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Círio de Nazaré: Romaria e Fé

Professora Raimunda Gil Schaeken(AM)
Professora Raimunda Gil Schaeken(AM)
Redação
Escrito por Redação

Raimunda Gil Schaeken

O Círio de Nazaré, a maior manifestação religiosa do Brasil, acontece tradicionalmente no segundo domingo de outubro. Toda a população de Belém e grande parte da população do interior e Estados vizinhos participam de uma explosão de fé para reverenciar Nossa Senhora de Nazaré.
A devoção à Nossa Senhora de Nazaré, entre os paraenses, vem desde o ano de 1700, quando o caçador Plácido José de Souza, após caminhar horas, na mata, parou para refrescar-se nas margens do igarapé  Murutucu e viu  a imagem da Santa  entre as pedras cheias de lodo.

Plácido levou a imagem para sua casa e ali num altar humilde passou a venerar a Santa. Mas, no dia seguinte, a imagem sumira, sendo novamente encontrada no lugar de origem do achado, onde hoje existe a bela Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.

Professora Raimunda Gil Schaeken(AM)

Professora Raimunda Gil Schaeken(AM)

Dizem os devotos, que a Santa sumiu outras vezes e essa história chegou ao conhecimento do governador, que mandou levar a imagem para o palácio e a manteve sob severa vigilância. Mas, pela manhã, a imagem sumira novamente. Os devotos concluíram que a Santa queria ficar às margens do Igarapé e lá construíram a primeira Ermida.

O povo vem, desde então, invocando a Santa e atribuindo a ela as muitas graças recebidas.

Segundo o que é transmitido através do tempo, consta que a imagem encontrada, de 28 centímetros de altura,  era coberta por “um manto azul com gotas de orvalho como pérolas” e carregava um papel com o nome “Nossa Senhora de Nazaré”.

Anos depois, foi dado novo manto à santa, por portugueses residentes no Pará, parecido com o da Senhora de Nazaré do país luso. A partir da segunda metade do século XX, a Virgem passou a ser vestida, amiúde, por mantos confeccionados por devotos como irmã Alexandra, Ester Paes França, Maizé Sequeira, Dilú Fiúza de Melo, Mariazinha Hundermark, Enid Almeida e Mizar Klautau Bonna.

Por causa da magnitude que o Círio de Nazaré adquiriu, inclusive com sua inserção no roteiro turístico da EMBRATUR, outros eventos foram surgindo em homenagem à Virgem, tendo a procissão como ponto de influência.

Além da transladação e da Missa de Encerramento que nasceram com o primeiro Círio, há mais de dois séculos, os eventos que com o tempo foram surgindo são os seguintes: translado para Ananindeua em romaria rodoviária, romaria fluvial, romaria de motoqueiros, procissão do forte, fogos de encerramento, Missa de despedida, incineração das súplicas e Recírio. Este, marca o fechamento do período de homenagens a Nossa Senhora de Nazaré.

O pagamento de promessas durante a procissão é um dos fatos mais impressionantes. Muitos romeiros se vestem com longas mortalhas arrastando pesadas cruzes de madeira, outros levam miniaturas de casas, miniembarcações e muitos outros objetos que aludem aos milagres feitos pela Virgem.

Entre os devotos, a CORDA representa o elo de ligação do povo com a Virgem. São milhares de romeiros descalços, disputando cada pedaço da corda, fazendo assim um autêntico cinturão humano que protege a Berlinda.

Todos querem acompanhar o Círio na Corda. É um lugar privilegiado, onde as cenas de fervor e fé atingem o auge. O toque na Corda do Círio é sagrado. E, mesmo com seus 350 metros de comprimento, a Corda ainda é insuficiente para tantas mãos, que sangram sem esmorecer, e pés que tropeçam, e corpos que caem para logo levantar, numa das mais impressionantes e comoventes manifestações de fé do mundo.

Durante os dias no arraial no largo de Nazaré, tudo é festa, há fogos de artifício, comidas típicas e parque de diversão.

Paralelamente ao sentimento religioso, os paraenses, no período da festa, mas principalmente no dia do Círio, se esmeram em reunir as famílias para congraçamentos mais estreitos, geralmente regados com iguarias especiais da culinária local, não faltando à mesa, por tradição, o pato no tucupi e a maniçoba.

“Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva”. (Lucas 1,47-48)(Raimunda Gil Schaeken é Professora Aposentada, Tefeense, católica praticante, membro efetivo da Associação dos Escritores do Amazonas – ASSEAM e da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas –ALCEAR).

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