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Laboratório no Hospital Getúlio Vargas vai identificar infecções por fungemia

Laboratório do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus/Foto: Arquivo
Redação
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Laboratório do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus/Foto: Arquivo

                       Laboratório do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus/Foto: Arquivo

Estudo no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), investigou 157 pacientes atendidos entre 2015 e este ano no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV).

Deste universo, foi registrado um óbito causado por fungemia e outros três casos de pacientes infectados com a doença, segundo informaram Marcos Henrique Gurgel Rodrigues e a dra. Maria Zeli Moreira Frota, bolsista e orientadora do projeto, respectivamente.

Sob a coordenação da professora-doutora, o estudante de Farmárcia desenvolveu um estudo que propõe a implementação de um sistema para identificação de infecções fúngicas e de fungemias no HUGV. Ambos são da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Segundo o bolsista, o desafio do estudo era verificar a ocorrência de infecções fúngicas invasivas e fungemias em pacientes atendidos no HUGV e, analisar os agentes etiológicos mais presentes nos pacientes com esse tipo de infecção.

No decorrer do estudo, 157 pacientes foram investigados. Marcos Henrique explicou que a inexistência de um laboratório de micologia no HUGV dificultou a captação de pacientes com suspeita de infecções fúngicas invasivas e que um dos resultados da pesquisa é auxiliar na implementação de um serviço diagnóstico micológico no Hospital Universitário.

“Uma das propostas do projeto é auxiliar na implementacao de uma estrutura e rotina para o recebimento e análise de amostras de pacientes com suspeita de infecções fúngicas aqui no hospital. No estudo, tivemos poucos pacientes positivos, no entanto, todos os positivos apresentaram infecções por leveduras do gênero Candida – que são fungos que tem potencial patogênico e que em pacientes debilitados pode provocar doenças”, disse Marcos Henrique.

Para a orientadora da pesquisa, o estudo é o pontapé inicial para a implementação do diagnóstico micológico no HUGV. Ela alertou sobre os perigos da infecção fúngica sistêmica e da fungemia (que pode matar em pouco tempo) e também destacou a importância do diagnóstico preciso, com a identificação do agente, para, assim, poder auxiliar o médico na melhor conduta terapêutica.

“Há muitos pacientes imunossuprimidos que desenvolvem infecção fúngica sistêmica invasiva no próprio ambiente hospitalar ou já vem com a infecção de fora, que não tem diagnostico e acabam indo a óbito, sem que ao menos sejam submetidos ao exame micológico devido à inexistência deste serviço no próprio hospital. Em pacientes imunossuprimidos graves (com baixa imunidade) em questão de uma semana ele pode ir a óbito, se não houver um diagnostico preciso e tratamento adequado”, afirmou Maria Zeli.

Conforme a pesquisadora, o paciente com baixa imunidade pode desenvolver um processo generalizado de infecção fúngica que pode ocasionar a fungemia, doença que consiste na presença de fungos na corrente sanguínea e, que, caso não seja aplicado o tratamento em tempo hábil, o paciente vai a óbito. Ela destacou que esse tipo de situação não é rara.

No estudo, o grupo de pesquisa montou uma logística para o recebimento e análise das amostras no laboratório de micologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Ufam, mas a ideia é que o serviço seja implementado no novo prédio do HUGV, que contará com um espaço voltado para as análises micológicas.

Novos desafios – O grupo de pesquisa se prepara para dar início a um novo estudo. Eles começaram a investigar a suscetibilidade dos agentes fúngicos frente a drogas antifúngicas, que são usadas na rotina do tratamento do HUGV, com o intuito de verificar se essas cepas do hospital são resistentes a essas drogas.

“O desafio é ampliar a amostragem, aumentar o número de pacientes, analisar melhor a ocorrência da infecção no hospital e avaliar a suscetibilidade desses agentes, frente às drogas antifúngicas”, disse a orientadora do estudo.

Num outro projeto, coordenado pela dra. Maria Zeli, que contará também com o apoio da Fapeam, por meio do Programa de PAIC-HUGV-2016/17, será ainda realizada uma pesquisa sobre a presença de fungos contaminantes em ambientes críticos do hospital universitário, como a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e centros cirúrgicos, por exemplo.

Neste estudo, pretende-se avaliar o nível de biocontaminação desses ambientes, identificando os agentes fúngicos presentes, possíveis fontes primárias de contaminação e a relação disto com as infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras).

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