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Quem “ganha” com a falta de investimentos na Segurança? – por Odirlei Araújo

Redação
Escrito por Redação

A questão que nos move a escrever este artigo e nele apontar alguns problemas recorrentes na área da Segurança Pública e a segurança dos agentes da segurança pública no Estado do Amazonas, é o fato de que há muito não se tem feito sérios investimentos no sistema de segurança, e a nós, trabalhadores do sistema, resta sofrer e gritar contra os descasos que nos causam insegurança.

 

A quem pode beneficiar e favorecer a falta de investimentos como construção de unidades prisionais por calhas de rio; construção de novas delegacias nos interior que possam de fato atender a demanda da população, assim como aumentar de forma satisfatória o número de policiais militares nos municípios; aumentar o efetivo de policiais civis e humanizar seus espaços de trabalho tanto na capital como no interior; dotar de equipamentos bélicos e veículos em condições de uso e emprego no serviço e em ações de combate; garantir ascensão funcional e salários dignos a estes abnegados guardiões da sociedade?

 

Faço este questionamento e convido a reflexão cada leitor, cada cidadão do nosso Estado, cada servidor da segurança pública, cada autoridade constituída.

 

Nesta semana vimos estampado em diversos jornais e portais de noticias do Brasil, o ocorrido na região de Vitória no Estado do Espirito Santo, quando um grupo de criminosos de alta periculosidade invadiu uma delegacia e furtou quatro armas, sendo três revólveres calibre 38 e uma submetralhadora. Ainda naquele Estado esse foi o quarto caso de roubo a uma unidade policial em apenas quatro dias. Nesse período foram 19 armas roubadas. No entanto, a polícia não acredita que haja ligação entre os crimes.

 

Na semana anterior, bandidos arrombaram a Delegacia Especializada em Atendimento a Mulher (Deam), também em Vitória, e levaram uma arma e objetos pessoais de quem trabalha no local. A sede da Polícia Militar em São Mateus, no norte do Estado, foi invadida por um criminoso, que provocou estragos no local e tentou levar uma televisão. Na madrugada do último domingo, foi a vez de o 6º Batalhão da Polícia Militar, na Serra, ser invadido por criminosos. Na ocasião, 14 armas foram furtadas.

 

Isso destacamos pelo fato de terem ganhado repercussão nacional as ações dos criminosos naquele Estado. No Amazonas a criminalidade tem mostrado ousadia também e é isso que nos coloca cada vez mais em estado de tensão.

 

Os municípios do Rio Preto da Eva e Iranduba já tiveram seus registros negativos de ataques a unidades policiais. Bandidos atiraram contra os referidos prédios com a intenção de atingir policiais e presos de grupos rivais. Em Manaus, a tentativa de intimidação a policiais em serviço e fora dele tem sido constante e crescente. Já tivemos perdas lastimáveis de valorosos colegas de trabalho e isso tem nos causado traumas e revoltas. Não aceitamos o descaso e não ficaremos inertes diante dos fatos, pois estes podem em algum momento acontecer com qualquer um de nós.

 

No ano de 2013, moradores depredaram a delegacia e viaturas após detenção de suposto maníaco. O grupo se armou com pedaços de madeiras e pedras danificando parte da estrutura da delegacia do bairro Mauazinho, além de cinco viaturas da Polícia Militar.

 

No mês passado foi registrado o que ora digo. Piratas atacam policiais a tiros em rio no município de Urucurituba. O colega Carlos Alberto de Oliveira Silva chefe de investigação da Delegacia de Polícia de Silves, município a 200 km de Manaus, e mais dois policiais militares foram atacados a tiros por quatro “piratas” no município de Urucurituba, a 208 km da capital amazonense.

 

Na ocasião Carlos Silva declarou o seguinte: “Eu estava na delegacia por volta da meia-noite quando dois PMs me avisaram que piratas haviam acabado de roubar cerca de 50 mil reais em gado de uma fazenda localizada em Silves. Imediatamente pegamos uma voadeira e fomos atrás dos bandidos. Assim que entramos no município de Urucurituba, quase duas horas depois, avistamos o barco com pelo menos quatro piratas. Quando tentamos nos aproximar, eles atiraram contra a gente, usando um revólver e uma espingarda calibre 12. Sem hesitar, revidamos a agressão e continuamos a persegui-los. Mais adiante a gasolina da nossa lancha acabou e tivemos que interromper a perseguição. Graça a Deus saímos ilesos”.

 

Tantos são os fatos e relatos que vivenciamos e que a nós chegam quase diariamente, que muitas vezes nos questionamos sobre a nossa profissão, a nossa função e o nosso valor.

 

Enquanto se investe altos valores em Vila Olímpica, Jogo do Delmo e outras inutilidades continuamos apesar da bonita propaganda, usando carros sucateados, trabalhando em delegacias deterioradas e até em containers, usamos armas que nem sempre funcionam e que já deixaram colegas “na mão”, e nós sempre estamos incertos de nossa própria segurança. A quem interessa a falta de investimentos na segurança pública? Tenho certeza que não é a mim, nem a meus colegas de profissão, muito menos ao cidadão de bem.

 

Então é mais que momento de unirmos forças, fazer ecoar nossos gritos de indignação, exigir de nossos representantes nas casas legislativas, nas direções e nos governos que façam valer o dinheiro pago por cada cidadão que investe e espera dos governos, especialmente do local, os investimentos devidos em segurança pública na sua totalidade, para que nós, trabalhadores do difícil oficio, possamos desempenhá-lo com satisfação, com incentivos, sem precisar sacrificar mais que a própria vida para oferecer Segurança Pública e termos a certeza de quem ganha com os investimentos e quem ganha com a falta deles.
“Nosso suor sagrado é bem mais belo que esse sangue amargo” (Legião urbana).

* Odirlei Araújo é Economista, Vice-Presidente do SINPOL-AM e Presidente da AEPOL-AM.

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