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Mulher não chora!(Por Paulo Figueiredo)

Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Redação
Escrito por Redação

Na votação do impeachment na Câmara Federal, o que mais me chamou atenção foi a reação de Lula e Dilma a cada voto dos deputados e diante da derrota final do governo. Enquanto Lula corria para chorar no banheiro da biblioteca do Alvorada, decepcionado com a traição de Tiririca, Alfredo Nascimento e tantos outros, Dilma mantinha-se impassível, como se nada pudesse afetá-la, alheia aos acontecimentos, ainda que pregada na tela da televisão.
Não me surpreendeu nem um pouco o comportamento da presidente. Faz tempo que tudo pega fogo à sua volta e ela não está nem aí, permanece alienada, na solidão de seus palácios em Brasília. Nada lhe dói, nada lhe causa sequer ligeira comichão, ao revelar-se indiferente ao caos econômico em que mergulhou o país, com mais de 10 milhões de trabalhadores desempregados e na penúria.

Ela, que acusou Michel Temer de vender terrenos na lua, é quem vive no mundo da lua. Passa ao largo da crise e insiste em negar sua responsabilidade pessoal sobre a derrocada da economia. Talvez entenda que vivemos às mil maravilhas, no universo da irrealidade, e certamente deve acreditar em suas ilusões. Inteiramente convencida de suas próprias quimeras, com procedimentos que somente a psiquiatria pode explicar, fica também repetindo a insuportável ladainha do golpe.

Na reunião da Organização das Nações Unidas – ONU, ontem, quando da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, ainda bem que Dilma teve um ligeiro surto de bom senso, embora inesperado, porquanto raro, ao deixar de repetir o mantra do golpe. Também não posou de injustiçada e coitadinha, como vem fazendo a partir do bunker que montou no salão nobre do Palácio do Planalto, com o concurso de plateias amestradas. De qualquer sorte, com um discurso breve  e lido, poupou-nos e à comunidade internacional de mais um vexame, no tartamudeio de ideias confusas e inintelig íveis, que somos aqui obrigados a suportar em seus frequentes improvisos oficiais.

De volta ao Brasil, onde deixou Temer na cadeira presidencial, fato que atesta com forte evidência a regularidade institucional que caracteriza o regime democrático no país, deveria seguir o exemplo de Lula. Não que vá desmanchar-se em lágrimas, como tem feito o ex-metalúrgico, certo de que o impedimento de Dilma é inexorável, mas que se conforme de uma vez por todas com a vontade da população brasileira, que a quer para sempre fora e distante dos comandos da Nação.

A presidente hoje é a expressão do fracasso e carrega a marca profunda da incompetência irremediável. Ao perseverar nas proposições ideológicas atrasadas de seu partido e em suas próprias convicções de raiz, arrastou o país para o descrédito internacional, numa situação que só encontra algum paralelo com crise de 30 do século passado, que culminou com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. Na chefia de um Estado aparelhado, que exala mau cheiro por todos os poros da administração pública, sob suspeita de corrupção generalizada, agarra-s e como náufrago perdido na tempestade, sem uma única tábua de salvação. Sem alternativas e aliada ao seu criador e curador, Lula da Silva, instrumentalizados os ditos movimentos sociais, ambos ameaçam incendiar o Brasil, como já o fazem com a interdição de rodovias federais importantes e o cerco à casa do vice-presidente da República em São Paulo.

GOLPE DE DILMA – Segundo informações de fontes seguras, Dilma, que tanto acusa adversários de golpistas, tentou o golpe um pouco lá atrás, no final de março do ano em curso. Na ocasião, ensaiou a decretação do Estado de Defesa, com a aquiescência das Forças Armadas, numa orquestração sob a regência do ministro da pasta respectiva, com todas as suas consequências e pesadas excepcionalidades constitucionais. No entanto, num gesto de elevada afirmação patriótica, o projeto foi prontamente repelido e abortado pelo dirigente maior do Exército, general Villas B&oci rc;as, ancorado em decisão que teve igual apoio dos comandantes das quatro regiões militares do país.

Assim, salvou-se a democracia contra a violência golpista e subversiva do lulopetismo, concretamente ameaçada por quem atualmente se arvora como arauto do regime de liberdades. Somente assim chegou-se finalmente à votação do impeachment da presidente faltosa, em clima de segurança e com todas as garantias previstas na Constituição, uma decisão largamente majoritária que certamente será em breve ratificada pelo Senado Federal.

Como mulher não chora, segundo a esquisita cartilha de Dilma, não sei realmente o que lhe restará, ao fim e ao cabo.(Paulo Figueiredo – Advogado, Escritor e Comentarista Político – paulofigueiredo@uol.com.br)

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