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Linguagem de lupanar( Por Paulo Figueiredo )

Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Redação
Escrito por Redação

Com perdão das profissionais, a linguagem de lupanar ganha em Lula expressão bem mais licenciosa. Na voragem que o envolve nas investigações da Lava-Jato, usa e abusa, não consegue concluir uma frase sem valer-se de um palavrão. Porra, aqui e ali, serve apenas para virgular orações raivosas, enquanto adjetiva inimigos com outros ditos obscenos e violentos.
Ao despejar impropérios de baixo calão, Lula não poupa ninguém, nem ao menos considera que estaria ultrajando interlocutores eventuais ou próximos, do intergrante de sua segurança pessoal à presidente da República. Nenhuma surpresa, em quem é fruto de uma desestruturação familiar histórica, agravada ao longo da vida, em circunstâncias conhecidas.

Agora, com as gravações da Polícia Federal, tem-se a dimensão das diatribes de baixo nível do ex-metalúrgico, do tipo “eu ando muito puto da vida, porque a falta de respeito e a cretinice comigo extrapolou” (sic), referindo-se aos investigadores da Lava-Jato. Ou fazendo graça sem graça, em conversa íntima com Dilma, ao relatar que “Clara Ant tava dormindo sozinha quando entrou (sic) 5 homens lá dentro. Ela pensou que era presente de Deus, (mas) era a Polícia Federal, sabe?”, tudo sob risos despregados do próprio e da presidente.

Rui Falcão, em telefonema para Jaques Wagner, recebe do então chefe da Casa Civil orientação para que resistam na porrada à decretação da prisão preventiva de Lula, com cerco ao prédio em que reside o ex-presidente. Impressionante. A sublevação civil e o confronto físico contra provável decisão judicial são indicados pelo mais importante ministro do governo Dilma. Wagner também comemorou as agressões dirigidas a Marta Suplicy – “é bom pra nega aprender”, segundo Lula, chamada de “puta, vagabunda e vira-casaca”. Aonde chegamos?

Sobre a fiscalização da Receita Federal junto ao Instituto Lula, tem-se entre Lula e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, o seguinte diálogo: “É preciso acompanhar o que a Receita tá fazendo junto com a Polícia Federal, bicho!”, observa Lula. Barbosa: “Não é … Eles fazem parte”. Lula: “É, mas você precisa se inteirar do que eles estão fazendo no Instituto …”. Barbosa: “Uhumm, sei”. Lula: “Sabe? Eu acho que eles estão sendo filho da puta demais” (sic). Barbosa: “Tá”.

Em conversa com Dilma sobre o STF, o STJ e os presidentes da Câmara e do Senado, diz Lula: “Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado. Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que todo mundo vai se salvar. Eu, sinceramente, tô assutado com a República de Curitiba. Eu tô pensando em pegar todo o acervo e jogar na frente do Ministério Público. Eles que enfiem no cu e tomem conta disso”. Dilma: “O acervo de quê?” Lula: “Dilma, é um monte de contêiner de tranqueira que eu ganhei quando estava na Presidência”. Dilma: “Ah, dá pra eles! Eu vou fazer a mesma coisa com os meus viu?!” Com o exemplo do marido, Marisa Letícia também mandou que as pessoas que batem panelas metessem no cu as respectivas.

Edificante esse bate-papo entre o ex-presidente e a presidente. O MP que se prepare. Em gravação da deputada Jandira Feghali, Lula já havia mandado que os responsáveis pela Lava-Jato metessem o processo no cu. Estranha obsessão, hein! Há tiradas ainda bem mais pesadas, quando Lula pergunda pelas “mulheres de rego duro” do PT, valentes, aconselhadas a montar esquema criminoso contra um procurador de Rondônia, implicado em supostos maus tratos à sua esposa.

Diante de tamanha estupidez e incivilidade é que o ministro Celso de Mello, decano do STF, prega em Lula um sermão definitivo. Em síntese, disse o ministro: “Conhecida figura política ofendeu gravemente a dignidade institucional do Poder Judiciário. Esse insulto traduz, no presente contexto da profunda crise moral que envolve os altos escalões da República, reação torpe e indigna, típica de mentes autocráticas e arrogantes que não conseguem esconder, até mesmo em razão do primarismo de seu gesto leviano e irresponsável, o temor pela prevalência do império da lei e o recei o pela atuação firme, justa, impessoal e isenta de juízes livres e independentes”. E acrescenta: “Cumpre não desconhecer que o dogma da isonomia a todos iguala, governantes e governados, indicando que ninguém, absolutamente ninguém, está acima da autoridade das leis e da Constituição, a significar que condutas criminosas perpetradas à sombra do poder jamais serão toleradas e os agentes que as houverem praticado, posicionados, ou não, nas culminâncias da hierarquia governamental, serão punidos por seu juiz natural, na exata medida e na justa extensão de sua responsabilidade criminal”.

Em desespero, já antevendo irremediável condenação pelo Supremo, o ex-metalúrgico, em carta aberta, procura justificar o injustificável, com expressões maquiadas, escorregadias e inconvincentes. Ainda assim, com a empáfia de sempre, não pede desculpas pelo tratamento indecoroso e colérico que dispensou ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Brasil.

É o velho Lula. Ele mesmo, que lá atrás, talvez prevendo o futuro, dizia que “no Brasil quando um pobre rouba, vai para a cadeia; mas quando um rico rouba, vira ministro”.(Paulo Figueiredo – Advogado, Escritor e Comentarista Político – paulofigueiredo@uol.com.br)

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