Amazonas Cidades

Piratas geram perdas anuais de R$ 100 milhões com furtos de combustíveis no AM

Dodó Carvalho (C) e o delegado Rafael Costa(E)/Foto: Divulgação
Dodó Carvalho (C) e o delegado Rafael Costa(E)/Foto: Divulgação
Redação
Escrito por Redação

Após os furtos, roubos e ataques de piratas contra as embarcações, a Polícia Civil do Amazonas se reuniu com representantes do setor de transporte fluvial de cargas e passageiros, na tarde de ontem, terça-feira (02), na Delegacia Fluvial, em Manaus.
O Sindicato das Empresas de Navegação no Estado do Amazonas (Sindarma) estima que, anualmente, o volume de prejuízos somente com os desvios de combustíveis atinja R$ 100 milhões. Uma balsa de R$ 300 mil e de 400 toneladas foi furtada na orla de Manaus no último dia 28.

O setor de navegação tem sido alvo de criminosos que atuam nos rios, conhecidos como piratas. Os ataques ocorriam com maior frequência em trechos de rios no interior do Amazonas e em áreas mais isoladas. Porém, as quadrilhas agora também atuam na orla da região urbana de Manaus.

Anualmente, 3 bilhões de litros combustíveis são transportados na modalidade fluvial em embarcações no trecho Porto Velho/Manaus. As balsas carregadas com gasolina e outros tipos de combustíveis são os principais alvos das quadrilhas de piratas, que ameaçam e até subornam tripulações para furtar as cargas. As perdas para o transporte de combustíveis são de R$ 100 milhões a cada ano.

Os desvios de combustíveis financiam os garimpos ilegais, a prostituição infantil, a sonegação de impostos e geram a perda da qualidade dos combustíveis a partir da adulteração. Os pontos mais críticos do Amazonas são trechos entre os municípios de Iranduba até Codajás, na comunidade de Novo Remanso (na chamada boca do Rio Madeira), além do trecho do Rio Madeira que segue de Humaitá à Manicoré, no Sul do estado.

Para o presidente do Sindarma, Dodó Carvalho, ações de inteligência são as medidas mais eficientes para identificar e prender os criminosos, que tem agido de maneira articulada nos rios da região. O mapeamento das áreas de maior incidência de ataques de piratas facilitaria o combate aos crimes nos rios, avaliação do líder sindical.

“O trabalho de inteligência da polícia é a melhor medida que pode ser tomada no sentido de mapear todas as quadrilhas. Sabemos que o Amazonas é um estado de tamanho continental e se não tivermos uma polícia de inteligência não conseguiremos vencer a grande organização criminosa que está se instalando no nosso estado”, enfatizou o presidente do Sindarma.

O Sindarma propôs que seja articulada uma ação integrada entre a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Secretaria de Fazenda (Sefaz), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Polícia Federal e Marinha. Uma parceria para repasse contínuo de informações das empresas do setor para Delegacia Fluvial foi acordada durante a reunião, que contou com a presença do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários do Amazonas (Sintraqua), ainda de empresários do transporte de cargas e passageiros. Um novo encontro será marcado para debater a articulação conjunta, reunindo a polícia, entidades sindicais e órgãos públicos.

Casos

O Sindarma fez um relatório que reúne alguns dos casos de ataques de piratas cometidos contra as embarcações que navegam em rios da Região Norte do Brasil. Ao todo, 21 ocorrências de ataques de piratas entre 2002 e 2009 ocorreram no Amazonas e parte do Pará. O número inclui uma ocorrência registrada em 2015 na Polícia Civil do Amazonas. Os casos foram enviados pelas vítimas ao Sindarma. Entretanto, a maioria dos casos não é registrada nas delegacias nos estados. A impunidade e o receio das retaliações dos criminosos inibem as vítimas, que não denunciam. A SSP-AM não possui levantamento sobre o número de casos registrados no Amazonas.

O caso mais recente foi o furto de uma balsa de 400 toneladas, na madrugada no último dia 28. A embarcação estava atracada em uma boia de atracação no Rio Negro, no bairro Santo Antônio, na Zona Oeste da capital.

A embarcação nominada “Golfinho 7”, que é avaliada em R$ 300 mil estava atracada em uma boia no Rio Negro a 500 metros de distância da margem esquerda do rio, trecho próximo à avenida Padre Agostinho Caballero Martin. No local havia também outras balsas. A balsa furtada pertence a empresa de navegação Francis José Chehuan & Cia Ltda, que atua com o transporte fluvial de combustíveis e carga geral.

Segundo o delegado Rafael Costa e Silva, após tomar conhecimento do furto a equipe de investigação acionou o Departamento de Operações Aéreas para fazer buscas na Região Metropolitana de Manaus.

“Assim que soubemos da ocorrência acionei o Departamento Operações Aéreas e fizemos um sobrevoo até Itacoatiara, Nova Olinda do Norte e depois voltamos por Manacapuru, mas infelizmente até agora nada. As dificuldades de identificação são maiores porque os casos acontecem nos rios e à noite”, revelou o delegado.

O empresário André Araújo, que é proprietário de uma empresa de transporte de carga geral e passageiros, também participou da reunião e relatou que teve que arcar com prejuízo de R$ 38 mil depois que o barco foi furtado ainda na orla de Manaus.

“Toda noite têm furtos e assaltos na orla. Temos uma embarcação que viaja para Tabatinga e transportamos mercadorias de terceiros através de frete. Em uma dessas viagens fomos solicitados para levar 30 motores de popa, geradores, carne de charque e cimento. Quando foi de manhã verificamos que a escotilha estava aberta e 25 motores de popa tinham sido furtados, além de caixas com carne de charque. Arcamos com o prejuízo e acionamos a polícia. A polícia veio fez um trabalho de investigação, mas até agora nada”, afirmou o empresário.

Falta de estrutura

No Amazonas, a Polícia Civil conta com uma Delegacia Fluvial, mas na estrutura de segurança pública do estado não há um grupamento especializado de policiamento ostensivo com foco nos crimes em rios.

A Delegacia Fluvial foi inaugurada em 2006 e sua jurisdição abrange todo o estado. Entretanto, a principal embarcação da especializada fica atracada em Manaus se desloca para eventos populares em municípios do interior do estado e para realizar operações.

A delegacia funciona em um ferry boat e conta ainda com duas pequenas lanchas. O efetivo da Delegacia Fluvial tem apenas um delegado, sete investigadores, um motorista policial e alguns tripulantes do setor de manutenção. O delegado da Delegacia Fluvial ressaltou que é preciso trabalhar a prevenção. Uma das dificuldades mencionadas pelo delegado é falta de uma embarcação com maior capacidade e velocidade.

“Temos uma estrutura relativamente boa, mas poderia melhorar no seguinte quesito. Hoje não temos uma lancha expressa, que é uma embarcação com capacidade de levar de 30 a 40 pessoas, com deslocamento rápido e maior autonomia de navegação. Atualmente, se eu preciso deslocar uma equipe para Manicoré ou Borba teremos que ir no ferry boat, que é um meio de transporte muito pesado e demora até dias para chegar”, comentou Rafael Costa.

Comentários

comentários

Deixe seu comentário

error: Ops! não foi dessa vez.