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Centro Histórico de Manaus(Por Paulo Figueiredo)

Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Redação
Escrito por Redação

Via artigo do advogado Frederico Veiga, veiculado no Jornal do Comércio e nas páginas do Facebook, tomei conhecimento de um projeto de restauração da Avenida Eduardo Ribeiro, sob responsabilidade da Prefeitura Municipal de Manaus. Como sustentei em comentários ao referido texto, a propósito, inteligente e oportuno, uma vez que traz a lume a discussão de tema realmente importante, trata-se de uma iniciativa acanhada, estreita, de pequeno alcance. É evidente que ninguém, com isenção e em sã consciência, pode opor-se à recuperação, restauração e valorização do centro histórico da cidade de Manaus. Sobre a questão já escrevi sem número de artigos publicados na imprensa local, em defesa de planos e ações que pudessem realmente trazer de volta a antiga e bela face de nossa querida e mui amada cidade.
No entanto, pelas informações que me chegaram, o projeto da atual administração municipal encontra-se bem distante de conseguir emprestar identidade histórica ao passado da urbe, em seu quadrilátero mais representativo. Há uma sucessão de equívocos que desfiguram a proposta de retorno às velhas configurações urbanísticas da Avenida Eduardo Ribeiro, palco de momentos memoráveis e emocionantes da vida da urbe e da época de nossa juventude.

 Transcrevo alguns trechos de artigos de minha autoria a respeito do assunto, a  seguir.

“Voz praticamente isolada, faz tempo, cerca de vinte anos, que defendo um projeto de restauração do centro urbano e histórico de Manaus. Restauração, leia-se com todas as letras. Nada de remendos ou de projetos modernosos, que sirvam apenas para afear ainda mais o rosto antigo da cidade.

As últimas intervenções do poder público (afastadas, no particular, as ações da gestão atual), acentuaram o processo de deterioração urbana da área. Ainda lá estão os ladrilhos hidráulicos, coloridos, imundos e quebradiços, e alguns poucos postes finos de ferro podem ser vistos, feitos para sustentar vasos com samambaias suspensas. A iniciativa foi um desastre, fruto do desconhecimento e da insensibilidade diante da verdadeira história do logradouro mais importante da urbe”.

Um parêntese, como agravante, embora retirados da Eduardo Ribeiro, os camelôs tomaram conta dos demais espaços centrais, de forma ainda mais desordenada e caótica, como sempre, com suas bancas horrorosas, assimétricas e de lona plástica encardida.

Mas, voltando ao ponto central, há exemplos vitoriosos no Brasil de recuperação de áreas históricas degradadas. Cumpre referir o Pelourinho, em Salvador, e o centro velho da cidade de São Luís, no Maranhão.

“Guardo comigo há muito tempo um projeto de recomposição do sítio mais central da cidade. Cheguei a discuti-lo com o então governador Gilberto Mestrinho, logo entusiasmado com a ideia, quando de uma viagem que fizemos a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Com recursos que poderiam ser obtidos em organismos internacionais, a fundo perdido, recomporíamos o sítio antigo da urbe, o seu gracioso e belo rosto. Recolocaríamos a pavimentação das ruas com paralelos portugueses e suas calçadas laterais com pedras de cantaria, com distribuição de energia em linhas subterrâneas e iluminação com os velhos postes tipo Cajado d e São Francisco, com seus lampiões característicos. Teríamos o retorno dos bondes, que circulariam com ar condicionado em área de início compreendida pela Ramos Ferreira até a Manaus Moderna e entre as avenidas Epaminondas e Joaquim Nabuco, com apoio na construção de estacionamentos circundantes. Os trilhos ainda estão aí, soterrados pelo asfalto. Restabeleceríamos as fachadas do casario que merecessem e tivessem real interesse histórico, ainda existentes, encobertas com perfis de alumínio de muito mau gosto, da época da Zona Franca comercial. No local, que agasalha as edificações mais importantes da cidade, estimularíamos o desenvolvimento do setor de serviços, com incentivos especiais à implantação de agências bancárias, hotéis, pousadas e pensões, restaurantes e bares em ambientes refrigerados, escritórios de profissionais liberais e outros projetos de igual natureza. Respeitada e mantida a vocação natural e comercial do lugar, que poderia ser transformado num elegante e atraente shopping a céu aberto.

E que roteiro os ‘elétricos’ poderiam cumprir, descortinando o que temos de melhor e mais imponente em nossa história: o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, a Alfândega, o Porto e o Mercado Municipal, com incursões laterais que poderiam ainda incluir o Palácio Rio Negro, as pontes de ferro e adjacências”.

Uma iniciativa assim, com tamanha abrangência, certamente mereceria os aplausos de todos nós, reverentes e comovidos diante do reencontro da cidade com sua história, com a nossa história.(Paulo Figueiredo – Advogado, Escritor e Comentarista Político –  paulofigueiredo@uol.com.br)

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