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Empresas de ônibus “chantageiam” prefeitura, sindicato e trabalhadores

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Redação
Escrito por Redação

“As empresas de ônibus em Manaus vivem chantageando a prefeitura, forçando o Sindicato dos trabalhadores a fazer greves para tirar vantagens no aumento das tarifas, compra de ônibus, reformas de terminais e subsídios para as empresas dos transportes “.

 

As declarações do vereador Mário Frota (PSDB), abrem, em parte, os escuros corredores existentes nas relações capciosas entre os setores responsáveis pelo transporte da população na cidade de Manaus, que hoje acumula uma série de graves problemas: veículos quentes, velhos e fora do horário, número reduzido da frota e, trabalhadores mal remunerados e sem atendimento adequado.

 

Mário Frota disse que na época que foi vice-prefeito de Manaus, na administração de Serafim Corrêa (2004 a 2008), intermediou várias reuniões entre empresários e sindicatos. De um lado, trabalhadores e do outro, empresários. “Eram acusações mútuas. Os sindicalistas acusando os empresários de não terem feito o combinado nos bastidores e os empresários acusando os sindicalistas de terem recebido dinheiro para fazerem a greve combinada por eles e, não fizeram”, disse.

 

A greve combinada entre os empresários do setor e os sindicalistas Francisco Amaral (Gogó) e Francisco Bezerra, os dirigentes do Sindicato dos Rodoviários da época, tinha como fim forçar a prefeitura comprar ônibus novos e definir a fusão das empresas, transformando elas na mal falada e problemática Transmanaus.

 

Pelo que o vereador pode deduzir, os sindicalistas eram totalmente subordinados aos empresários. “Estavam dentro do bolso deles”, concluiu. Enquanto isso, a população sem os serviços adequados. Era uma calamidade desconhecida aos olhos da população, muito menos as decisões no setor de transportes públicos da época, da mesma forma como acontece hoje, em todos os itens.

 

De acordo com o vereador, dessas reuniões saíram o aumento de tarifa de R$ 1,80 para R$ 2,00 e a garantia dos empresários de que eles entregariam à população de Manaus 500 ônibus novos. No frigir dos ovos, eles entregaram só 80 deles.

 

O drama dessa história aconteceu no dia da entrega, que só não teve banda de música, mas o prefeito, o vice e secretários foram ver os 80 ônibus perfilados em frente ao Olímpico Clube, quando o motorista do vereador Mário Frota chamou a atenção para uma mancha de óleo em baixo de um deles.

 

Conclusão!… eram todos reformados nas próprias garagens das empresas, com motor batido, pneus carecas, tinta fresca borrando as janelas e vidros do veículo… Um mês depois tinha até ônibus pegando fogo nas avenidas de Manaus. Diante do impasse, Mário Frota pediu uma investigação para apurar responsabilidades. “O aumento das tarifas não tinham sido respeitado”, disse.

 

A farsa

 

A empresa “TransManaus” foi a maior farsa do sistema de transportes urbanos da cidade. As empresas eram as mesmas, os ônibus os mesmos, os trabalhadores idem, os empresários também. Conforme disse o vereador, a única coisa que mudou foi a cor dos ônibus. Ou seja, levaram um banho de tinta e só. Como consequência de toda essa trapalhada, o prefeito Serafim Corrêa foi quem pagou o preço político mais alto dos últimos mandatos. E o sindicato e empresários ainda aplaudiram.

 

Diante disso e fazendo um comparativo com os dias atuais, vimos que empresários do setor continuam dando as cartas. Forçando greves, dificultando as negociações com sindicalistas e o setor público, descumprindo horários em todas as linhas da capital, ganhando isenções e subsídios (impostos, diesel, PIS, Confins, ISS, Alvará) e, faturando muito dinheiro com máquinas velhas e enferrujadas.

 

A atividade empresarial do ramo dos transportes urbanos de Manaus recebe R$ 2 Milhões de subsídios do Governo do Estado e prefeitura, transportam algo em torno de 900 mil passageiros/dia.

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