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Confronto entre trabalhadores da Erin Estaleiros e Rocam deixa feridos

Confronto entre trabalhadores com polícia/Foto: Divulgação
Redação
Escrito por Redação

Ao menos 20 pessoas ficaram feridas e quatro foram presas, durante confronto na manhã de hoje (11), entre trabalhadores da Erin Estaleiros Rio Negro e policiais militares da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), da Polícia Militar do Amazonas.

Os trabalhadores fecharam o acesso à Ponte Rio Negro, da rodovia Manoel Urbano – AM-070, que liga Manaus aos municípios de Iranduba e Manacapuru, em protesto por salários atrasados desde novembro do ano passado e o não pagamento dos 60% restante. A polícia agiu com rigor com bombas de efeito moral (gás lacrimogênio) e balas de borracha para dispersar os manifestantes.

Além disso, eles reclamam das péssimas condições de trabalho, e das atividades que são exercidas de forma ‘escrava’. Outro problema mencionado pelo grupo, é a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e alimentação adequada.

“A direção da empresa só fala em previsão, mas não dá uma resposta concreta o que dia que vai pagar os funcionários. Já estamos cansados de tanta espera, pois, muitos dos trabalhadores estão passando necessidade”, disse Paulo Santiago, de 40 anos.

Ao todo, 800 funcionários trabalham na empresa que está localizada na rua T4, bairro Compensa, Zona Oeste. Além das péssimas condições, os funcionários citam desvio de funções e acidentes graves com os trabalhadores que a empresa abafa. Segundo eles, denúncias foram formalizadas no Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), que chegou a aplicar multa, mas nunca interviu de fato o problema.

Confronto

Durante a ação da força policial, carros e pedestres ficaram em meio ao confronto de guerra na via, o qual ficou interditada por algumas horas. Alguns trabalhadores reagiram atirando pedras e pedaços de madeira contra os policiais militares, que responderam com tiros de balas de borracha e bombas de efeito moral.

Um ônibus do transporte público de Manaus, da empresa São Pedro, placa OAD-2308, da linha 128, ocupada por cinco passageiros foi atingido com uma das bombas de efeito moral, causando pânico, informou o motorista do ônibus Alexandre Nunes, de 31 anos.

O cenário de guerra entre os trabalhadores e policiais militares, causou terror entre os moradores e comerciantes que assistiam o confronto indignados a ação policial. O soldador Antônio Francisco Ferreira Lopes, 32, que trabalha na empresa Erin, foi atingido com uma bala de borracha na perna esquerda.  Além dele, outras pessoas também ficaram feridas e foram socorridas ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Joventina Dias, bairro Compensa.

Prisões

Ao todo, 50 policiais militares participaram da ação. Ainda durante o confronto, os policiais militares da Rocam entraram na empresa Erin, por volta das 8h27. Na ocasião, o soldador Ridson da Silva, 20, foi preso por desacato e incitação à violência. Além dele, outro funcionário que não teve o nome revelado foi detido.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil no Amazonas (Sintracomec-AM), Cícero Custódio, conhecido como ‘Sassá’, foi ferido no braço direito e preso horas depois pelos policiais militares da Rocam. Além dele, outro membro do sindicato, identificado como ‘Brandão’ também foi preso. As quatro pessoas presas foram levadas ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

O major Paulo Emílio, comandante da Rocam, informou que os policiais foram ao local para desobstruir o acesso à Ponte Rio Negro, mas foram recebidos a pedradas. “Quando a equipe chegou ao local, se iniciou uma conversa, mas os manifestantes se recusaram e começaram a reagir atirando pedras nos policiais. Diante da situação, reagimos com as bombas de efeito moral e bala de borracha para resguardar a integridade física de outras pessoas e de danos ao patrimônio privado sem uso de arma letal”, explicou o major Paulo Emílio da Rocam.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal), Valdemir Santana, foi ao local e lamentou a ação da força policial contra os trabalhadores. “É inadmissível essa força policial contra os trabalhadores que foram tratados como bandidos. Os trabalhadores só estão reivindicando os direitos trabalhistas”, disse Santana.

Santana enfatizou que irá apoiar os trabalhadores com greve, caso a empresa não cumpra com os pagamentos dos salários atrasados.

Policiais conversam com a organização/Foto: Divulgação

                            Policiais conversam com a organização/Foto: Divulgação

 

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