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Lula e Dilma, no olho do furacão (Por Paulo Figueiredo)

Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Redação
Escrito por Redação

Lula finalmente entrou no olho do furacão da Lava-Jato, sob acusação de ser o grande artífice do Petrolão, formulada pelo ex-deputado Pedro Corrêa. Era ele quem dava as cartas, nomeava os diretores da Petrobras, pintava e bordava, segundo Corrêa. Também teria “armado”, após sair da presidência, a criação da empresa Sete Brasil, destinada à construção de navios-sonda para exploração do pré-sal, com vultosos contratos com a estatal, numa jogada com Sérgio Gabrielli, então presidente da empresa.
Bem, já não era sem tempo. Lula conseguiu escapar do Mensalão, apenas e tão somente porque não investigaram a fundo os pagamentos feitos a Duda Mendonça em contas no exterior, de acordo com Renan Calheiros. O marqueteiro confessou o crime e deteve a apuração dos fatos ilícitos. Convém lembrar que Duda dirigiu a eleição de Lula em 2002 e ambos festejaram a vitória com Romanée Conti, ao preço de alguns milhares de dólares. Processado, foi absolvido, após o pagamento de pesadas multas à Receita Federal. Naquela época não havia o instituto da colaboração premiada, que vem permitindo a apuração segura de muitos crimes praticados contra o erário, com a condenação dos delinquentes.

José Dirceu, expoente do lulopetismo, foi condenado no caso do Mensalão como chefe da organização criminosa, com base na teoria do domínio do fato. Foi considerado o grande regente das ilicitudes, o arquiteto dos planos de cooptação e compra de voto dos parlamentares no Congresso, o grande ator, com marcada atuação nos bastidores, sem o qual as ações ilícitas não se efetivariam. Lula, na ocasião, permanecia como sujeito oculto em todas as operações, insistindo em dizer-se traído, frisando que jamais viu ou soube de nada, embora advertido sobre os feitos pelo então deputado Roberto Jefferson, autor das denúncias do Mensalão.

Agora, enredado nas malhas do Petrolão, Dirceu amarga pena de mais de 20 anos de prisão. Na sentença condenatória, o juiz Moro observa que não vê o ex-chefe da Casa Civil de Lula e fundador do PT como o chefe da quadrilha. Talvez queira indicar que o lugar de “capo de tutti capi” ficaria reservado a outro personagem, bem mais importante na sucessão de escândalos.

Dirceu mantém-se em silêncio e suporta o peso da condenação por um rol de crimes que não cometeu sozinho. Até quando, com Lula livre, leve e solto, ninguém sabe? De qualquer sorte, pelo teor explosivo e convincente das declarações do ex-deputado Pedro Corrêa, Lula é trazido ao núcleo dos esquemas de assalto do Petrolão.

Com riqueza de detalhes, Corrêa reproduz diálogo ocorrido lá atrás entre Lula, presidente da República, e o então presidente da Petrobras, Luiz Eduardo Dutra, a respeito do impasse na nomeação de Paulo Roberto Costa  para a diretoria da empresa. Segundo a revista Veja, enquanto Lula insistia com o nome de Costa, Dutra observava que não era tradição na empresa substituir diretores sem maiores justificativas. Em resposta, diz Lula: “Olha Dutra, se fôssemos pensar em tradição na Petrobras, nem você era presidente, nem eu era presidente da República”. Na sequência, ameaça demitir os conselheiros da estatal que resistiam à designação de Costa, o Paulinho, como era chamado na intimidade por Lula. Assim, removeu os óbices na nomeação do primeiro e principal delator da Lava-Jato.

Agora, quebrado o sigilo dos depoimentos de Nestor Cerveró, sabe-se que Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da Petrobras, teve conhecimento pleno de todos os detalhes da compra da Refinaria de Pasadena, que causou prejuízos de bilhões de reais à estatal. De igual modo, Cerveró admite que a presidente afastada tinha ciência do esquema de pagamento de propinas ao PT e aos petistas. Noticia o mesmo informante que Dilma tinha uma sala especial na empresa e frequentava com assiduidade a sede da companhia no Rio de Janeiro. Como se não bastasse, revela-se que as despesas pessoais de Dilma e até as viagens a Brasília de seu cabeleireiro, Celso Kamura, foram pagas com dinheiro da corrupção na petrolífera. Já o lobista mineiro Benedito Oliveira Neto diz que Giles Azevedo, homem de confiança de Dilma, usou recursos de um contrato da Secretaria de Comunicação da Presidência, no valor de mais de 44 milhões de reais, para pagamento de dívidas de campanha da presidente junto à agência Pepper. Uma sucessão interminável de escândalos no novelo da corrupção lulopetista.

Como seu criador, para sempre ausente ou distante dos fatos, Dilma adora mentir. Há dois exemplos expressivos e recentes. Quando Waldir Maranhão anulou o processo de impeachment, a própria declarou que estava tomando conhecimento da decisão do presidente da Câmara naquele exato momento, uma manhã de segunda-feira, em solenidade no Palácio do Planalto. No entanto, ela já sabia do ato praticado por Maranhão desde domingo, quando o deputado esteve reunido com seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Dilma afirmou que jamais esteve com Marcelo Odebrecht no Palácio da Alvorada, quando, na verdade, o recebeu em várias oportunidades, inclusive em jantar no Alvorada, como ficou registrado em sua agenda presidencial.

Criador e criatura, indissolúveis e sob a mesma senda, não têm como escapar. Lula, informado de tudo o que aprontou, já admite ser preso, como teria confidenciado a Renan Calheiros, seu velho aliado, outro que está com o pescoço próximo do cutelo.(Paulo Figueiredo – Advogado, Escritor e Comentarista Político – paulofigueiredo@uol.com.br)

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