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Mexer nos transportes urbanos de Iranduba é “enfiar a mão em Casa de Caba”

Redação
Escrito por Redação

Pode parecer uma coisa sem importância, mas ao mexer no assunto transportes coletivos do município de Iranduba, situado na Região Metropolitana de Manaus, um assessor parlamentar se viu pressionado, simplesmente, pelo fato de ter dado uma sugestão que viria melhorar o atendimento à usuário do sistema naquela cidade.

Ele escreveu em sua fanpage e confidenciou a vereadores de Iranduba, que o melhor seria a prefeitura fazer um decreto que obrigasse as linhas de ônibus, que transportam centenas de passageiros até Manaus, chegassem com seus ônibus até o Centro de Manaus, na região da Igreja da Matriz. Foi o mesmo que mexer em casa de marimbondo (Caba).

Os transportes coletivos de Iranduba são caros, lentos, mal cheirosos e aparentemente sem solução imediata. A própria prefeita do município, Maria Madalena de Jesus (PSDB), vê o sistema como o mais caro da Região Metropolitana de Manaus, porque os reajustes estão vinculados aos percentuais estabelecidos na capital e não prevê a redução dos valores das tarifas, a curto prazo.

Mas não é só o seu alto custo, que está assustando quem “ousa dar um pitaco”, na exploração não muito bem explicada dos transportes do município. Por trás das empresas de ônibus coletivos, existe um verdadeiro conglomerado de interesses particulares e empresariais.

Como em uma ação combinada, os ônibus deixam os passageiros na “cabeça da Ponte do Rio Negro”, a R$ 4,00 a cabeça e, de lá eles terão que embarcar em outro ônibus pagando mais R$ 3,00 ou, subir em um Mototáxis. Centenas deles ficam à espera dos apressados passageiro, que se obrigam pagar de R$ 5,00 a R$ 20,00, dependendo do local que se destinam.

Motototaxistas dividem parte do bolo retirado do bolso dos usuários.

Motototaxistas dividem parte do bolo retirado do bolso dos usuários.

Mas, antes da Ponte, também existem os táxis lotação, que saem direto do município e vão até à Rua Itamaracá, no Centro de Manaus, cobrando R$ 15,00 por pessoa. Do outro lado do rio, como já é de conhecimento de todos, tem as lanchas voadeiras, que saem da vila do Cacau Pireira e aportam no Roadway (Porto de Manaus), também no Centro, ao custo R$ 5,00. É um verdadeiro “caça níquel” maquiado de serviço essencial à população do município.

Voadeiras a R$ 5,00 por pessoa até o porto no Centro de Manaus.

Voadeiras a R$ 5,00 por pessoa até o porto no Centro de Manaus.

A ideia revolucionária do assessor, que não previu estar mexendo nos interesses dos supostos empresários, acaba com todo esse comércio paralelo em Iranduba, mas ele não agradou a terceiros e, muito menos, aos que exploram o comércio de “carga humana” feiro pelos transportes coletivos urbanos, aquáticos e terrestres, autorizados e avulsos.

Para que melhorar? Levar o passageiro até o seu destino final (o centro da cidade de Manaus), se o transporte fracionado é mais lucrativo? Lucrativo e burro, porque deixa de levar centenas de turistas para um município que tem todas as atrações e potencialidades naturais, que vai do Rio Preto da Eva ao município de Presidente Figueiredo. Ganham os exploradores, perde os cofres do município, o comércio e os prestadores de serviços da cidade.

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