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Que coisa feia, hein dona Dilma!(Por Paulo Figueiredo)

Advogado Paulo Figueiredo (AM)
Advogado Paulo Figueiredo (AM)
Redação
Escrito por Redação

É a velha História. A antiga guerrilheira, que se jacta de ter combatido a ditadura, repete agora o gesto do último e dos mais grotescos presidentes militares. Como João Figueiredo, que saiu do Palácio do Planalto pela porta dos fundos, para não transmitir o cargo a Sarney, Dilma diz que fará o mesmo com Temer, com agravantes. Além de vetar qualquer tipo de transição, pretende deixar o governo ainda mais exaurido, com as finanças em frangalhos, sem informações mínimas sobre a administração. Noticia-se que nem os arquivos considerados estratégicos serão repassados ao nov o governo, porquanto apagados por ordem direta da presidente.
Bem, nenhuma surpresa. É a Dilma de sempre, ranheta e raivosa, despida de espírito público e sem a menor compreensão de suas funções republicanas. Ao sair, não terá sequer a dignidade de encarar a Nação e seus adversários, mesmo se julgando injustiçada, vítima de um golpe inexistente. Não terá a mínima altivez, a propósito, mostrada por Fernando Collor, em seu pior momento, quando deixou o Palácio de braços dados com a mulher, olhar fixo no horizonte, em cena memorável, levada ao ar com frequência pelas redes de televisão.

Dilma ultrapassa qualquer limite tolerável de ausência de sensatez. Ao transformar os atos rotineiros da administração, na inauguração de obras do governo, em palanques da resistência contra o impeachment, estimula e subvenciona a subversão da ordem pública. Nos últimos dias tem usado o salão nobre do Palácio do Planalto como palco de apoio a seu governo. E agora, com os chamados movimentos sociais, sob a tutela irresponsável de seu criador, começa a incendiar o país, com a obstrução de importantes rodovias brasileiras. Há determinação expressa do lulopetism o para que não se dê um minuto de trégua ao governo Temer, sem considerar as graves consequências de uma convulsão social e do agravamento da crise econômica no país.

É o que dizem com o dístico “não vai ter golpe, vai ter luta”. É o que sustenta Lula da Silva, quando ameaça o Brasil com o “exército do Stédile”, um marginal, bandido qualificado, predador da ordem jurídica, invasor de fazendas produtivas e de propriedades privadas. Que luta, qual a luta que pode conter o que chamam de golpe? A guerrilha urbana e rural, com a participação da CUT, MST, MTST, Via Campesina, UNE, UBES e outras organizações penduradas nos cofres do erário federal? Ou a luta a ser travada nos limites da Constituição e das leis, no ambiente democrá tico do Senado Federal?

O certo é que o lulopetismo e a esquerda de gaveta de taberna nunca tiveram o menor respeito pelo regime democrático, embora vivam badalando com essa historieta de defesa da democracia, em que nem o mais estulto dos idiotas acredita. No passado, durante as ações de resistência ao regime militar, como atualmente, jamais alimentaram a mínima vocação democrática. Dilma e seus pares na luta armada, em momento algum, atuaram com vistas a reintroduzir a democracia no Brasil, como reconhece Fernando Gabeira, com honestidade intelectual e histórica. O que  queriam era substituir o governo militar pela ditadura do proletariado, c omo certamente ainda pretende o PC do B, em homenagem à sua própria natureza ideológica estreita e falida, ao lado de outras linhas políticas radicais e auxiliares.

A luta a favor ou contra o impeachment da presidente incompetente e faltosa, como é curial, há de ser travada, como vem sendo, no Congresso Nacional, fórum civilizado, adequado e indicado pelo ordenamento legal e constitucional. Vencerá quem conseguir drapejar com sucesso a bandeira da verdade, com fundamentação rigorosa nos fatos. É o que tem feito a advogada Janaína Paschoal, mulher brilhante e corajosa, intérprete como ninguém dos anseios da nacionalidade.

Janaína, a intimorata, tem arrostado o ódio do lulopetismo e de segmentos agregados, exposta a todo tipo de violência, como ocorreu durante recente sessão da Comissão de Impeachment do Senado. Cuido das agressões sofridas pela advogada, disparadas pelo senador Telmário Mota, parlamentar raso e despreparado, aparência física de asno, incapaz de formular com correção uma singela concordância nominal, vergonha para o Estado de Roraima.

Na batalha do impeachment, duas mulheres e dois exemplos opostos. De um lado, a advogada do impeachment, sob os aplausos da Nação; de outro, a presidente, a ser escorraçada do poder, vítima maior de seus erros e de sua profunda inaptidão no trato da coisa pública. Uma, consagra-se. Outra, sai do poder esgueirando-se pela sombra, destilando ódio e desejo de vingança.

Que coisa feia, hein dona Dilma!(Paulo Figueiredo – Advogado, Escritor e Comentarista Político – paulofigueiredo@uol.com.br)

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