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Consumidor moderno – por Christiano Pinheiro da Costa

Defensor Público Christiano Pinheiro da Costa.
Redação
Escrito por Redação

O comportamento do consumidor é algo que intriga os estudiosos do mercado. As técnicas de marketing e fidelização às marcas já não são suficientes para garantia de conquista de novos seguidores e compradores.

Estar em sintonia com o contexto econômico, com a realidade mundial, com o cenário dos blocos econômicos, com a questão da preocupação com as gerações futuras, torna-se um dever na árdua tarefa de identificar o perfil do consumidor moderno.

A pergunta tradicional que o consumidor faz na hora de adquirir um produto ou serviço é: quanto custa?

Ocorre que, com as sensíveis transformações ambientais e a preocupação com a garantia de manutenção do equilíbrio ecológico com vistas à preservação de recursos naturais para usufruto das gerações futuras, houve a necessidade de adaptar os produtos às exigências desse consumidor que se preocupa com a origem e destinação do produto.

Assim, a segunda pergunta que o consumidor moderno fará, será: o produto que eu adquiro é sustentável? Ou como diriam os americanos, essa relação de consumo é friendly (amistosa)?

Essa perspectiva de valor, haja vista que o consumo pelo consumo não torna o ser humano feliz, além de degradar o ambiente e o condenar ao desaparecimento, já devia constar do currículo escolar desde a pré-escola, para formamos consumidores conscientes.

De se lembrar que a cultura do consumo como um fim em si, é a mola do endividamento, haja vista que ao se alcançar um determinado patamar de consumo, o cidadão de imediato se acha apto a pertencer a outra classe de consumo, mais sofisticada, e, portanto, mais cara, e muitas vezes alheia à questão ecológica.

Lógico, que ninguém pretende transformar o consumidor em um “eco-chato”, mas a logística reversa pode ser um diferencial na hora de optar por um produto.

Outro aspecto que vem ganhando especial relevo, decorrente do processo de relativização da globalização, é tendência mundial de protecionismo/valorização do mercado interno, do espaço interno, dos empregos de um determinado povo ou comunidade, do acesso aos serviços públicos, de modo que a geração de uma parte da riqueza, através do consumo, se dê pelo viés da primazia de opção pelos fornecedores locais, da comunidade, do bairro, da cidade em que o consumidor vive.

Portanto, a terceira pergunta que o consumidor moderno fará, será: a quem aproveita o ato econômico de consumo? Quem ganha com isso? A comunidade local, a cooperativa da minha cidade? A empresa local?. Vou gerar riqueza e emprego e movimentar a cadeia de consumo cíclica na minha cidade ou em outra?

Essas indagações serão o norte do consumidor moderno, transformando a relação de consumo numa relação holística, muito mais complexa, de modo a englobar os diversos atores envolvidos e mitigando os impactos ambientais dela decorrente, mas com ganhos sociais relevantes.
*Christiano Pinheiro da Costa é Defensor Público

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