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Parintins: emoção e tradição no festejo do Boi Bumbá (Por Grace Soares)

Professora Grace Soares(Am)
L. Rougles
Escrito por L. Rougles

No meio na Amazônia, numa ilha que abriga pouco mais que 100 mil habitantes e é banhada por todos os lados pelo maior rio do mundo, o Amazonas, acontece um dos maiores espetáculos da Terra. Parintins recebe, no último fim de semana do mês de junho, o dobro de sua população em número de visitantes. A expectativa tem nome e é reconhecida pelas suas cores: Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho). Em êxtase, as figuras folclóricas empolgam uma multidão que vibra, num só coro, bailando e cantando recortes da cultura de uma região.
Entender como uma ilha, de dimensões relativamente modestas (5.978 quilômetros quadrados), consegue se organizar todos os anos e comportar o triplo de sua carga máxima de habitantes é difícil até para especialistas no assunto. Esse tipo de questionamento é feito há anos. Na década de 90, a vidente Mãe Diná, em uma de suas visões, previa o destino da pequena cidade: direto para o fundo do Amazonas. O boato ganhou o mundo, virou até toada (música que embala a disputa entre os bumbás), mas, contrariando todas as crendices populares, Parintins continua localizada a 369 quilômetros da capital, Manaus, em linha reta, e a 420 quilômetros por via fluvial.

O Festival Folclórico de Parintins, sem dúvida, tornou-se uma festa grandiosa, em vários aspectos. Show de sons, luzes, cores e movimentos, sendo o evento capaz de despertar paixões arrebatadoras. Além disso, o aquecimento das atividades econômicas gera emprego e renda para centenas de pessoas.

Em 2016, o Festival completa 51 anos de realização. O boi bumbá tem origem do bumba meu boi e é um festejo popular em todo o Norte e Nordeste. Brinca-se boi o ano inteiro! Mas em junho, mês de São João, a festa toma uma dimensão incrível no Amazonas. Por décadas, a tradição de brincar de boi bumbá em Parintins é passada de geração em geração, de pai para filho. Ela não precisa concorrer com outros ritmos e não necessita de grandes palcos para se legitimar. Você aprende a gostar porque percebe que também faz parte desse folclore.

Parintins e o Festival têm atrativos difíceis de serem resistidos por um amazonense. As toadas contam a história e a tradição do nosso povo. Por meio delas, ecoa a valorização da natureza, a importância dos elementos míticos dos povos indígenas e os usos, costumes e crendices dos caboclos. Além de interessante, é algo com o qual nos identificamos, que atiça nossa curiosidade por um antepassado comum. Para chegar à cidade, os visitantes, preferencialmente, escolhem a viagem a barco e vivem a experiência fantástica de, em caravana com outros vários monomotores lotados de gente, conhecer o cenário fantástico que a combinação entre floresta e os rios Negro, Solimões e Amazonas proporciona aos navegantes. A cadência do motor embala as redes da tripulação e os sonhos de uma Amazônia exuberante e misteriosa.

A culinária também é “um prato” cheio para quem deseja se aventurar por “Paris”, como é carinhosamente chamada a ilha tupinambarana. O bodó (espécie de peixe) assado no almoço, o tacacá (caldo feito de goma de mandioca) tomado no final da tarde à beira rio, têm seus encantos. Finalmente, Parintins também se destaca pelo seu potencial artístico e tecnológico. Sim, o boi é tradição, mas vive em constante evolução. Dar vida à Garantido e Caprichoso exige conhecimentos e inovações que o caboclo parintinense faz questão de exportar “de Parintins para todo mundo ver” (trecho da toada homônima, dos compositores Jorge Aragão/ Ana Paula Perrone). Você é nosso convidado: venha nos ver!(Grace Soares –  jornalista e Coord. do Curso de Com. Social da Faculdade DeVry | Martha Falcão.)

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