Colunas Luiz Gonzaga Lauschner

Fechemos as fábricas de motocicletas

Luiz Lauschner Escritor e empresário
Luiz Lauschner Escritor e empresário
Redação
Escrito por Redação

Há muitos anos militando no terceiro setor, reparei com inúmeras declarações estapafúrdias quando se falava de bares e restaurantes. Ainda há três anos, uma assim denominada “varredura” fechou todas as casas noturnas e boates de Manaus, com exceção de duas. O que causou isso? O gravíssimo caso da boate Kiss em Santa Maria, no distante Rio Grande do Sul. Poderia ter acontecido na Suécia e as ações seriam as mesmas. Não se questiona as medidas, mas a ausência de uma fiscalização conscienciosa durante o tempo todo. Como que mais de uma centena de casas funcionava de maneira irregular?

Diariamente vemos motocicletas sendo usadas em assaltos, em roubos, em execuções nas sinaleiras sem falarmos do inúmero volume de acidentes que pilotos irresponsáveis causam no trânsito. Recentemente os motoqueiros conquistaram o direito de exercer o transporte de pessoas nos chamados moto-táxis. Essa “conquista” elevou o número de motos e consequentemente o número de acidentes com esses veículos assustadoramente. Sem contar que muitos bandidos usam o uniforme de moto taxista como ferramenta de seu “trabalho” prejudicando os honestos.

As motos, presentes em todos os serviços de delivery por sua capacidade de driblar o trânsito, o pequeno consumo de combustível e custo aceitável, são vistas até de madrugada fazendo seu trabalho. Isso traz benefícios à população, assim como as casas noturnas, bares e restaurantes. Contudo, a habilitação exigida para todos os motoristas e motociclistas não parece ser suficiente para impedir acidentes e crimes.

Com tudo isso, dar o tratamento criminoso a uma moto não é nada sensato, muito menos pedir o fechamento de fábricas. O Brasil já está cansado do excesso de regulamentos que não ajudam nada. Ou então, cujo benefício é menor que o custo. É assim em muitas coisas, como na dificuldade do cidadão adquirir uma arma de fogo legalmente e o bandido, que não respeita lei alguma, andar armado até os dentes ameaçando pessoas indefesas. Inibir o funcionamento de bares e permitir os ambulantes de vender comida de dúbia conservação é semelhante. A Segurança pública quer acabar com o problema na raiz, o que nem sempre favorece à população. Basta ver o prejuízo que a eliminação do transporte coletivo na madrugada vem causando aos empresários da noite por décadas. Segurança é algo mais amplo que simplesmente a defesa contra agressões e ao patrimônio.

Voltemos à motocicleta: Invenção tão antiga quanto o carro, é uma solução para locomoção rápida. Também proporciona uma sensação de liberdade até para quem a usa para trabalhar. É uma ferramenta que proporciona satisfação, economia e rapidez a um custo muito menor que outro meio motorizado. Os defensores do desarmamento dirão que a moto pode ser usada somente para o bem e que uma arma só serve para matar. Se este argumento fosse consistente, os países do mundo todo acabariam com seus exércitos. A maioria os mantém para defesa e não para ataque. Ver caroneiro de moto empunhando arma em plena luz do dia não é uma visão das mais raras, no entanto o carro que está sendo perseguido não pode levar uma para defesa dos ocupantes.

Está na hora de pararmos de entender que o cidadão só pode ter a defesa que o estado oferece. A moto precisa ser fiscalizada. Palpites dos mais estapafúrdios já foram dados na mídia. Também dou o meu: Por que não obrigar a todos os ocupantes de motos a usarem capacetes transparentes? Talvez uma medida simples dessas ajudasse a salvar tantas vidas quanto o cinto de segurança no carro.

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