Colunas Luiz Gonzaga Lauschner

Corrupção de ontem e de hoje

Luiz Lauschner Escritor e empresário
Luiz Lauschner Escritor e empresário
Redação
Escrito por Redação

O argumento que mais se vê e se ouve nas mídias sociais é a de que a corrupção já existia antes do governo do PT. É uma grande verdade, mas que não embasa outros argumentos tolos como: “’Eles’ roubaram durante 500 anos, agora é nossa vez”, como se o roubo fosse uma forma de promover a distribuição da renda. Corrupção é o nome que se dá ao conjunto de atos ilícitos que são praticados por quem deveria combatê-los. Corruptos sempre existiram e sempre existirão. Corrupção generalizada, nem sempre. Combatendo aos corruptos, combate-se a corrupção.

Nos anos 1970, Kurt Rudolf Ulrich Mirov (que, ao contrário do que o nome possa sugerir, nasceu no Brasil) denunciava a corrupção na Petrobras, em outros setores empresariais e do governo em seu livro “A Ditadura dos Cartéis”. Inicialmente o livro existia apenas em folhas datilografadas e fotocopiadas, uma vez que a publicação fora proibida, depois em 1978 finalmente ele foi formalmente impresso. Mirov era dono de uma empresa, CODIMA, fornecedora da Petrobras. Organizou sua empresa para a produção de motores elétricos de alta potência, atendendo programação da estatal do petróleo. Mais tarde, sem nenhum aviso prévio, esta deixou de comprar motores grandes e solicitaram pequenos que ele não pode atender.

A fábrica que tinha 600 funcionários fechou as portas e seu fundador partiu para a luta e denunciou – em plena ditadura – cartéis internacionais que determinavam quem poderia comprar o que de quem. E a Petrobras, cujo índice de nacionalização de compras girava em torno dos três por cento, capitulou ante os cartéis, esmagando qualquer possibilidade de ajudar pequenos e médios empreendedores nacionais. Porque ela não lutou contra isso é fácil de imaginar.

Uma década depois, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, conhecido como José Sarney, assumiu a presidência do governo brasileiro, de maneira duas vezes indireta (foi eleito vice de Tancredo Neves num colégio eleitoral) e nomeou o senhor Antônio Carlos Magalhães como seu ministro das comunicações. Controlando a estatal Telebrás, o famigerado ACM determinou que nada mais seria comprado das empresas controladas por Mário Garneiro, porque este não tinha moral para ser fornecedor do governo. A empresa, representante da NEC japonesa, cujo único comprador de telefones e sistemas telefônicos era o governo, faliu. Para continuar a obter telefones, a empresa de Garneiro foi assumida por dois amigos do ministro, os senhores Amador Aguiar, do Bradesco, e Roberto Marinho da Rede Globo. Pelo favor ACM recebeu a autorização para retransmitir a programação da Globo em todo estado da Bahia y otras cositas más. Os três já foram para o andar de cima (ou de baixo), mas o sistema continua. Ainda há gente combatendo privatizações.

A história não registra a quantidade de homens públicos que chegaram ao poder com o discurso da moralidade e do combate à corrupção e depois se revelaram tão ou mais corruptos que os que estavam lá. Quem não se lembra de Collor, para citar um fato recente? Ou de Lula para citar um fato atual? Jader Barbalho, na oposição à ditadura militar pregava moralidade enquanto incendiava cartórios no interior do Pará para roubar terras. Também ele é uma raposa que foi ao sétimo céu quando lhe entregaram a chave do galinheiro. Enfim, o Brasil está cheio desses “moralistas” de araque. São poucos os que ficaram imunes às oportunidades de corrupção que o poder oferece.

Hoje os corruptos tentam desqualificar os órgãos que os combatem. Senão aos órgãos, mas às pessoas que estão na frente deles. Corruptos sempre houve. Esquema federal de corrupção, comandada pelo Palácio do Planalto é a primeira vez.

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