Colunas Luiz Gonzaga Lauschner

Comer faz bem

Luiz Lauschner Escritor e empresário
Luiz Lauschner Escritor e empresário
Redação
Escrito por Redação

Muitas vezes já ocupei este espaço para “denunciar” o excesso de normas e de zelo quanto a segurança alimentar. Citei a regulamentação (RD 216) da ANVISA criada em 2005 para ser implantada em setembro daquele mesmo ano em todos os locais que trabalham com alimentação. Pois bem, decorridos quase dez anos não há um único restaurante em todo o Brasil que tenha conseguido implantar e manter as normas desta portaria em todos os produtos. É relutância dos restaurantes? Não! É a complexidade da norma.

Existe uma gama de perigos a que devem ser do conhecimento de todo aquele que trabalha com produtos perecíveis alguns altamente tóxicos quando ingeridos fora do prazo de validade ou das condições de conservação. Nossas avós já sabiam que era bom lavar as frutas e as verduras antes do uso. Hoje, as normas de segurança indicam que produtos usar e por quanto tempo para processar a limpeza. Ótimo. As mesmas normas exigem que você saiba a procedência da polpa ou da fruta e até mesmo a água que compõe o gelo que usa no suco. Que beleza!

Fazer acreditar que toda a contaminação vem de fora e que nosso corpo não tem resistência pode ser tão grave quanto desprezar as normas de segurança. Lembro da primeira vez que participei da colheita de mel produzido por abelhas africanas mescladas. As cinco ferradas que levei provocaram tanto inchaço que tive de cortar a roupa que vestia para poder tirá-la. Quem se expõe a mosquitos, sem nunca ter estado sujeito às suas picadas, com certeza vai ficar cheio de marcas, irritação e inchaço.

As vacinas foram criadas para estimular a resistência natural do nosso corpo a doenças específicas. Da mesma forma não podemos dizer que uma pessoa sedentária, ao fazer um exercício leve e sentir dores musculares seja “alérgica” a movimentação física. Assim como o rápido cansaço, as dores musculares podem ser evitadas com a prática constante, também não podemos criar paranoias de quem a comida possa “fazer mal”. Ótimas refeições, preparadas dentro de todos os cuidados também podem fazer mal se houver um condicionamento mental para tal.

“Comer carne faz mal”, “peixe de couro é remoso”, “açúcar é ruim”, “banho de chuva provoca gripe”, “cabelo amarrado provoca dor de cabeça” e por aí afora. Antigamente também se costumava dizer que o banho era prejudicial à saúde. Muitos “conselhos” não resistem a uma análise científica. Uma pessoa com mais de cinquenta anos já assistiu o ovo de galinha em muitos papéis. Passou de extremo vilão a herói com alguns defeitos uma dezena de vezes sem alterar sua composição. Da mesma forma a manteiga animal é pior que a margarina vegetal apesar dos componentes químicos para torna-la parecida com a vilã. A banha de porco, componente obrigatório da cesta básica até os anos 60, foi banida por gerações e hoje é timidamente aconselhada por alguns especialistas em nutrição.

Podemos desprezar as normas de saúde? Jamais. Também não devemos acreditar que somos tão vulneráveis e não atribuir nenhuma resistência natural ao nosso organismo. Afinal, comer faz bem.

 

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