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Parintins é destaque em Feira de Ciência e Tecnologia, em Recife (PE)

Alunos vencedores em Recife/Foto: Divulgação
Redação
Escrito por Redação

Já é quase uma regra. Quando um projeto do PCE da terra dos bumbas participa de algum evento, pode ter certeza de que não retornará com as mãos abanando. Foi assim em maio, quando o projeto “O uso de materiais recicláveis no ensino de geometria espacial”, coordenado pela professora Cristiana Tavares, participou da Feira Nacional Expo Milset Brasil em Fortaleza (CE), onde ganhou a credencial para uma feira internacional que será realizada no México em meados do ano que vem, e foi assim agora, com a participação do projeto “Educação Patrimonial através do estudo da história em memórias de Parintins” na Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (Fenecit), entre os dias 22 e 26 de setembro, que sob a coordenação da professora Jéssica Dayse Gomes, conquistou o troféu de Destaque da FENECIT 2015.
Ambos os projetos, foram desenvolvidos em 2014 no Centro de Educação de Tempo Integral Deputado Gláucio Gonçalves (Ceti/Parintins), que está se revelando uma verdadeira “fábrica” de novos cientistas parintinenses, e inspiração para outras escolas da rede pública de ensino, que ainda não possuem projetos do Programa Ciência na Escola (PCE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Do total de 39 projetos que o município possui, 11 estão no Ceti, segundo a professora Jéssica, foi a única instituição pública de ensino do Amazonas que participou do evento em Recife. “Para nós foi motivo de orgulho levar nosso projeto do PCE representando Parintins e o Amazonas, ainda mais pelo fato de sermos o único projeto do Estado proveniente de escola pública em meio a tantas instituições de ensino importantes vindas de outros lugares do Brasil”, comentou.

De acordo com a coordenadora do projeto, mesmo não havendo premiação financeira ou classificação para outro evento, o prêmio conquistado, na manhã do ultimo sábado(26), foi mais do que merecido e tem um significado muito especial. “O troféu representa o reconhecimento do nosso trabalho árduo, frente a um projeto científico/cultural, pois nossa cultura e folclore repercute lá fora e é realmente destaque em qualquer lugar que vá, só precisa ser bem trabalhada, cuidada e estudada” disse Jéssica. Já para o cientista junior José Otávio Lemos dos Santos Jr., o fato de participar da Fenecit já era um prêmio, mas com o troféu tudo ficou ainda melhor. “Viajar e participar de um evento desse nível é algo que nos traz muita experiência, aprendemos muito com os estudantes de outros estados e, o fato de receber troféu destaque, é muito gratificante porque era uma premiação que todos queriam e só nós conseguimos”, completou o jovem

Para Jucimara Gonçalves dos Santos, Coordenadora Técnica Científica do Pro-PCE, a participação no evento foi a oportunidade para divulgar as ações de alfabetização científica e tecnológica que o Programa realiza dentro do estado do Amazonas. “Assim como as outras classificações em eventos científicos de projetos do PCE, essa vitória mostra que, apesar de algumas limitações financeiras, a pesquisa científica avança no Estado. Isso se deve a um trabalho em equipe, desenvolvido juntamente com professores e estudantes. Não é só Parintins que ganha, mas sim todo o Amazonas, pois assim, pessoas de outros estados conhecem um pouco mais da nossa cultura e sabem que temos profissionais qualificados trabalhando a alfabetização científica dentro do âmbito escolar, com estudantes da educação básica. São esses jovens que no futuro serão disseminadores da ciência a nível nacional e internacional”, finaliza.

