Colunas Luiz Gonzaga Lauschner

MST um movimento fracassado

Luiz Lauschner Escritor e empresário
Redação
Escrito por Redação

É muito natural que a sociedade se organize, ainda mais quando outros poderes falham. Os exemplos mais típicos são da Máfia Siciliana que surgiu para dar proteção aos desprotegidos e deu no que deu. Da mesma forma, uma política de reforma agrária que nunca foi implantada fez surgir o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, o famigerado MST. Contudo, mesmo onde o governo está presente, a sociedade não pode deixar de se organizar. O chamado terceiro setor, que une pessoas de mesmo interesse, deve trabalhar em estrita colaboração com os governos, mas jamais substituí-los. As associações mais poderosas têm condições de pressionar os três pilares do governo, as mais fracas, quase nunca têm sucesso.

O MST surgiu na década de 1980 para preencher lacunas deixadas pelo governo. Com uma proposta bastante agressiva, conseguiu áreas de terra doadas pela União e os deu aos seus liderados. Na maioria dos assentamentos, os ocupantes não se demoraram. Quando acabou a ajuda inicial recebida do governo, os assentados venderam suas terras e voltaram a engrossar as fileiras do movimento. Esse mesmo movimento insiste em que os seus membros têm direito à terras improdutivas, mas poucos são os que realmente sabem e querem cultivar a terra. Em outras palavras: a maioria não sabe ou não quer trabalhar. Cultivar a terra exige conhecimento, vontade de trabalhar e muita paciência para aguardar os frutos.

Mais de trinta anos se passaram e os líderes do movimento são os mesmos. Pior do que isso somente a constatação que os liderados também o são. Quando não, são os familiares destes. No entender do MST os “fracassados” são os que conseguiram terras em assentamentos, mais tarde compraram daqueles que as abandonaram e formaram boas áreas produtivas. Contudo, se uma organização atravessa décadas sem alternar o comando, alguma coisa está muito errada. Aliás, o fato do MST ainda existir é uma constatação de seu fracasso.

A organização em cooperativas de produção é muito louvável. A cooperativa tem a extraordinária capacidade de minimizar o poder das multinacionais bem como neutralizar o poder demagógico de um governo paternalista. Contudo, isso não coincide com os objetivos do MST que é político ideológico. Não quer melhorar o país, quer tomar o governo e acabar com o capitalismo. O comunismo do MST é o mesmo que afundou a Rússia, Cuba e está acabando com a Venezuela. Nunca houve país que trouxesse benefícios ao povo combatendo o capitalismo. A essência do capitalismo é a livre iniciativa e criatividade inerentes no ser humano. Dominar isso é estagnar.

Todos os programas sociais tendem a diminuir e, em alguns casos, desaparecer. O assistencialismo não pode ser permanente. Deve se ensinar as pessoas a serem empreendedoras e capitalistas e não a odiá-lo. O mundo está aí para corroborar isso. O sistema capitalista deve existir num país, mas não pode substituir o governo. Pode também existir o comunismo, como forma de produção, mas jamais como forma de governo.

Os primeiros agricultores que vieram da Europa a partir de 1824 também receberam incentivos do governo brasileiro. O governo imperial pagava a passagem de navio e dava terras a esses agricultores que se estabeleceram no sul do Brasil. Receberam cerca de vinte hectares de terra por família. As famílias eram muito numerosas, às vezes com mais de dez filhos. Entre estes agricultores estavam os antepassados do João Pedro Stedile. Contudo, estes imigrantes não receberam outros incentivos, nem continuaram recebendo nada mais tarde. A região em que os parentes do Stedile ajudaram a cultivar, hoje é uma das mais ricas do Brasil.

O MST é um movimento fracassado porque é um reino de um homem só. Embora tenha a petulância em falar em democracia, seu líder esmaga qualquer líder que possa surgir e ameaçar sua hegemonia. É um tirano de aldeia que sonha em tomar o poder central. Não tem o estofo dos grandes líderes e traiu os ideais de seus antepassados.

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