemorragia, senão, teríamos doado outros também. É algo dela que está vivo dentro de outra pessoa. Isso nos conforta”, acrescentou Tavares.

(Centralizado)

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