Recepção calorosa

A Fenecit é um evento que já acontece há 15 anos, reunindo os melhores projetos do Norte/Nordeste nas mais diversas áreas como: exatas, humanas, agrárias, biológicas, sem falar obviamente da parte científica e tecnológica. Durante o evento os participantes tiveram a oportunidade de expor seus trabalhos e resultados de pesquisas para os visitantes que lotaram o saguão da Universidade Mauricio de Nassau (Uninassau). Segundo Odinei Tosui Correia, outro cientistas junior do projeto, mais de 100 pessoas visitaram o estande que chamou muita atenção por causa da cultura parintinense. “Fomos muito bem recebidos e pelo fato de sermos do Amazonas, todos queriam se aproximar e saber um pouco mais. Foi uma ótima oportunidade de fazermos um ‘intercâmbio de informações’ mostrando que a cultura de Parintins não está restrita somente ao boi bumbá, mas tudo que é diferente sempre chama atenção e por isso muitos vinham querer fazer fotos com a gente e conhecer mais sobre o nosso projeto”, disse

Trajetória e motivação

Para chegar até Recife e participar de uma das feiras de ciência e tecnologia mais conceituadas do país, os parintinenses tiveram que enfrentar alguns desafios pelo caminho. Segundo Jéssica, tudo começou graças ao incentivo da professora Cristiana que a motivou a participar de eventos até mesmo fora do município, como aFeira de Ciências da Amazônia (FCA) que ocorreu em outubro do ano passado em Manaus. “A professora Cristiana com toda a sua experiência foi uma grande incentivadora e me motivou a inscrever meu projeto na FCA, pois a princípio só queria pesquisar uma problemática de Parintins que envolve a educação patrimonial. Nem esperava que através do nosso desempenho na FCA, onde ficamos em terceiro lugar, fôssemos nos classificar para participar da Fenecit este ano”, comentou a coordenadora.

De lá pra cá, quase um ano se passou, e mesmo com todos os obstáculos que apareceram, o projeto conseguiu seguir em frente e chegou até às terras nordestinas, onde mostrou mais uma vez que Parintins e o Amazonas, fazem ciência  de qualidade. De acordo com a professora, agora o céu é o limite. “Jamais imaginava que eu, como professora de história, um dia ia participar de um projeto científico. O PCE realmente me contagiou, já estou no meu segundo projeto e não quero parar tão cedo” disse Jéssica que passou de motivada para motivadora de outros colegas. “O recado que deixo aos outros coordenadores e cientistas junior do PCE, é que sempre busquem participar das feiras, procurem obter conhecimento e aprendizado além da sala de aula e não desistam mediante as dificuldades, pois todo esse saber adquirido vale muito a pena e proporciona momentos inesquecíveis” completou

A saga continua

Depois de trabalhar em 2014 com os patrimônios materiais de Parintins, como por exemplo: praças, igrejas, casas, escolas, em 2015 as atividades do projeto continuam na mesma linha de estudo, mudando somente um pouco o enfoque. “O objetivo do nosso projeto do ano passado era desenvolver a educação patrimonial com alunos do Ceti visando sensibiliza-los sobre o conceito de patrimônio material, aplicando no dia a dia com o intuito de preservar a cultura parintinense para as próximas gerações. Agora iremos fazer a mesma pesquisa, mas envolvendo o Patrimônio Imaterial, ou seja: crenças; brincadeiras; jogos; religiosidade e tradições; músicas e danças folclóricas, e tudo aquilo que tenha um sentimento de identidade”, explicou.

Com essa nova roupagem, o público alvo ganha um novo foco e uma nova metodologia também será aplicada. “Pretendemos inovar trabalhando oficinas mais dinâmicas em na sala de aula, com alunos do 6° ao 9° ano, esperamos que assim os participantes possam crescer conscientizados sobre esse tema que, apesar de estar fora do currículo, é muito importante para a formação da identidade do cidadão”, disse a coordenadora. Ainda de acordo com Jéssica, um dos objetivos desse projeto é contagiar a todos com a energia da ciência, seja aluno ou professor. “Às vezes a gente se acomoda e pensa que ensinar é só dar aula, mas a pesquisa traz para gente toda uma inovação, uma mudança de atitude, que nos faz ser professores ainda melhores”.

Alunos do PCE de Parintins, vitoriosos na Feira de Ciência/Foto: Divulgação

              Alunos do PCE de Parintins, vitoriosos na Feira de Ciência/Foto: Divulgação

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