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Madeira, rico potencial inexplorado(Por Osíris Silva)

Economista Osíris Silva (AM)
L. Rougles
Escrito por L. Rougles
Economista Osíris Silva (AM)

                                                          Economista Osíris Silva (AM)

Na quinta-feira (18), o presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva, presidiu mais uma reunião de diretoria da qual participou, como convidado, o pesquisador Niro Higuchi, do INPA, coordenador de projetos sobre Manejo Florestal e Dinâmica de Carbono do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Madeiras da Amazônia.
Perante extensa plateia de empresários, procedeu a criteriosa exposição sobre a realidade do mercado de madeiras no Brasil e, em especial, na Amazônia. Na ocasião fez grave alerta segundo a qual “em menos de dez anos, o mercado internacional de madeira tropical entrará em colapso; os dois principais fornecedores (Malásia e Indonésia) desaparecerão; e, o Brasil, com sua Amazônia quase intacta, não tem tecnologia para substituí-los”. Mesmo considerando que as reservas da região estejam cubadas entre 2,3 a 3,5 bilhões de metros cúbicos, o que daria para abastecer o mundo, adotando manejo florestal sustentável, por alguns séculos, segundo Higuchi.

Por outro lado, salientou o pesquisador: ”com base no IDH de 2012, de 176 países, dos produtores de madeira tropical, o melhor rankeado é a Malásia, que ocupa o 59º lugar; o Brasil é o 81º. Considerando a situação atual do mercado internacional de madeira tropical, este produto poderia ser considerado como oportunidade para a Amazônia. Poderia, mas não mantendo o preço atual da madeira em pé e a falta de controle de acesso. Hoje, menos de 20% da madeira comercializada na Amazônia tem origem de planos de Manejo Florestal Sustentado (MFS), aprovados pelo Ibama (ou órgão estadual). Acrescente-se a isto “a falta de cultura florestal em países tropicais e a falta de conhecimento. Diante das condições atuais, a pressão do mercado sobre a madeira da Amazônia é uma ameaça. A razão assimétrica entre o conhecimento acumulado e a idade das árvores que são exploradas na região ainda não é suficiente para prescrever tratamentos que garantam a sustentabilidade do manejo”.

Contudo, ao que reconhece Niro Higuchi, 2015 foi difícil e este ano deve ser “pior” para a pesquisa. Segundo ele, as principais fontes de financiamento estão sem dinheiro e por isso vê com certa dificuldade angariar novos recursos para o LBA. “Vamos tentar buscar recursos nas fontes de fomentos no Estado e em nível federal com o CNPq, Capes e Finep, mas infelizmente todas essas fontes estão passando por dificuldades”, diz o pesquisador, ressaltando a existência de outras fontes como o Fundo Clima e o Fundo Amazônia. Além desses, Higuchi considera que, fora do Brasil, os recursos podem vir do Departamento de Energia dos Estados Unidos, que financiará o projeto Experimentos da próxima Geração sobre Ecossistemas Tropicais (NGEE-Tropics, na sigla em inglês), e da Comunidade Europeia que tem projetos envolvidos com o LBA. Para o pesquisador, o LBA é o maior projeto que focou num entendimento dessa relação entre a biosfera e atmosfera.

O encontro da FIEAM com o pesquisador Niro Higuchi foi de larga importância. Por isso, acredita-se que a questão possa vir a interessar, em futuro imediato, ao empresariado do Polo Industrial de Manaus (PIM). O setor pode ter na madeira extraordinário potencial para expansão de seus negócios na região. Há que se levar em conta tratar-se a fauna madeireira de um recurso de elevador poder estratégico. Além da madeira em si, fornece resina, celulose, cortiça, frutos; é abrigo de caça, protege o solo da erosão, acumula substâncias orgânicas, favorece a piscicultura, cria postos de trabalho, fornece materiais para exportação, melhora a qualidade de vida.

Diante de tal cenário não há o que fazer a não ser o governo adotar políticas públicas adequadas que permitam conciliar exploração racional, preservação sustentável do patrimônio ambiental e  desenvolvimento econômico. Seja no campo madeireiro como no agrícola, no agropecuário ou no agroindustrial. FIEAM e FAEA podem juntar-se e impulsionar ações nessa direção. O momento é agora.(Osíris Silva é Economista, Consultor de Empresas e Escritor)

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