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“Jeitinho brasileiro” ou corrupção à brasileira? – por Carlos Costa

Redação
Escrito por Redação

Será que o chamado, conhecido e aceito “jeitinho brasileiro” para resolver problemas de controle do Estado, criado pelo pensador Max Weber e ampliado no Brasil, com excesso de burocracia, talvez para melhor permiti-lo, com tantos órgãos de controle que nada controlam, não seria também, uma forma disfarçada de “corrupção à brasileira”, praticada de forma inocente e quase sem perceber pela sociedade coletiva? Será que furar um sinal vermelho, pagar para outra pessoa ocupar seu lugar em fila e conseguir uma ficha para não ser atendido por ninguém pela falta de médicos, também não seria uma “corrupção à brasileira” disfarçada e justificada pela necessidade de controle do Estado criado por Max Weber também não poderia seria ser considerada como tal? Para alguém por alguma coisa, favor ou facilidade para obter o que deseja, não seria uma forma disfarçada de corrupção à brasileira? “De tostão em tostão faz-se um milhão”, como diziam os mais antigos!

Invariavelmente, a corrupção começa com o recebimento de pequenos percentuais de valores e termina deformando todo o caráter de uma pessoa! Como o dinheiro de impostos entra muito fácil nos cofres do Governo e sai mais fácil ainda, descendo pelo ralo da corrupção em forma de projetos que começam e nunca termina. Isso vem ocorrendo largamente no Brasil, independentemente de cores partidários. A “operação lava jato” não é o primeiro caso constatado e talvez não venha a ser o último, é só lembrar dos escândalos da Coroa/Brastel, do Banestado, das Privatizações etc. Como a sociedade está completamente deformada em seus valores intelectuais (com analfabetos de 3º grau sendo diplomados), morais e éticos, ainda recebe péssimos exemplos da classe que deveria lhe transmitir exemplos positivos. Devido a isso, pouca coisa pode-se esperar do comportamento de muitos políticos que se elegem prometendo tudo, dizendo tudo e depois não cumprindo nada. Existem exceções, é claro, mas hoje existem quase 50% dos partidos políticos e mais de 100 parlamentares de quase todos os partidos, sendo investigados pelo STF, por envolvimento em alguma falcatrua cometida no cargo.

O governo recebe impostos usando apenas uma caneta para assinar e criar um novo imposto para cobrir seus rombos de seu descontrole financeiro e uma decisão na cabeça de fazê-lo. Porém, os impostos que recebe de forma tão fácil e rápida, os deixa escapar pela ganância de quem se deixou seduzir pelo poder econômico, que acabou com o resto da decência social que ainda existia. O dinheiro fácil e abundante acabou com a política do Brasil. É preciso impor limites de gastos nas campanhas em todos os níveis e acabar com a hipocrisia de dizer que todas as doações foram legais e que tudo foi declarado e aprovado pela Justiça Eleitoral, que não é fiscal de nada, apenas recebe notas e confere o que foi declarado. Não tem poder de investigar nada e não é seu papel.

Como o dinheiro dos impostos entra fácil nos cofres do Governo, ele os deixa escapar mais fácil ainda, através de projetos superfaturados de empreiteiras, esquemas de corrupção e desvios na Petrobrás, compras de remédios com sobre preço para uma saúde enferma e atualmente na UTI da incompetência. A corrupção não começou com o PT e está sendo combatido com muito rigor pelo juiz Sérgio Moro. Ao fim da limpeza asséptica do juiz espera-se uma profunda reforma social, moral, ética, política jurídica e comportamental da sociedade apodrecida depois da limpeza asséptica realizada pelo juiz Sérgio Moro. Caso contrário, continuaremos a ver novos escândalos políticos, cada vez mais sofisticados.

Todos os partidos que estão ou já estiveram em governos Federal, Estadual e Municipal, já praticam atos de corrupção, com mais ou menos frequência. Surgidos a partir de uma sociedade em decadência, todos os partidos políticos aprenderam e aperfeiçoaram as aparentemente e inocentes práticas de desonestidade de pagar por vaga em fila de consultas para retirar uma ficha para médicos, estacionar “rapidinho” o carro no lugar demarcado e exclusivo para portadores de necessidades especiais, furar um sinal vermelho, beber, dirigir e matar no trânsito, praticar suborno com agentes de trânsito, praticadas pela sociedade que cobra honestidade dos políticos, mas é também desonesta. Infelizmente essas práticas erradas e forma irresponsável de agir da sociedade coletiva, contaminaram negativamente todos os partidos políticos. Caso contrário, continuaremos a ver novos escândalos políticos, cada vez mais sofisticados. Como cobrar ética, moral e comportamento coerente dos políticos se essa mesma sociedade que os elege nas urnas está sofrendo dos efeitos nefastos de dar uma moedinha à flanelinha para estacionar um carro na rua, ou guardar uma vaga em uma fila, muitas vezes por pura necessidade. Ou, ainda, furar um sinal de trânsito porque não tem um agente público olhando?

Para se exigir respeito dos políticos desonestos, será preciso que a sociedade pratique a honestidade, também! Exercer, cumprir e fazer cumprir a cidadania, inclusive na hora do voto, é o caminho mais curto para endireitar a sociedade corrompida e corruptora e a cena atual da política do Brasil e, por consequência, eleger candidatos mais comprometidos com o povo e não só com seus interesses apenas partidários!

*Carlos Costa é jornalista, cronista e escritor

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