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Dependência Digital: O mal do século (Por Garcia Neto*)

Jornalista e Professor Garcia Neto(AM)
Jornalista e Professor Garcia Neto(AM)
Redação
Escrito por Redação

Einstein tinha razão: a tecnologia já ultrapassou a interatividade humana. Antigamente, desconfiava-se que os problemas de relacionamento dos adultos e entre adultos eram originários da infância. Vamos pensar que não! Ocorre que, na infância as crianças se comunicam, brincam, com certa facilidade e depois podem perder essa naturalidade relacional. Se você colocar uma criança num grupo de crianças em minutos ela se enturma e, logo, sem restrições, elas constroem situações lúdicas pelo prazer que isso lhes oferece, embaladas pela criatividade e interatividade cooperativista. Não é necessário o apoio de tecnologias modernas, já que é possível brincar muito bem com pedrinhas, folhas de papel, tesourinhas, lápis, ou outras coisas que se parecem insignificantes.
A sociedade de hoje mudou de comportamento, adquiriu novos hábitos, e no âmbito dessa realidade cada vez mais fragmentada e individualista, temos uma inversão de papéis e valores, mais informação do que podemos absorver, a mulher trabalha fora, o avanço tecnológico é grande, a família mudou, a criança mudou, o aluno e a escola também mudaram. As mudanças tecnológicas modificaram as formas de brincar. As crianças não brincam mais no terreiro de chão batido, jovens não conversam mais, deixaram de jogar bola, não pulam amarelinha, não brincam de manja; aderiram aos recursos multimídia (imagens, gráficos, animação, áudio e textos), se comunicam pelo WhatsApp, FaceBook, Instagram, ignoram que o sol que brilha lá fora é um convite para as saudosas brincadeiras na rua e banhos de chuva.

Atualmente prevalece a sujeição digital. A completa dependência dos recursos tecnológicos tem alterado a rotina de adultos, jovens e até de crianças que não conseguem se desligar e sequer perceber que essa rotina os leva ao estresse e a doenças psicológicas e reumáticas, conduz ao isolamento, provoca o desconforto emocional, ansiedade, agitação, irritabilidade, depressão, perturbação, toc (transtorno-obsessivo-compulsivo), déficit de atenção, fobia social, piora no rendimento escolar, e outras avarias. Quando ocorre em adultos, a dependência digital pode ser tratada com terapias, mas, em jovens e crianças, além da terapia psicológica, a interferência dos pais é oportuna para impor regras à utilização do computador ou do celular.

Pesquisas têm revelado que o uso excessivo da tecnologia gera dependência digital, e seus efeitos já são diagnosticados como patologia psiquiátrica em alguns países. No Brasil, a dependência ainda não é considerada doença, mas um transtorno que deve ser tratado por um psicólogo o quanto antes para obter melhores resultados. Em todo mundo são cerca de 290 milhões de dependentes digitais afetados pela doença do transtorno e que precisam fazer uso consciente dessas tecnologias.

Se observarmos os espaços públicos, com pessoas indo e vindo, percebemos cada uma delas buscando um certo isolamento. É comum vermos as pessoas desconectadas do real, presas aos dispositivos móveis, completamente isoladas por meio de fones de ouvidos conectados a smartfones e tablets. É a ausência se fazendo presente na convivência das pessoas uma com as outras.

É verdade que os recursos tecnológicos trouxeram muitos benefícios através da informação. Agora, somos capazes de mobilizar causas políticas de grande importância social através das redes sociais, somos notificados a todo instante acerca de ações, desastres de qualquer lugar do mundo, além de trocas de informações instantâneas de toda ordem e interatividade. No entanto, pode parecer absurdo para alguns, mas seria mais prazerosa as pessoas se encontrarem pessoalmente para conversar, trocar idéias, sorrir e terem momentos divertidos na vida real e no presente, sem precisar mascarar ou disfarçar um sentimento através de um dispositivo multimídia.

Einstein tinha razão quando disse que a tecnologia superaria a interatividade humana. Parece que o dia chegou. Atraídos pelas vantagens oferecidas pela tecnologia as pessoas não largam os aparelhos de celular em nenhum momento, ficam alheios ao mundo a sua volta, levando-nos a acreditar que as ferramentas virtuais gerou uma assustadora comunidade de idiotas previstas por Einstein.(* Garcia Neto é professor e jornalista)

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