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Campeonatos em excesso(Por Pedro Cardoso da Costa)

Bacharel em direito Pedro Cardoso da Costa(SP)
Redação
Escrito por Redação

Há umas cinco décadas existiam apenas os campeonatos estaduais. Os clubes sobreviviam deles e de amistosos. Tanto que o grande mérito dos maiores clubes eram as excursões nacionais, pelas regiões menos desenvolvidas e internacionais, com participação nos torneios de verão da Europa e em pequenos torneios pelo país afora. Vencer o Ramon de Carranza, Tereza Herrera e outros era considerado um grande feito para os grandes clubes brasileiros.
Depois veio a Copa do Brasil nos anos sessenta, com poucos jogos, com fases iniciais por regiões. Os campeões de cada região decidiam o título nacional. Em 1971 foi criado o Campeonato Nacional que, no decorrer do tempo, foi sofrendo modificações, até chegar nos moldes atuais.

A Taça Libertadores da América começou com o mesmo formato da Liga dos Campeões da Europa. Era bem enxuta. Bem atrativa. Começou com a participação dos campeões de cada país, depois se acrescentou o vice.  Aumentaram para 32 equipes. Mesmo assim é um campeonato motivador.

Ocorre que não pararam de criar campeonatos e o efeito principal foi torná-los todos muito chatos.

Um mesmo time grande hoje pode disputar os campeonatos Estadual, Primeira Liga, Nacional e Copa do Brasil; Taça Libertadores, Supercopa das Américas e Mundial de Clubes. E são os próprios clubes que reivindicam e depois reclamam de excesso.

Os grandes times se enfrentam constantemente e jogos que deveriam ser clássicos importantes passam a ser jogos cotidianos e desmotivados. O torcedor nem decora mais quais foram os jogos por esse ou aquele campeonato.

A televisão deixou de mencionar com antecedência quais os jogos transmitidos e nem tem mais nenhum tempo de introdução, de comentários antes das partidas; estas não são analisadas pelos comentaristas. Ficam apostando palpites para ambos os times e ainda reforçam que tinham afirmado isso e aquilo para enaltecer a condição de gurus, de antevisores. Eles deveriam analisar o que ocorre na partida, não dizer que os técnicos deveriam fazer isso e aquilo. A vitória só pode ser para um, o que torna impossível a sugestão para os dois.

Exageraram nos campeonatos para um clube só; a televisão mostra jogos todos os dias times muito fracos, os times não seguram nenhum jogador que interesse a qualquer divisão da Europa, Japão, China ou de qualquer outro lugar e fica apenas o que não interessa lá fora. E como resultado, o nosso futebol está acabando na técnica e até na expectativa do brasileiro.

É preciso sermos mais criativos com nossos próprios métodos, pararmos de copiar literalmente a Europa, pois a cultura e as condições socioeconômicas são bem diferentes. E um grande clube deveria disputar no máximo três competições, mais o Mundial de Clubes, no caso de vencer a Libertadores.(Pedro Cardoso da Costa – Bacharel em Direito – Interlagos-SP)

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