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Portela contagia a Sapucaí em noite de alto nível do Carnaval do Rio

A Águia puxa o desfile da Portela/Foto: Divulgação
A Águia puxa o desfile da Portela/Foto: Divulgação
Redação
Escrito por Redação

Depois de um domingo decepcionante, as escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro realizaram, ontem, à noite, um desfile de nível altíssimo para o Carnaval 2016. Em uma noite de bons sambas e enredos bem desenvolvidos, a Portela fez a apresentação mais arrebatadora. Porém, Salgueiro, Mangueira e Imperatriz Leopoldinense erraram pouco e também podem estar na disputa pelo campeonato. Apesar dos competitivos desfiles de Unidos da Tijuca e Beija-Flor, no domingo, a campeã do Carnaval 2016 certamente sairá desta segunda noite de desfiles.
A Unidos de Vila Isabel abriu a noite de desfiles disposta a apagar a má impressão dos dois últimos carnavais, quando a agremiação ficou nas últimas colocações da tabela. Exaltando o legado de Miguel Arraes para a cultura popular de Pernambuco, a azul e branca conseguiu fazer bonito na Sapucaí. Com um belo trabalho visual comandado pelo carnavalesco Alex de Souza e embalada por um dos melhores sambas-enredo do ano, que tem a assinatura de Martinho da Vila, Mart’nália e Arlindo Cruz, a Vila fez um desfile empolgante, com alas evoluindo felizes pela Sapucaí. Certamente, um desfile que disputará vaga no sábado das campeãs.

O Salgueiro entrou na avenida aos gritos de “é campeão”. Com a comunidade empolgada em torno do samba-enredo de refrão forte e escorada em uma ótima temporada de ensaios, a escola pisou a Sapucaí pronta para confirmar o favoritismo que lhe foi atribuído na temporada pré-carnavalesca. Com um brilhante trabalho alegórico de Renato e Márcia Lage e apoiada em uma evolução constante e empolgada, a vermelho e branco se posicionou com tranquilidade no bloco das agremiações postulantes ao título. Porém, seu carro abre-alas apresentou problemas de iluminação por toda a pista, o que deverá tirar décimos preciosos de seu desfile. O samba-enredo rendeu bem, mas não explodiu na avenida como se imaginou.

A São Clemente foi a terceira escola a desfilar e entrou disposta a confirmar o bom resultado do Carnaval 2015. Com mais um brilhante trabalho cenográfico de Rosa Magalhães, a escola de Botafogo ressentiu-se de um samba de melhor qualidade para empolgar desfilantes e público, que assistiu passivamente ao bem humorado desfile da escola sobre a história do palhaço. O terceiro carro alegórico apresentou problemas no meio da pista e, com isso, formou-se um imenso espaço que tomou quase a extensão de um setor de arquibancada –falha que certamente causará punições no quesito evolução. Em uma das últimas alas, componentes faziam um panelaço, dando um caráter político ao enredo. Por conta dos problemas na pista, fica difícil crer na São Clemente como uma das seis que desfilarão no Sábado das Campeãs.

Há 32 anos sem título, a Portela entrou na avenida sob o delírio de sua torcida. Um de seus principais trunfos para quebrar o jejum, o carnavalesco Paulo Barros supervisionava pessoalmente a entrada de cada carro alegórico na concentração. Com uma águia diferente, que simulava a travessia do Mar Vermelho, a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira arrebatou o público desde o início de seu desfile. O estilo inconfundível do carnavalesco manifestou-se nas alegorias ousadas, como a do gigante Gulliver e na comissão de frente, que molhou a pista, a despeito de vir seguida pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Marcelino e Danielle Nascimento. Por outro lado, as fantasias seguiam a melhor tradição portelense, abusando do luxo e das plumas. O bom samba-enredo impulsionou o desfile portelense, que saiu da pista aos gritos de campeão. Nunca a quebra do tabu esteve tão perto.

A Imperatriz Leopoldinense apostou em um tema de apelo popular para conquistar as arquibancadas. Porém, ressentiu-se de desfilar após o cortejo arrebatador da Portela. A homenagem a Zezé Di Camargo e Luciano teve uma saudação apenas morna da plateia, que pouco interagiu com o competente desfile da escola. O samba-enredo, tido como o melhor do ano pela imprensa carnavalesca, confirmou sua qualidade na pista e conduziu a verde, branca e ouro de Ramos a um espetáculo de muita qualidade. Vários artistas sertanejos prestigiaram os filhos de Francisco: Chitãozinho e Xororó estavam em um tripé à frente do carro abre-alas. Paula Fernandes brilhou no segundo carro alegórico. Wanessa desfilou na quinta alegoria, ao lado da irmã Camila e da mãe, Zilu. No último carro, junto do pai, Francisco, os homenageados eram pura emoção. A escola fez um desfile competitivo, que a credencia para as primeiras colocações.

Encerrando o desfile, a Estação Primeira de Mangueira homenageou Maria Bethânia disposta a recuperar o seu papel de destaque no Carnaval carioca. Sem títulos desde 2002 e passando por uma forte crise financeira, a escola vinha de resultados ruins nos últimos anos. Porém, no que depender do que apresentou na madrugada dessa terça-feira, a verde e rosa pode sonhar com voos mais altos. Estreando o carnavalesco Leandro Vieira, a escola apresentou alegorias e fantasias suntuosas, ao mesmo tempo que facilitavam o desfile de seus componentes. Em sua comissão de frente, bailarinas faziam saudação a Oyá, o orixá que rege a homenageada. Com uma bela roupa e um truque de maquiagem que a deixou careca, a porta-bandeira Squel arrancou muitos aplausos ao lado de seu parceiro Raphael. No quarto carro da escola, Caetano Veloso brilhou ao lado de vários artistas como Mart’nália, Renata Sorrah, Zélia Duncan, Moacyr Luz. No último carro, que lembra sua paixão pelo circo, a homenageada foi saudada por uma avenida em delírio.

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