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CNI espera que Mercosul permita flexibilidade para negociar acordos comerciais

Carlos Eduardo Abijoadi (CNI)/Foto: Reprodução
Carlos Eduardo Abijoadi (CNI)/Foto: Reprodução
Redação
Escrito por Redação

O Mercosul deve dar prioridade à agenda econômica, permitindo flexibilidade para que seus integrantes possam negociar e ampliar o número de acordos comerciais com outros países e blocos econômicos.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil precisa avançar numa agenda pautada pela integração de sua economia e suas empresas ao comércio global e o Mercosul não tem sido eficaz em definir uma política comercial de resultados, seja no acesso a novos mercados ou no aprofundamento do comércio intrabloco. “Na prática, o Mercosul não se consolidou como área de livre comércio e, nas últimas cúpulas, as decisões do bloco t​ê​m passado ao largo de temas importantes da agenda comercial e que são urgentes para a indústria”, diz o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi.

A CNI espera que essa postura seja adotada durante a nova presidência pro tempore do Mercosul, que será assumida pelo Paraguai, na 48a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, na sexta-feira (17), em Brasília. A indústria considera essencial avançar na negociação de acordos comerciais com Estados Unidos, Aliança do Pacífico (Peru, Chile, Colômbia e México), África do Sul, América Central e Caribe, além do acordo entre Mercosul e União Europeia. Nesse último caso, a CNI propõe que cada sócio implemente o acordo (desgravação) em prazos variáveis, segundo as possibilidades de cada país. “É preciso que a Cúpula confirme o compromisso de troca de ofertas entre Mercosul e União Europeia até o fim do ano”, afirma Abijaodi.

Paralelamente, é preciso solucionar pendências internas do bloco, como na negociação de acordos de serviços, investimentos, compras governamentais e barreiras não tarifárias, o que estimularia o comércio e investimento entre os países do bloco. A construção de uma agenda comum de infraestrutura, com projetos que promovam a integração logística dos países e o fortalecimento dos mecanismos de financiamento do bloco são fatores determinantes para fomentar projetos de investimentos e otimizar o fluxo de mercadorias com redução de custos de transporte, e consequente melhora da competitividade das empresas do Mercosul.

​​COMÉRCIO DESAQUECIDO – A falta de uma política comercial pragmática para o Mercosul tem afetado o fluxo de mercadorias entre os países do bloco, prejudicando diretamente a indústria brasileira, quadro agravado pelo situação da economia da Argentina, nos últimos anos. Dados da balança comercial mostram que o valor das exportações brasileiras para o bloco caíram 15% em 2014 frente ao ano anterior – o dobro do percentual de queda das exportações totais -, retomando o patamar de 2011. A CNI destaca, sobretudo, o efeito da redução do comércio sobre a pauta de bens manufaturados. Em 2014, as vendas para o Mercosul foram de apenas US$ 19 bilhões, número inferior ao de 2008, e uma redução de 23% em relação a 2013.

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