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Bocejo (Por Max Diniz Cruzeiro)

O bocejo é um movimento quase sempre involuntário, de descontração dos músculos faciais, principalmente da região bucal que tem por princípio a flacidez muscular, distensionamento muscular, reorganização do sistema respiratório, relaxamento corpóreo e alívio seguido de prazer.
O ato de bocejo provoca a emissão de massa de ar vinda de dentro dos pulmões e sistema digestivo no sentido de expulsão ou refluxo via orifício bucal.

Do ponto de vista psíquico a sensação de sono e necessidade de repouso em ato de trabalho com o sistema parassimpático determina o aparecimento do bocejo como um sintoma de que o corpo necessita de adormecer para que o processo de revigorização energética possa dotar o organismo de carga energética suficiente para o seu pleno funcionamento durante o estado de vigília.

A liberação de hormônios essenciais regula a produção de agentes dopamínicos provocando a sensação de lentidão dos movimentos, dificuldade de acesso à memória, ativação da necessidade da recompensa relativa ao descanso, comportamento e cognição moderados, elevação do sono, resignação do humor e diminuição dos processos que levam à aprendizagem.

Assim o bocejo surge como uma consequência natural do relaxamento corpóreo, e preenche um vazio entre a alteração de estado num limiar sistêmico que alterna a fase do corpo do seu movimento simpático para a ativação mais vigorosa do sistema parassimpático.

Enquanto alguns músculos faciais tornam-se frouxos, os músculos laterais da região bucal passam por um processo de tensionamento. A sustentação do movimento abastece o sistema nervoso central com a produção de inibidores para a redução em larga escala de serotonina, dopamina e noradrenalina.

O fluxo da respiração torna-se mais prolongado, e a sensação de sono passa a comandar e a tomar conta do indivíduo que se prepara para a economia de energia.

A taxização neural abastece o centro mnêmico com quantificadores de carga de frequência branda, sinal que a atividade cerebral começa a manifestar-se no sentido da redução das atividades mentais.

A consequência deste processo é a utilização dos neurônios percentuais quando estes são catexizados por neurônios impermeáveis, num processo de refração mnêmica de baixa vibração fazendo com que a caixa craniana passe a trabalhar numa frequência de manutenção do organismo diminuindo o funcionamento do intelecto aumentado a resistividade interna no sentido de formação de novos pensamentos.

Os neurônios percentuais por sua vez tenderão a ser encaminhados por vias de distribuição sensoriais mais aderentes às funcionalidades vitais do indivíduo, mais próximas de sua pulsão de morte, ou estado de inércia que melhor representa a carência de atividade muscular e o refreio das atividades de movimento que levam ao indivíduo permanecer ativamente na fruição de seu estado de lucidez e vigília.

A redução da atividade mental pode ou não ser precedida de subjetivação calcada no conhecimento do indivíduo que irá aproximar aquelas sensações que melhor representem o condicionamento do indivíduo ao entrar e ao permanecer em repouso a fim de que suas energias possam ser fartamente repostas.

O certo é que o centro diretivo do indivíduo passa a comandar caso concordante com o seu desejo de repouso, com imagens produzidas egoicamente a sintetizar em contraste com núcleos de satisfação.

Os diferenciais produzidos pelo contraste entre a imagem-lembrança, e a imagem-sensação fruto do desejo irá gerar a realidade do sujeito, em que o indivíduo utilizará os neurônios percentuais para seguir um caminho em que melhor se ajusta a necessidade do indivíduo em convergir ou não o seu pensamento para o estado de sono ou repouso temporário.

O instanciamento dos objetos que se incorporam à imagem projetiva externa de que o indivíduo necessita se ajustar perante o ambiente segue um modelo de raciocínio de tornar os neurônios impermeáveis resistivos perante a passagem de quantificadores de energia, a fim de que a redistribuição de fluxo não venha promover um desequilíbrio no indivíduo fazendo com que este venha a ativar sua mente, em vez de provocar o adormecimento ou esmaecimento de suas funções psíquicas.

Como os elementos químicos que induzem a excitação cerebral estão cada vez mais escassos em torno deste processo, é natural que uma fuga da atividade diante deste sentido não é quase sempre percebida, ao menos que a pessoa se encontre em um conflito agitante, que não permita o pleno repousar em que o indivíduo passa a intercambiar estados de aflição, no sentido de uma identificação projetiva ativadora de um tipo de alucinose.

A alucinose é provocada por uma diferenciação entre desejo e satisfação, ou seja, entre ego e instanciamento da realidade produzida dos quantificadores externos, ou seja, quando lembrança e sensação diferem em grau tão elevados que haja um desnível entre o que está armazenado mnemicamente e o que acabou de se apropriar do mundo exterior.

O bocejo pode também ser induzido por meio de uma alucinose-lembrança de um estado anterior que não se encontra presente no momento em que o desejo pelo repouso está ocorrendo, porém, servir para induzir o organismo a diminuição das funções cerebrais e determinar por meio da volição indutória a necessidade do organismo repousar dada as condições artificiais do induzimento. Na alucinose-lembrança o indivíduo busca em sua memória a lembrança de experimentações passadas que tornam o indivíduo propenso a manifestar o sono como uma indução consentida para fazer parte do movimento presente, em que o sistema parassimpático é acionado a fim da redução da atividade sistêmica e consequente repouso do indivíduo.(Max Diniz Cruzeiro é Neurocientista Clínico, Psicopedagogo Clínico e Empresarial – www.lenderbook.com)

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