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Muhammad Ali, a lenda do boxe mundial, morre aos 74 anos

Ali, uma lenda do boxe mundial/Foto: Reprodução
Redação
Escrito por Redação

O tricampeão mundial e campeão olímpico de boxe Muhammad Ali morreu na noite de ontem, sexta-feira (03) em Phoenix, nos Estados Unidos, informação confirmada por um porta-voz da família, Bob Gunnell, e compartilhada nas páginas oficiais de Ali. O corpo será enterrado em Lousville, cidade natal de Ali, e numa uma entrevista coletiva neste sábado serão informados os procedimentos do funeral.
O ex-boxeador de 74 anos estava internado desde a quinta-feira em decorrência de problemas respiratórios. Foi a última de diversas internações pelas quais passou o norte-americano nos últimos anos por problemas como pneumonia e infecção urinária. Há mais de três décadas ele sofria de mal de Parkinson, e suas aparições públicas estavam cada vez mais raras.

Medalhista de ouro nos Jogos de Roma-1960, em sua única participação olímpica, Ali logo tornou-se pugilista profissional. O primeiro de seus três títulos internacionais foi conquistado em 1964. Ele terminou a carreira com 56 vitórias, 37 delas por nocaute, após 61 lutas.
Lenda do boxe

Como pugilista, o americano teve suas lutas mais famosas chamadas de “Rumble in the Jungle” – contra George Foreman em Kinshasa, capital do Zaire (hoje chamado de República Democrática do Congo), em outubro de 1974 – e “Thrilla in Manila” ante Joe Frazier, nas Filipinas. Ambas foram realizadas depois do auge físico do boxeador, que nem sempre teve esse nome.

Nasceu Cassius Marcellus Clay Jr. em Louisville, cidade do estado americano de Kentucky, em 17 de janeiro de 1942 e teve uma carreira amadora de sucesso, coroada com uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma em 1960, na categoria dos meio-pesados.

Foi após a Olimpíada que Clay se profissionalizou e teve rápida ascensão entre os pesados. Em apenas três anos, realizou 19 lutas e venceu 15 delas por nocaute.  Seu primeiro cinturão veio no combate seguinte, contra Sonny Liston, por nocaute técnico. A luta ocorreu em fevereiro de 1964.

Na revanche, em maio de 1965, não havia mais Cassius Clay, mas Muhammad Ali. O pugilista recebeu seu nome muçulmano após integrar o grupo religioso chamado Nação do Islã, do qual fazia parte Malcom X, ativista que é creditado como seu mentor político.

O sucesso profissional continuou enquanto suas polêmicas fora dos ringues cresciam. Em oposição à Guerra do Vietnã, se recusou a integrar o exército dos Estados Unidos, foi sentenciado à prisão por cinco anos e suspenso do boxe por três anos pelo estado de Nova York em 1967.

Ali não chegou a ser detido, pois pagou fiança e aproveitou o tempo afastado do esporte para viajar pelo país criticando a guerra e lutando contra o racismo em palestras e em universidades diversas.

Liberado para lutar em 1970, Muhammad Ali sofreu sua primeira derrota como profissional no 32ª confronto da carreira, o primeiro contra o também invicto Joe Frazier. O evento ficou conhecido como “A luta do século” e definido por decisão unânime a favor de Frazier, que encarou Ali em outras duas ocasiões, perdendo ambas.

Os títulos mundiais, revogados após a suspensão, só foram recuperados por Ali no “Rumble in the Jungle” e mantidos até setembro de 1977, quando ele foi derrotado por Leon Spinks por decisão dividida. Ali ainda conseguiu reaver seus cinturões em revanche com Spinks em setembro de 1978. Uma aposentadoria temporária foi anunciada, porém interrompida para mais duas lutas, duas derrotas que encerraram a carreira do pugilista com um cartel de 56 vitórias e cinco derrotas (somente uma por nocaute).
Além do boxe

A figura de Muhammad Ali excedeu os limites do boxe. Mesmo durante sua carreira, Ali se arriscou em outras praias, como o vale-tudo. Ainda em atividade, o pugilista negociou e participou de uma luta com Antonio Inoki, japonês radicado no Brasil, que quase lhe custou uma perna apesar do empate.

Repleto de regras, o combate acabou sendo chato, com um Ali tímido que pouco atacou um adversário. Inoki basicamente só repetiu um golpe dos que eram autorizados – chutes com um joelho no chão – e causou ferimentos sérios nas pernas do boxeador, que teve dois coágulos detectados após a disputa e passou duas semanas internado em recuperação.

Os anos tomando socos não foram gentis com Ali, que já sofria com tremores das mãos e dificuldade na fala pouco antes da sua aposentadoria. Sinais de que o Mal Parkinson diagnosticado anos depois tinha se manifestado anteriormente. A doença foi debilitando-o gradualmente, mas até o início dos anos 2000 o ex-pugilista era visto com certa regularidade em aparições públicas.

A mais significativa foi nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. Em segredo, a organização elegeu-o para acender a pira olímpica, mantendo-o fora até do último ensaio da cerimônia de abertura. Para a surpresa e emoção dos milhares presentes Estádio Olímpico de Atlanta, fora quem acompanhava pela televisão, Ali apareceu com a tocha em mãos, recebeu a chama e, com tremores agudos nas mãos, ergueu-a e usou-a para concluir o evento.

Atlanta não foi a última Olimpíada em que o ex-atleta deu as graças. Em Londres-2012, muito mais frágil fisicamente, Ali participou novamente da abertura como parte de um grupo de dignitários que acompanharam a bandeira olímpica ao palco da cerimônia. Ele estava acompanhado de sua quarta esposa, Lonnie, com quem se casou em 1986 e teve um filho adotivo. O ex-boxeador também teve quatro filhos com sua segunda esposa, Khalilah, duas filhas com a terceira, Veronica, e outras duas de relacionamentos extraconjugais.(UOL)

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