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Suíços rejeitam proposta de receber R$ 9 mil por mês sem trabalhar

R. Saraiva
Escrito por R. Saraiva

Pesquisas iniciais indicam que os suíços rejeitaram em referendo uma proposta que criaria uma renda mensal mínima de cerca de R$ 9 mil (2500 francos suíços) para todos os cidadãos do país, independentemente de trabalharem ou não.

A proposta, que foi a plebiscito neste domingo, recebeu o “não” de 78% dos eleitores, segundo uma projeção divulgada pelo instituto de pesquisas GFS logo após o fechamento das urnas.

O valor substituiria outros subsídios e seria distribuído para todos os cidadãos e residentes no país. Para as crianças, o valor seria de R$ 2.270 (625 francos).

O governo havia se pronunciado abertamente contrário à proposta. “A iniciativa enfraquece o serviço público, danifica a estrutura pública e gera aumento de impostos e erosão no consumo”, dizia um documento do Parlamento divulgado para o público.

As autoridades afirmavam que a parte da população com ganhos inferiores a 2500 francos não teria mais incentivos para trabalhar, ao mesmo tempo em que o polpudo benefício serviria para atrair imigrantes indesejados.

‘Acesso para todos’
Os apoiadores do projeto diziam que a Suíça passaria a ser a primeira sociedade a desfrutar da prosperidade gerada pelo “dividendo digital”.

Com renda per capita alta e desemprego mínimo, país não carece de benefícios contra pobreza
A noção defendida por eles é de que a desassociação entre trabalho e renda será inevitável no futuro, pois cada vez mais a tecnologia está substituindo a atividade humana em países desenvolvidos.

“Robôs absorvem cada vez mais trabalho. É agora nosso dever reorganizar a sociedade de modo que a Revolução digital dê a todos uma vida digna: atividades de própria escolha e que façam sentido”, afirmaram os defensores da causa em um documento explicativo enviado aos eleitores.

“Produzimos três vezes mais do que conseguimos consumir […], mas isso não está acessível a todos. A renda mínima é um direito nesse contexto. Por que não tornar a riqueza acessível a todos?”, questiona o porta-voz do movimento pela renda mínima, Che Wagner, em entrevista à BBC Brasil.

Com uma renda per capita estimada em US$ 59 mil ao ano (R$ 211 mil) e taxa de desemprego inferior a 4%, o país não carece de políticas públicas de combate à pobreza. Isso, dizem defensores do projeto, permitiria ao país “dar-se ao luxo” de experimentar uma utopia.

(R7)

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