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PAI duas vezes (Por Flávio Lauria)

Professor Flávio Lauria (AM)
Professor Flávio Lauria (AM)
Redação
Escrito por Redação
Professor Flávio Lauria (AM)

                                                         Professor Flávio Lauria (AM)

Tentarei neste artigo, fazer uma homenagem aos pais pela celebração no próximo domingo de seu dia. Já disse em outras oportunidades que economizamos nossos sentimentos, seja consciente ou inconscientemente. Somos levados pela maré do comodismo nos relacionamentos e arrastados pela onda do corre-corre da vida contemporânea. Ficamos inertes em palavras e gestos com aqueles que amamos, incluindo ai, infelizmente, nossos próprios pais. Por vezes, permanecemos à espera, quiçá, do dia dos pais para dar um presente, nem sempre agregado a um cartão que expresse nossos sentimentos e muito menos junto a um “Eu te amo”.
Afora as derrapadas estéticas, hoje vou escrever sobre ser pai duas vezes. Certa vez encontrei o meu amigo Elcy Barroso, hoje enfermo mas se recuperando, a quem reverencio neste artigo e perguntei-lhe como estava passando. A resposta, dita com esperta ironia e após breve reticência, foi: “Vou indo… envelhecendo com a possível dignidade”. Ele já era avô, na época. Achei graça, porque eu era novo e não refletia a respeito dessas coisas. Aguns anos depois, contudo, vim a entender o Elcy.

Existem aqueles que envelhecem dignamente, e aí podemos incluir os solteiros, os ainda-não-avós, os tios e os comerciantes por atacado. Os avós, esses, não apenas perdem a dignidade, mas a honra, os amigos e, se não se cuidarem, o dinheiro e a roupa do corpo. Suas ocupações, antes tão solenes e regulares, embaralham-se por completo. As crianças, quando nascem, passam à imediata órbita dos pais, e aos avós são destinadas as sobras. É algo que diz respeito ao necessário e ao supérfluo.

Mas sejamos justos: o necessário, como o dormir por fragmentos, dar mamadeiras nas madrugadas, providenciar remédios a cada duas horas, fazer aviãozinho para colheradas de mingau, trocar fraldas, juntar chupetas do chão, lembrar-se das vacinas, isso é um direito sagrado e intocável dos pais. Assim foi estabelecido desde tempos remotos, e assim deve ser: não se contraria a lei natural da vida. Quanto aos avós, eles que se contentem com o supérfluo. Até hoje ninguém perguntou por que as crianças crescem tão velozmente: ontem nos olhavam com aquela carinha desconfiada, hoje já dão gargalhadinhas, logo mais estarão comendo xis com ovo e procurando pokemon. Sabem por que isso acontece de modo tão rápido? É para que os avós tenham tempo de vê-los passar por todas as idades.

Pensando bem, até que poderia ser menos rápida essa evolução, pois os avós teriam algumas décadas de felicidades a mais. E os netos não retribuem de caso pensado a tantos afagos e dedicações: porque isso de serem bonitos, simpáticos, gordinhos, risonhos, graciosos, inteligentes, fazedores de artes, etc., é apenas da sua natureza. Ser pai e ser avô, são coisas iguais e diferentes, um filho sabe que o amor do pai vem da riqueza de valores que passou, mas ser avô, além do néto saber desses valores, diz um eu te amo não somente com a boca, mas pelo coração e sem dúvidas pela alma. Viram só? Tentei escrever sobre os pais e acabei escrevendo sobre os pais dos pais. De qualquer forma, Feliz Dias dos Pais, mesmo para aqueles que ainda não experimentaram a sensação de ser pai duas vezes.(Flávio Lauria é Professor Universitário e Consultor de Empresas – lauriaferreira@hotmail.com)

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