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Bem abaixo da mediocridade(Por Paulo Figueiredo)

Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Redação
Escrito por Redação

O Papa Pio XII dizia com razão que os medíocres dominam o poder no mundo. E Ned Rorem, compositor americano, Prêmio Pulitzer de Música de 1976, considerava que a mediocridade é que destrói a terra e não o mal, para acrescentar que o crime de Nero não foi ter tocado fogo em Roma, mas ter tocado mal. De situação mediana entre os extremos, a palavra passou a ser usada de forma depreciativa, ao designar insuficiência de qualidade, valor e mérito, banalidade e pequenez, segundo Houaiss.
Deixando a boutade de lado do genial musicista estadunidense, o Sumo Pontífice certamente não identificava nos gestores do mundo de sua época o mínimo de talento e visão de futuro para tocar suas grandes responsabilidades. Faltava-lhes competência e espírito de estadista, feitas as exceções de praxe, destinadas a confirmar a regra. O nosso celebrado dicionarista, a propósito, ilustra a definição do vocábulo dizendo que é triste ver a mediocridade assumir o poder.

Se passarmos a vista sobre o nosso tempo, a decepção é inevitável e os exemplos enchem as páginas da História. Nos Estados Unidos, no século passado, tivemos no comando do país uma sucessão de figuras indignas na direção da maior potência do universo. De caubóis, com jeito característico, a atores de quinta categoria, ao lado de protagonistas carimbados pelo despreparo e pela tragédia, os tipos não são nada edificantes, alguns obrigados a sair definitivamente de cena.

Na velha União Soviética, de Stalin a Gorbachev, teve-se o retrato de desastre. Josef Stalin, tosco e sanguinário; e Mikhail Gorbachev, predador inepto e visceral do projeto original de 1917. De entremeio, expressões sinistras, com caras de urso, postadas nos balcões do Kremlin, por ocasião dos festejos da Revolução de Outubro. Gorbachev, tal e qual Nero, incendiou o que  restava do império, mas sem nenhuma balalaica entre os braços, enquanto Lênin retorcia-se no famoso mausoléu da Praça Vermelha. Assim, não haveria como deixar de chegar a Boris Iéltsin, visto com frequência embriagado frente às câmeras de televisão, em transmissão para o mundo via satélite. Também, quanta coincidência, não tinha um dedo em uma das mãos.

No Brasil, nestes anos todos de República, poucos homens de estado, merecedores do conceito, plenos de sabedoria e liderança reconhecida. Mantido o estigma da mediocridade, extrapola-se no momento com a administração lulopetista. E muito. Dilma, indisposta em manter-se no meio-termo, como seu predecessor, cavou fundo no fracasso completo e levou o país à crise de graves consequências para o futuro da Nação.

Como se não bastasse, deita-nos com insistência no opróbrio, em seus desafortunados improvisos verbais, aqui e alhures, como acaba de acontecer em viagem aos Estados Unidos, com entourage de mais de 90 membros, tudo pago pelo depauperado contribuinte brasileiro. Mistura alhos com bugalhos, como o fez em relação ao episódio da Inconfidência Mineira, ao estabelecer conexões entre o evento histórico e os bandidos da Petrobras, com procedimentos e “pixulecos” que afloram em minúcias nos depoimentos dos réus colaboradores. Desconhece que outros insurrectos deram com a língua nos dentes, junto com Joaquim Silvério dos Reis. E vai além, na vã tentativa de justificar o inexplicável. Prenhe de autoelogio, diz que resistiu bravamente à tortura e cita fatos ocorridos nos porões da ditadura, onde alguns não tiveram opção a não ser confessar crimes e apontar partícipes dos mesmos atos, reais ou imaginários, sob tortura cruel. Reconhecidas as circunstâncias aterrorizantes, jamais foram considerados delatores, uma pecha que agora lhes é imputada pela antiga militante e companheira, atual presidente da República.

Dilma, ora diz sim, ora diz não, na abordagem do mesmo tema. Ao insurgir-se contra a participação dos réus colaboradores, afirmando que não tolera ou respeita delatores, esquece-se de que foi ela própria quem sancionou a Lei das Organizações Criminosas, com menção expressa e inaugural ao nome de colaboração premiada, instituto jurídico em boa hora adotado no Brasil. Vale reproduzir o que disse em entrevista à revista Carta Capital, aliada do lulopetismo: “para obter as provas, a Justiça e o Ministério Público valeram-se da delação premiada, um método legítimo, previsto em lei. E muito útil para desmontar esquemas de corrupção. Na Itália, contra a máfia, funcionou muito bem”. Talvez queira passar à população o exemplo de seu criador, metamorfose ambulante, traindo a inteligência de Raul Seixas, na linha do mais puro e cínico faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.

Bem, depois de vivas à mandioca, como a maior invenção do povo brasileiro, de considerações a respeito de uma bola feita de folhas de bananeira e da tal das “mulheres sapiens”, resta esperar o quê? O impeachment, como solução final?(Paulo Figueiredo – advogado, escritor e comentarista político – paulofigueiredo@uol.com.br)

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