Colunas Luiz Gonzaga Lauschner

Os políticos são de uma raça diferente?

Luiz Lauschner Escritor e empresário
Redação
Escrito por Redação

As eleições municipais se aproximam e vamos ver novamente os candidatos se acusando e prometendo um mundo melhor. Vamos assistir também os adversários de ontem de mãos dadas, assim como os aliados de ontem vociferando uns contra os outros. Já nos acostumamos a isso. Muitos não entendem como alguns políticos podem mudar tão drasticamente.

Oportunismos, corrupções e casuísmos à parte, este tipo de comportamento dos políticos não é totalmente nocivo. Às vezes é até necessário. O político representa, ou deveria representar a vontade popular, e o povo realmente muda de ideia. A negociação no rinque político não é para qualquer um. Até mesmo estes políticos, na vida particular, são muito menos pacientes que na vida pública. Isso por uma simples razão: a vida pública não lhes pertence. Pertence a quem o elegeu ou a nação que representam.

Uma análise das guerras revela que elas acontecem porque as negociações políticas falharam. Claro que há as invasões que não podem ser toleradas por quem as sofre. No geral são um misto de interesses econômicos e o desejo de ter poder para além das fronteiras. Porém, depois que elas terminam, se a boa política não for eficiente, a paz não consegue ser recuperada. Quando é não permanece por muito tempo.

Imaginemos a diplomacia no final da segunda grande guerra. Possivelmente países como França, Alemanha, Polônia, Inglaterra, Itália e outros envolvidos precisaram enviar missões diplomáticas uns aos outros. Imaginemos um diplomata sendo recebido assim: “Seu tio matou meu pai na guerra, como podemos ser amigos?” É provável que boa parte da população teria aplaudido se esses negociadores fossem recebidos à bala. Ainda bem que os diplomatas, que são os grandes políticos, nunca levaram questões pessoais em sua bagagem, senão não estaríamos comemorando mais de setenta anos de paz em grande parte do planeta.

Contudo, jamais podemos esquecer que os países tiveram de entregar aqueles que extrapolaram os limites da guerra “limpa”. Japoneses, italianos e principalmente alemães tiveram de enfrentar julgamentos internacionais e muitos foram condenados à morte. Difícil separar a matança da guerra dos crimes de guerra? Com certeza não é fácil. Também não é tão simples separar as negociações políticas legítimas, onde a moeda de troca são benefícios para o estado que cada um representa das negociatas que envolvem corrupção, manutenção do poder a qualquer custo. Mas, isso pode ser feito. Não se pode renunciar ao progresso e à democracia apenas porque alguns fazem da política uma coisa torpe. Da mesma forma que não se pode prescindir da paz apenas porque alguns lucram com a guerra.

Os políticos são diferentes, pero no mucho. Eles são extraídos do meio de nós. Os maus políticos, que se imiscuem no meio para apenas usufruírem de benefícios pessoais devem ser execrados pelo voto. Os que a usam para cometer crimes devem ser julgados por isso e condenados como traidores da pátria, como o foram os criminosos de guerra.

Neste ano, muitos políticos aliados vão criticar o governo federal porque a população o está condenando. Pode ser que haja sinceridade em alguns, mas há sempre uma grande dose de oportunismo, uma vez que o apoiavam enquanto a população estava a favor. A demagogia novamente será exercitada à exaustão. Descobrir o que há por trás da fala ensaiada dos candidatos é tarefa árdua. Eleição após eleição, os eleitores aprendem a distinguir o joio do trigo.

Políticos honestos existem? O povo espera que sim.

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