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Por que o Preço da gasolina está tão caro? – por Bernardino Ribeiro

Redação
Escrito por Redação

A pergunta que todo o proprietário de carro se faz constantemente no Brasil é a seguinte:

Por que o preço do combustível é tão alto? Por que a nossa gloriosa gasolina é tão cara? Por que os nossos próprios vizinhos sulamericanos, que não produzem petróleo, têm preços de combustível mais baixos do que nós? Por que cargas d’água é tudo tão caro por aqui?

O Brasil possui atualmente a segunda maior petrolífera do mundo, a Petrobras. No ramo petroleiro, temos Eike Batista, um dos homens mais ricos do mundo. Além do petróleo, temos um mercado automobilístico em constante expansão e a um passo de se estabilizar como o quarto país que mais produz e vende carros em todo o mundo. Também somos pioneiros em combustíveis como etanol e biodiesel. Então? Por que esse combustível é tão caro? Por que a gasolina é cara?

Ter carro é um pecado. Além de todos os impostos embutidos no preço do carro, que chegam a 29% do valor de tabela em um carro médio, e de outros tributos, como IPVA, ainda há aqueles que são pagos em uma série de serviços como abastecimento, troca de pneu, amortecedores, entre outros.

Mas, não foge do assunto. Por que o preço da gasolina é tão alto?

Quase 60 por cento (57,13%) do preço da gasolina é apenas imposto, segundo os especialistas. Mais da metade do preço do litro.

Quase alto suficiente em petróleo e com invejável cultura de cana de açúcar, por que um preço tão elevado? E o Brasil tem a gasolina mais cara do mundo.

E não é pouco não, os especialistas calculam que o preço do combustível esteja até 60% acima das cotações internacionais.

O que vocês acham da Petrobras exportar petróleo a um preço menor do que pagamos aqui no Brasil, enquanto nós, consumidores, temos que arcar com o valor altíssimo pela gasolina. Por que o preço não reduz? Até quando vamos comprar uma gasolina tão cara?

O Brasil é o único país do mundo onde a população não se beneficia pela riqueza de seus recursos naturais. Apenas os investidores internos, estrangeiros, o governo e poucos funcionários da estatal lucram com as riquezas minerais do país.

E como você explica o fato da Petrobras cobrar de outros países metade do preço que nos cobra pelo barril de petróleo? Para a extração desse petróleo que é exportado os custos são menores?

Os bilhões de dólares de lucratividade trimestral obtidos pela Petrobras, os valores milionários gastos pela Petrobras com patrocínio de times de futebol inclusive na Inglaterra? Os cerca de cinquenta milhões de reais anuais pagos a titulo de conselho por “especialistas” em petróleo.

Por que os custos de produção da Petrobrás são cerca de 20 vezes mais que outros países produtores? Pois é o que pagamos a mais em média pelo litro de gasolina no Brasil. A Petrobrás vende a gasolina no Brasil e extraída no Brasil em média a R$ 2,50, como pode vendê-la na Argentina por R$ 1,60? A mesma gasolina extraída dos mesmos poços com os mesmo custos?

E olhem que os preços no norte do Brasil são ainda mais altos. Belém do Pará deveria reivindicar esse título: nós vendemos a gasolina mais cara do mundo. Que orgulho!

A Petrobras não é do governo. O governo federal tem só 37% das ações da companhia, mas tem 56% do voto, e como acionista majoritário, tem poder de decisão na empresa. Ou seja, a Petrobras é uma empresa como outra qualquer, porém controlada pelo Estado. Mas, o preço da gasolina no Brasil é mais caro por causa da carga tributária.

Quem Faz a Festa?

No Paraguai, que não tem nenhum poço de petróleo, não tem pré-sal nem Petrobras, a gasolina custa R$ 1,45 o litro e sem adição de álcool. Na Argentina, Chile e Uruguai, que juntos, somados os três, produzem menos de um quinto da produção brasileira, o preço da gasolina gira em torno de R$ 1,70 o litro e sem adição de álcool.

E o Brasil anunciou que já é autossuficiente em petróleo. Serve pra quem? Quem faz a festa?

Estamos pagando quase 3 reais pelo litro da gasolina. Realmente, só tem uma explicação para pagarmos tanto: menosprezo e desrespeito ao consumidor.

Já houve quem sugerisse um boicote aos postos da Petrobras. Como?

A verdade é que parece que a cada dia que passa o custo do etanol e da gasolina ficam mais caro para o cidadão, o que me indaga muito, pois, não somos um país autossuficiente em cana-de-açúcar e petróleo? Então, logicamente, os preços não deveriam estar entre os mais altos da

América Latina

Antes de tudo, para analisarmos o preço de um produto precisamos pensar em seus custos de produção, armazenamento, deslocamento, lucro do produtor, lucro do distribuidor, impostos, safra (no caso do álcool), enfim, uma série de variáveis que resultam no valor final de um determinado bem ou serviço.

Esta é à base do pensamento de um preço justo, mas, muitas vezes empresários se utilizam da ideia de preço do “vamos cobrar o que o mercado está disposto a pagar”. Muitos produtores de cana argumentam que a safra não está lá para estas coisas, já os donos de postos argumentam que a culpa é que estão pagando mais caro pelo combustível que também é altamente tributado pelo governo, e a população.

Reféns dos Cartéis

Dentre os diversos combustíveis, a gasolina, além de petróleo, tem em sua composição química o álcool, ou seja, cada vez que o preço deste produto subir, o preço da gasolina irá acompanhar o seu aumento. No entanto, o que podemos observar em diversas cidades do Brasil é que existe um grande cartel na venda dos combustíveis, seja diesel, etanol, gasolina ou GNV, pois, os postos, de diferentes bandeiras, praticam os mesmos preços ou valores similares.

Quem perde com isso é o consumidor! Pois, fica sem opção de compra, tendo que pagar o que o mercado combina (cartel) e ponto, o que contraria os valores essenciais do capitalismo.

A base do pensamento capitalista está na redução de custos e melhor qualidade de produtos e serviços para os consumidores, onde o cliente tem o poder de escolha na hora de optar por uma marca ou outra, por um produto ou outro, por um preço ou outro, mas, como lhe dar no caso de todos praticarem o mesmo preço do mesmo produto? É o fim da livre-concorrência, viramos reféns dos grandes cartéis, é um caminho sem saída.

Se somos um país autossuficiente em petróleo, se somos os maiores produtores de etanol do mundo, isto tem que refletir no preço dos combustíveis para o mercado brasileiro. Que se venda mais para o mercado interno em detrimento do exterior, que os cartéis sejam combatidos e punidos, e que os produtores e donos de postos que agem de má fé tenham mais transparência em todo esse processo, praticando preços honestos e justos.

O que nos anima é olhar para o futuro e ver que os combustíveis fósseis serão substituídos por energias limpas e renováveis, o que além de permitir preços inferiores, também contribuirá para despoluição de nosso planeta, refletindo numa melhor qualidade de vida para todos nós.

Mas, até lá… também já seremos fósseis…

Fonte: Bernardino Ribeiro /Blog do Tio Bereco

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