Colunas Luiz Gonzaga Lauschner

Corpus Christi, marcha para Jesus e parada gay.

Luiz Lauschner Escritor e empresário
Redação
Escrito por Redação

No século XIII começou a manifestação para afirmar que a Eucaristia não era simbólica e sim que o corpo de Cristo estava fisicamente presente na hóstia consagrada. Quase três séculos mais tarde vieram os protestantes que voltaram a afirmar que a comunhão, com a presença do pão e do vinho abençoados, apenas atendiam ao pedido de Jesus e simbolizavam a memorável noite da Santa Ceia. Os católicos saíram às ruas, tendo à frente um sacerdote com um ostensório levantado mostrando que dentro dele está o verdadeiro corpo de Cristo. Que era real e não simbólico. Até hoje esta cerimônia se repete em todo o mundo cristão.

Cinco séculos mais tarde, igrejas néo pentecostais reunidas promovem a Marcha para Jesus, numa demonstração que visa, sutil ou ostensivamente, opor-se à procissão de Corpus Christi. Não por acaso, as datas das duas manifestações têm poucos dias de intervalo entre si. Em algumas cidades uma acontece antes da outra, em outras não. Contudo, devemos reconhecer que uma data de 1264 por bula papal e a outra iniciou em Londres em 1987, numa igreja quase desconhecida chamada Ichthus Christian Fellowship. Criou volume e foi trazida para o Brasil em 1993.

A chamada Parada Gay teve seu início em 1997 em São Paulo e se espalhou rapidamente por todo o Brasil. Acontece em dias e meses diferentes em cada cidade. Criada com o nobre objetivo deexigir respeito para com as pessoas com preferências sexuais diferentes, traz em seu bojo uma minoria que cria situações de desrespeito para com imagens tidas como sagradas, o que não é, em absoluto, o motivo original da manifestação.

Para a maioria das pessoas não interessa saber qual a crença que o outro pratica,de que maneira cada um faz suas preces, como reza ou ora, que ritual segue em suas cerimonias religiosas. Tampouco quer saber detalhes da vida íntima de cada um. Quando alguém expõe sua fé em ambiente público, sem querer saber o que pensa o transeunte, ou o morador da casa da rua onde ela acontece, pode atrair simpatias, mas com certeza estimula a oposição.

Se a Igreja Católica diz que o milagre do corpo de Cristo, constatado no século XIII e tornado oficial com uma celeridade única, corrobora sua fé no corpo vivo, a sua exposição pública é totalmente política. Para grande parte dos católicos, a simbologia do corpo de Cristo está de bom tamanho. Em outras palavras, muitos batizados não creem no corpo vivo. Da mesma forma, a Marcha para Jesus, mais que uma manifestação religiosa, se transformou numa demonstração de força daqueles que se opõe às religiões cristãs tradicionais. Não consegue atrair católicos, nem luteranos.Nem mesmo os anglicanos participam dela no país em que surgiu.

Da mesma forma, a luta por direitos iguais, é justa e merece respeito daqueles que querem ser respeitados. As minorias religiosas, raciais, sexuais e sociais reivindicam publicamente que sua vida privada seja respeitada. Contudo, reuniões religiosas têm seu lugar em templos construídos para isso. A vida privada de um casal hétero ou mesmo homo é vivida a dois na privacidade do lar. Contudo, no momento que um grupo sai às ruas querendo convencer outros a viverem a sua privacidade como eles próprios o fazem, de alguma forma geram indignação em quem não pensa como eles.

Que partidos políticos busquem votos é normal e é a sobrevivência da classe. Porém, quando há felicidade na crença e na vida amorosa por que o alarde público?
Os católicos podem insistir em seus dogmas junto aos adeptos sem necessidade que seja na rua; os que se dizem evangélicos não podem exigir respeito se chamam seus irmãos católicos de idólatras; nem os gays podem exigir reconhecimento se tripudiam sobre aquilo que muitos – mesmo entre os simpatizantes da Parada – consideram sagrado.

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