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Morre, aos 93 anos, Shimon Peres Prêmio Nobel da Paz 1994

Shimon Peres, Nobel da Paz em 1994/Foto: EFE
Redação
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Shimon Peres, Nobel da Paz em 1994/Foto: EFE

                                   Shimon Peres, Nobel da Paz em 1994/Foto: EFE

Morreu na madrugada de hoje, quarta-feira (28), aos 93 anos, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro Shimon Peres, uma das figuras políticas mais importantes da história de Israel, vencedor do Nobel da Paz de 1994, por seus esforços para a resolução do conflito com os palestinos.
O estado de saúde de Peres se deteriorou seriamente no início do mês, quando foi vítima de um derrame no dia 13 de setembro. Ele estava internado num hospital em Tel Aviv havia duas semanas, e sua situação era acompanhada com apreensão em Israel.

Peres foi um dos membros fundadores do Estado de Israel em 1948 e um homem que dedicou sua vida à política, tendo chefiado quase todos os ministérios-chave em seu país, da Defesa às Finanças, passando pelas Relações Exteriores.

Ele ocupou cargos públicos em 12 ocasiões, durante as mais de seis décadas em que esteve ativo na política israelense. Por três vezes assumiu o posto de primeiro-ministro – uma vez de forma interina – mas foi como presidente que atingiu o auge de sua popularidade.

Sua maior marca como político: nunca ter deixado de acreditar que poderia haver uma solução pacífica para o conflito com os palestinos – o que lhe rendeu um Nobel da Paz. Sua forma de encarar o tema, porém, também foi alvo de críticas. Muitas vezes ele foi chamado de o “pai das armas nucleares de Israel”.

No espaço de tempo entre a chegada com seus pais aos territórios palestinos, em 1934, e sua morte, a carreira de Peres foi motivo de debate: sem ele, não teria havido alguns assentamentos na Cisjordânia ou o reator nuclear de Dimona.

Shimon Peres, nascido Szymon Perski, deveria ter sido agricultor, segundo o desejo de seus pais. Ele nasceu em Wiszniewo, um vilarejo judaico no que era então território polonês (hoje Belarus). Quando seus pais deixaram a cidade rumo à Palestina, eles enviaram o filho de 11 anos para a escola agrícola Ben Shemen, no nordeste de Israel.

“Eu sempre tive a sensação de ter crescido em Israel”, disse uma vez Peres sobre a sua infância. Quando adolescente, ele estava mais interessado em política e religião e se tornou um membro do atual Partido Trabalhista – sempre perseguiu o sonho de um Estado democrático, mas também judaico.

Shimon Peres foi um presidente moderno; um homem que olhava para o Ocidente e que queria desenvolver o Estado judaico. Ele era o último representante da geração que fundou o Estado de Israel contra todos os obstáculos. E exerceu seus cargos com dignidade e sabedoria, perseguindo uma visão de um novo Oriente Médio.

Carreira política precoce

David Ben-Gurion, primeiro chefe de governo de Israel, confiava em Peres e o enviou para comprar armas no exterior durante a guerra entre árabes e israelenses em 1948. Essa era uma tarefa estratégica que não se podia esperar, necessariamente, que um jovem de 25 anos viesse a cumprir. Outros de sua geração o criticaram por não ter lutado na linha de frente por um longo tempo.

Em 1956, ele ajudou a planejar a Guerra de Suez, na qual Israel invadiu o Egito, seguido pela França e pelo Reino Unido. Em acordo secreto no início de 1957, o então primeiro-ministro francês, Guy Mollet, prometeu a Peres a expertise para um grande reator no deserto de Neguev, perto da cidade de Dimona. Peres jamais teve a permissão para falar sobre isso em público.

Em 1970, Peres se tornou ministro dos Transportes e Comunicações e, quatro anos mais tarde, foi nomeado ministro da Defesa no governo de Yitzhak Rabin. Ao renunciar, Rabin passou seu posto a Peres, que serviu então como primeiro-ministro por vários meses até que fossem realizadas novas eleições. Ele também levou seu partido à derrota em três eleições gerais (1981, 1988 e 1996).

Foi Peres que aprovou a construção do primeiro assentamento – Kedumim – na Cisjordânia. Entre 1977 e 1992, ele foi presidente do Partido Trabalhista de Israel, mas nunca levou a legenda a ganhar uma eleição geral. Pelo contrário: sua candidatura em 1977 provocou o fim de muitos anos de hegemonia trabalhista.

O posto de chefe de governo foi então para o Likud. Depois de novas eleições, Peres se tornou primeiro-ministro (1984-1986) por meio de acordo de rotação num governo de unidade. Por três vezes, ele foi ministro do Exterior, entre 1986 e 2002.

Em 2000, concorreu para um mandato de sete anos como presidente de Israel, mas foi derrotado. No final, Peres conseguiu retornar, ficando na Presidência entre 2007 e 2014. Aqueles que haviam anunciado sua morte política estavam errados.

Nobel e pacifismo

Shimon Peres foi um duro crítico da invasão israelense no Líbano em 1982 e apoiou fortemente o ponto de vista de que a questão palestina só poderia ser resolvida de forma política, não militar.

Na década de 1990, ele voltou cada vez mais sua atenção para o processo de paz, apesar de o papel que desempenhou anteriormente na aquisição do reator nuclear por parte de Israel e na política de assentamentos não ter sido esquecido.

Repetidamente, ele apelou tanto a israelenses quanto a palestinos para se juntarem ao processo de paz. “Nem foguetes nem bombas podem nos impedir de trazer a paz para o Oriente Médio”, era o seu credo.

Ele foi o arquiteto do Acordo de Paz de Oslo, assinado com os palestinos em 1992, e recebeu o Prêmio Nobel da Paz junto a Yitzhak Rabin e Yasser Arafat. Quando Rabin foi assassinado em 1995, Peres assumiu interinamente, por pouco tempo, o cargo de primeiro-ministro.

Depois de perder a eleição, em 1996, ele fundou o Centro Peres para a Paz, num esforço de buscar a distensão entre Israel e seus vizinhos árabes. Aos 84 anos, ele desistiu da política partidária e concorreu para presidente. Os céticos estavam preocupados com a sua idade, mas Peres queria ser chefe de Estado.

O resultado, no entanto, foi uma surpresa: Moshe Katzav, um novato político, derrotou Peres e se tornou presidente em 2000. Posteriormente, a mídia israelense passou a afirmar que Peres sempre parecia estar à frente nas pesquisas de opinião, mas nunca ganhava uma eleição.

Quando Katzav foi forçado a renunciar, em 2007, na sequência de acusações de estupro e assédio sexual, o caminho para a presidência estava finalmente aberto a Peres. Ele continuou no cargo até 2014, já com 90 anos de idade.

“Eu já exerci quase todos os cargos eletivos. Eu sofri reveses. Mas eu também alcancei objetivos e espero que esses tenham contribuído para a nação, para a sua paz e segurança”, declarou certa vez.(Terra/DW)

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