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Cheia do Rio Negro em Manaus, ficará abaixo da média história

Pesquisador Jochen Schongart/Foto: Divulgação
Pesquisador Jochen Schongart/Foto: Divulgação
Redação
Escrito por Redação

A previsão de cheia do rio Negro para este ano, no entorno do Porto de Manaus e áreas próximas, ficará abaixo da média histórica, devendo alcançar uma média de 26,80 metros com uma margem de erro de 30 centímetros para mais ou para menos, variando entre 26,50 metros e 27,10 metros, de acordo com previsão  baseada em modelos matemáticos feitos pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Jochen Schongart, do grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (MAUA).
A média histórica do Rio Negro é de 27,79m, com base nos dados de 1903 a 2015 disponibilizados pela Agência Nacional de Águas (ANA) e Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH).

“Depois de quatro anos de cheias severas, que causaram grandes prejuízos econômicos, este ano não se espera ter grandes impactos sociais na zona urbana e rural ao redor de Manaus”, diz o pesquisador. Em 2015, o nível do rio atingiu 29,66 metros, em 2014 e 2013 foram registradas as marcas de 29,33 metros e 29,50 metros, respectivamente, e em 2012, atingiu 29,97 metros, a maior cheia no registro.

Para Schongart, essa baixa na previsão da subida das águas é em consequência do fenômeno climático El Nino oriundo do Pacífico Equatorial, que provocou a diminuição das chuvas na maioria das cabeceiras do rio Amazonas e seus afluentes e afetou fortemente a região Norte da bacia amazônica. Muitos eventos de El Niño como nos anos de 1906, 1912, 1926, 1964, 1980, 1992 e este ano apresentam níveis máximas inferiores comparado com o valor médio das máximas históricas com uma repiquete pronunciada durante o período janeiro a marco.

“Atualmente, no alto rio Negro, os municípios de Santa Izabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Barcelos estão em uma situação crítica como também ao longo do Rio Branco, onde o rio ainda está muito baixo”, explica o pesquisador. “Agora, no Rio Solimões podemos observar que após o repiquete durante o mês de fevereiro (diminuição do nível das águas após que o rio começou encher) o rio está novamente enchendo muito rápido”, acrescenta.

De acordo com informações obtidas do monitoramento feito, diariamente, no Porto de Manaus, o nível do rio nesta terça-feira (14) está em 21,73 metros, três metros e noventa e dois centímetros mais baixo que no mesmo período do ano passado (25,65 m). “Como o rio está baixo, espera-se que a partir de agora o rio encha novamente até atingir o pico da cheia, o que acontece geralmente na segunda quinzena de junho”, diz.

O pesquisador afirma que com uma cheia prevista nesse patamar os órgãos públicos, como a Defesa Civil, não precisam se preocupar com a região de Manaus, porém, em outras regiões a situação pode ser diferente. “Nosso objetivo é expandir essa modelagem também para outras bacias para poder fornecer essas informações com antecedência”, conta.

Segundo Schongart, é importante ressaltar que, pelo que se observa, no aumento das cheia dos últimos 20 anos, um ano como este que tem uma previsão de cheia menor não quer dizer que essa tendência de grandes cheias esteja interrompida. “Temos que continuar monitorando essas variações nos níveis de água para ver como o rio se comportará”, ressalta.

Modelagem

O pesquisador vem aperfeiçoando o modelo de previsão das cheias, desde 2005, utilizando dados do nível do rio Negro no Porto de Manaus, disponibilizados pela Superintendência Estadual de Navegação, Porto e Hidrovias do Amazonas (SNPH) e Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Índice da Oscilação Sul (SOI), baseado em um modelo publicado na Revista Hournal of Hyrdology (2007).

Em 2012, Schongart adotou uma nova metodologia que integra mais parâmetros independentes para fazer uma nova modelagem mais robusta estatisticamente.

Para nova modelagem de previsão de cheias é utilizada uma série temporal longa de dados disponíveis desde 1951 até 1990, que foram usados para fazer testes do modelo. Também utiliza dados de 1991 até os dias de hoje para fazer a validação e testar se o modelo é capaz de prever cheias com antecedência de mais de três meses e com uma baixa margem de erro.

O pesquisador conseguiu uma redução da média de erro de 38 centímetros do primeiro modelo (2005) para 30 centímetros no novo modelo (2012).

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