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Será que merecemos?(Por Paulo Figueiredo)

Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Advogado Paulo Figueiredo(AM)
Redação
Escrito por Redação

Um antigo axioma diz que cada povo tem o governo que merece. Há quem atribua a reflexão ao filósofo francês Joseph-Marie, conde de Maistre, monarquista empedernido, defensor das sociedades hierárquicas, que viveu entre os séculos XVIII e XIX. Em qualquer hipótese, importa é saber se a máxima pode ou não ser levada ao pé da letra? Não creio. Será que merecemos o governo que hoje temos no Brasil, representado nos três poderes da República por Dilma Rousseff, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e Ricardo Lewandowski? Não sei não, mas seria no mínimo um castigo dos infernos, realmente difícil de suportar.
Lewandowski tornou-se conhecido ao atuar no caso do Mensalão, votando de ponta a ponta pela absolvição dos maiores expoentes do PT, envolvidos até a alma no escândalo. Deve sua indicação e nomeação ao Supremo Tribunal Federal à sua madrinha e amiga, Marisa Letícia Lula da Silva, ex-primeira-dama do lulopetismo. Agora mesmo, noticia-se que teve encontro com Dilma Rousseff em Portugal, com o propósito de tratar da Operação Lava-Jato, que vem levando grandes figurões do mundo empresarial e político às grades da Polícia Federal em Curitiba. Dirige a maior corte de justiça do país, onde tudo, ao fim e ao cabo, pode ser examinado ou revisto, como última instância do judiciário brasileiro. Precisa dizer mais?

Eduardo Cunha é a imagem do retrocesso político e institucional. Rançoso e preconceituoso, não tem sequer a visão elementar do estado laico, que não admite a intolerância religiosa de qualquer naipe. Usa o poder para intimidar adversários, transformando-o em instrumento para alcançar objetivos inconfessáveis. Em nome da celeridade nos processos legislativos, age de forma atabalhoada, atropela e ceifa a discussão de projetos que, por sua natureza e complexidade, exigiriam avaliação percuciente dos temas postos em votação pelo parlamento. É investigado pela Operação Lava Jato, com indícios ou provas concretas que o incriminam na prática de ilícitos penais. Ainda assim, debocha das investigações, quando marca hora para receber a Polícia Federal em sua casa – “não antes das seis”, com linguagem imprópria para quem ocupa a presidência da Câmara Federal, terceiro na linha sucessória presidencial. Foi tesoureiro no Rio de Janeiro da campanha de Fernando Collor a presidente e manteve ligações estreitas com o notório e inesquecível PC Farias. Embrulhou-se em procedimentos questionados e nebulosos, quando presidiu a Companhia Telefônica do Rio de Janeiro e a Companhia de Habitação do mesmo Estado. Ousado e dissimulado, é candidato a presidente da República pelo PMDB, em função do que ocupou cadeia nacional de rádio e televisão, com espaço pago a peso de ouro pelo contribuinte, a fim de divulgar seus feitos à frente do órgão que dirige. Ao entender que o Palácio do Planalto move os cordéis contra sua pessoa, no caso Lava Jato, rompe de forma estrepitosa com o governo Dilma e parte para retaliação, sem medir as consequências de sua atitude.

Renan Calheiros não consegue enganar mais ninguém. É o que é. Já foi obrigado a renunciar a presidência do Senado, sob ameaça de perder o mandato, no episódio da pensão que conhecida empreiteira pagava para sua então amante. Volta e meia, mais uma traquinagem, como ocorre no presente, mergulhado até o último fio de cabelo no Petrolão, ao lado de Fernando Collor de Melo, conterrâneo e amigo de velhos carnavais. Com tão rica biografia, foi mais uma vez eleito por seus pares para presidir a Câmara Alta, um escárnio. Investigado pela Lava Jato, com base em depoimentos demolidores de iguais, em delação premiada, ameaça bater às portas do Supremo Tribunal Federal. Recorrerá precisamente ao ministro Ricardo Lewandowski, atrás de proteção em seu benefício e em nome de garantias de impunidade, devidas a todos os parlamentares, no seu entendimento. É um absurdo, às favas com o princípio republicano e democrático de que a lei é igual para todos e tem aplicação indistinta, sem agasalhar qualquer tipo de privilégio, uma vez que basta a figura esdrúxula do foro especial por prerrogativa de função.

Dilma Rousseff é o desastre. Levou o país ao naufrágio, numa crise de grandes proporções, com a economia desarrumada, recessão, inflação em alta, desemprego crescente, falência moral e absoluto descrédito. Confusa, com linguagem ininteligível, passeia o tempo todo no sidéreo. Perdeu as rédeas, não mais governa, caminha na contramão e não consegue nem ao menos alcançar a dimensão da tragédia. Mesmo assim, mantém-se arrogante e infensa a qualquer autocrítica, mínima que seja. Despida de qualquer resquício de grandeza, mostra-se incapaz de compreender a delicadeza e a gravidade do momento histórico, ao insistir em permanecer no proscênio, com todas as consequências adversas para o futuro da Nação.

Será que merecemos?(Paulo Figueiredo – advogado, escritor e comentarista político – paulofigueiredo@uol.com.br)

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