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Amazônia preocupa Papa Francisco (Por Osiris Silva)

Economista Osiris Silva(AM)
Redação
Escrito por Redação

Matéria do jornal O Globo, de 19 de junho, considera que “o Papa Francisco se tornou o primeiro líder do Vaticano a dedicar uma encíclica — batizada de “Laudato Si” (“Louvado seja”, em latim) — ao meio ambiente. Em suas 192 páginas, um bioma ganhou destaque especial: a Amazônia, chamada, segundo o Pontífice, de “pulmão do planeta repleto de biodiversidade”, cujo futuro “não se pode ignorar”. Sua biodiversidade exuberante, no entanto, está ameaçada. No documento, o Papa alerta que a queima de florestas já acarreta perda de “inúmeras espécies”, além de transformar “áreas verdes em desertos”.

O documento repercutiu internacionalmente de forma devastadora. A ponto de a comunidade religiosa em torno da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de vários de seus líderes virem a público assumir comprometimentos de se alinhar à Encíclica papal – editada em 18 de junho passado –  tendo em vista “intensificar ações relacionadas à preservação da Amazônia”. Francisco demonstra, por meio da Encíclica, “reconhecer o papel das florestas tropicais no clima do planeta e, ao mesmo tempo, tenta prevenir conflitos de interesses que levariam à sua devastação”.

Segundo diversos institutos internacionais, o documento constitui “uma denúncia contra a exploração insustentável dos recursos naturais, como água, minério e madeira em favor primordialmente dos interesses da população local, e não de outras regiões. De fato, “desde a segunda metade do século passado, há momentos em que a internacionalização da Amazônia foi debatida”. Assume conotação de destaque o entendimento sobre “a necessidade de superar a fase de discussões e reconhecer a soberania dos países amazônicos, passo fundamental para a elaboração de estratégias de combate ao desmatamento”.

A “Laudato Si”, de fato, constitui, em última instância, forte alerta ao governo brasileiro no tocante à necessidade de adotar políticas públicas consistentes direcionadas à exploração racional da Amazônia e seus biomas, posto fundamentais à regulação climática do planeta. A mensagem do Papa Francisco, por outro lado, pondera estarmos “perdendo a biodiversidade para atividades econômicas predatórias, como a exploração ilegal de madeira e projetos de infraestrutura mal construídos”.

De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), “o documento papal trouxe ao bioma o reconhecimento esperado. Estima-se que a floresta concentre, no mínimo, 30% da biodiversidade do planeta. Muitas espécies estariam entrando em extinção antes mesmo de ser descobertas; a Amazônia entrando num processo irreversível de destruição, toda a Humanidade perde”. As florestas tropicais, salientam estudos do Imazon, constituem “os maiores reservatórios de água doce do planeta. E este recurso promete gerar atritos nas próximas décadas. Além do consumo humano, a água move atividades como a agricultura e os setores energético e industrial. Em todos, sua exploração é marcada pelo desperdício”.

Entrementes, a região amazônica encontra-se hoje seriamente ocupada pelo tráfico de drogas, de animais silvestres e a imigração ilegal. A Base Anzol, de Tabatinga, segundo o gen. Theofilo Gaspar de Oliveira, comandante Militar da Amazônia, empenha-se em monitorar o transporte de qualquer natureza da área fronteiriça com apoio da Polícia do Amazonas, Polícia Federal e Exército. A unidade, no entanto, conta com apenas 45 funcionários no total. A boa notícia é que se encontra em implantação na Amazônia o Sistema de Vigilância e Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). Operado a plena carga, terá amplas possibilidades de conter o volume assustador do tráfico que se expande continua e avassaladoramente na região.

A situação da Amazônia é dramática, crítica e extremamente grave. O Brasil, para virar o jogo, precisa se reinventar.(Osiris Silva – Economista, Consultor de Empresas – Escritor)

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