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Indígenas da área rural de Manaus recebem ação preventiva contra tuberculose

Pesquisa ajuda no diagnóstico precoce da tuberculose/Foto: reprodução
Redação
Escrito por Redação

Com o objetivo de detectar, precocemente, os casos de tuberculose ativa e infecção latente pelo bacilo de Koch, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), deu início, na segunda-feira (23), a um trabalho preventivo junto aos indígenas residentes nas comunidades Boa Esperança e Nova Esperança, localizadas no rio Cuieiras (afluente do rio Negro), na zona Rural de Manaus, ação que faz parte do Plano Nacional para a Redução e Controle da Tuberculose em Populações Vulneráveis, segue até a próxima sexta-feira (27).
A chefe da Divisão de Vigilância em Saúde do Distrito de Saúde (Disa) Rural, Cristiane Mendonça, esclarece que o inquérito é uma ação que visa a cobertura de 100% da população de determinadas localidades. Em Boa Esperança e Nova Esperança foram detectados 17 casos em fase latente (quando ainda não há a presença de sintomas) em 2014, quando foi realizada uma ação como essa pela primeira vez.

“No ano passado, tivemos um caso confirmado e neste já temos dois em tratamento. Ali, temos indígenas de várias etnias como Tikuna e Kambeba. São 50 pessoas no total. A meta é realizar o exame de Proteína Purificada Derivada (PPD) em todos e o teste rápido Gene Xpert naqueles que estejam apresentando sintomas como tosse, pois é necessário coletar o material por meio de escarro”, explicou.

O secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto, destaca que a tuberculose é um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e que Manaus vem realizando todos os esforços para reduzir a incidência da doença, intensificando ações para o diagnóstico precoce e para a redução da taxa de abandono do tratamento. “Esta é uma doença fortemente ligada a fatores sociais. Por esta razão, dirigimos nossas atividades de prevenção e controle para os grupos mais vulneráveis”.

A ação conta com a parceria da Secretaria Especial de Saúde Indígena, por meio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI-Manaus), e do Laboratório Central (Lacen). No total, 12 profissionais participam da abordagem, entre médico, enfermeiro, agente de saúde indígena, bioquímico e técnico de laboratório, para realizar o atendimento e processar os exames.

A base da equipe é a aldeia Três Unidos, no Polo Nossa Senhora da Saúde, onde já existe um espaço para alojamento do DSEI-Manaus. O acesso é por meio fluvial, em uma viagem que dura 2h30 em lancha rápida. Diariamente, as equipes se deslocam para as duas comunidades programadas.

“Esta ação estava prevista na Programação Anual de Saúde (PAS). É difícil de ser executada, pois envolve diversos gastos como, por exemplo, barco e alimentação, mas é muito importante de ser realizada visto que se trata de uma população que tem pouco acesso aos exames”, avaliou a diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Devae), Angélica Tavares.

Programação

Na abertura da ação, dia 23 à tarde, foi apresentado um Panorama/ Abordagem da doença e estratégias adotadas para o Inquérito em Tuberculose. Até esta quinta, 25, será realizada a busca de pacientes sintomáticos respiratórios, coleta de exame de escarro e aplicação do PPD. No dia 26, os profissionais realizam a leitura do PPD, processam os exames de escarro e entregam os resultados. Também atendem os possíveis casos positivos, incluindo a realização do teste rápido para HIV. No dia 27 pela manhã, concluem a leitura do PPD, apresentam e avaliam o resultado da ação. À tarde, a equipe retorna a Manaus.

Sobre a doença

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pelo bacilo de Koch, cujo nome científico é Mycobacterium tuberculosis. A versão pulmonar é a mais comum, porém a doença pode ocorrer em outros órgãos como as meninges, rins e ossos.

Tosse seca ou com secreção, por duas a três semanas, falta de apetite, febre discreta, dor no peito, suor noturno e fraqueza são sintomas da doença, mas nem sempre se manifestam em todos os pacientes. Em estágio avançado, porém, o paciente pode sentir todos esses sintomas juntos.

Em 2014, um milhão de crianças no mundo foram vítimas da doença, ano em que o Brasil apresentou 81 mil casos novos, configurando-se como um dos 22 países que concentram as mais altas taxas da tuberculose. O Estado do Amazonas apresentou, em 2015, a maior taxa de incidência em nível nacional, com 73,8% dos casos concentrados em Manaus.

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