Colunas Luiz Gonzaga Lauschner

Contaminação só para ricos

Luiz Lauschner Escritor e empresário
Luiz Lauschner Escritor e empresário
Redação
Escrito por Redação

Tivemos a felicidade de assistir uma palestra do Dr. Roberto Figueiredo, conhecido em suas palestras e aparições na TV como Dr. Bactéria. De uma maneira jovial, descontraída e até divertida apresenta os perigos a serem evitados no preparo e manuseio de alimentos. O profissional de saúde- Dr.Roberto – usa um personagem – Dr. Bactéria – para melhor chegar a seu público. E consegue.

Engana-se quem pensa que o palestrante é daqueles paranóicos em relação ao preparo de alimentos. Ele sabe, como profissional de saúde, que o preparo dos alimentos depende muito mais de quem os prepara do que do ambiente. Explicamos: não é suficiente que um local seja higienizado, construído dentro das normas da vigilância sanitária. Há necessidade do treinamento do manipulador. Há necessidade de conscientização de todos os que manipulam o alimento, começando pelo proprietário, ou proprietária do restaurante, lanchonete, barraquinha etc.

Muitas vezes vemos os holofotes da vigilância sanitária se direcionarem em cima de um grande supermercado ou um restaurante famoso para maximizar um pequeno problema encontrado ali. O que, por um lado é muito necessário, pode, por outro, desviar a atenção para onde o problema se encontra. É sabido que o foco da vigilância sanitária tem status, isto é, direciona-se em cima de quem está estabelecido, preocupado em atender as normas de higiene e segurança alimentar. Nem sempre isso é suficiente. Nas vizinhanças destes estabelecimentos podemos encontrar, sem procurar, vendedores ambulantes de comidas e “sucos naturais”. Estes não são incomodados pela vigilância. Estão abaixo do status da fiscalização.

É sempre bom lembrar que, se o poder público tem status para escolher quem merece ser fiscalizado, provavelmente as bactérias não obedecem o mesmo critério. As bactérias não estão atrás dos holofotes da imprensa e agem na surdina. Assim ceifam mais de cinco mil vidas todos os aqnos e deixam outras quatrocentas mil e mau estado.. A fiscalização sanitária poderia fazer seu trabalho discretamente e não acompanhada da imprensa como acontece com locais famosos. Fechar um estabelecimento criterioso por apresentar problemas pontuais é o mesmo que fechar uma empresa de transporte porque algum carro apresentou problema. É um tiro no pé. Embora o alvo de alguns fiscais seja o dono do estabelecimento, os mais prejudicados são os trabalhadores, fornecedores e o próprio poder público que deixa de arrecadar com o fechamento. Infelizmente, fiscais corruptos com a prerrogativa do fechamento são os únicos a lucrar.

A maior punição para um comerciante é o abandono de seu estabelecimento pelos clientes. O consumidor, por seu lado, não deve cometer a temeridade de adquirir maus hábitos alimentares. A perspectiva de perder público é suficiente para que uma casa se auto fiscalize. E o consumidor está a cada dia mais informado.

Contudo, é sempre bom alimentar-se com o espírito de gratidão direcionado ao dono, ou à dona da mão que preparou nossa refeição. Mesmo que essa mão seja a nossa. A gratidão pode se estender até a quem plantou a matéria prima do alimento. As bactérias também agem conforme o humor do indivíduo. Comer deve ser um ato de alegria e de prazer. Estas duas coisas não devem ser prejudicadas pela desconfiança sobre o que vamos comer.

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