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Tietê, que te quero limpo (Por Pedro Cardoso da Costa)

Bacharel em direito Pedro Cardoso da Costa(SP)
Redação
Escrito por Redação

Quando surgiram as campanhas de despoluição do rio Tietê na década de 90, mais precisamente em 1992, gerava grande preocupação e desilusão nos mais céticos quando era citado o longo prazo para que o rio tivesse oxigênio e voltasse a ter vida, com peixes e pescadores, prática de esporte e lazer, arborização em toda a sua extensão e até servir como meio de transporte coletivo.
Era citado o tempo gasto no processo de despoluição de rios em outros países, com destaque para o rio Sena, na França e o Tâmisa, na Inglaterra. Este teria levado trinta anos para ser despoluído totalmente.

Silenciada durante os 18 anos que se passaram no processo de limpeza do rio, no dia 6 de novembro de 2011, na capa da Folha de S. Paulo há a noticia impactante do gasto de quase 2 bilhões de dólares para a poluição piorar um “pouco”.

Nesse período já passaram seis governadores pelo Palácio dos Bandeirantes, iniciado com Luiz Antonio Fleury Filho; seguido por Mário Covas, Geraldo Alckmin, Cláudio Lembo, José Serra e Alberto Goldman que formaram o grupo de governadores no processo de “deslimpeza” do rio Tietê. Mario Covas por dois mandatos e Alckmin, já no quarto, são responsáveis pelo período de mais de 15 anos pela limpeza que suja. E o Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB é o inegável pai da criança até a maioridade alcançada no final de 2010. Esse é o número de responsáveis diretos, mas os bilhões desperdiçados impressionam muito mais.

Um dos diretores de projetos da Sabesp, órgão responsável pela fictícia despoluição, Carlos Eduardo Carrella, regojiza-se ao afirmar que “se nada tivesse sido feito a situação seria bem pior”, argumento semelhante a outro muito utilizado no passado pelos ministros de economia para minimizar os efeitos deletérios da inflação. Diziam que a inflação de determinado mês não fora tão alta como era esperada, pois ficara em 50%, quando as previsões apontavam 80, 90% para aquele mês.

Ao contrário de autoridades de países desenvolvidos, as brasileiras costumam justificar qualquer coisa, por mais absurda que seja; não assumem seus erros. O gasto astronômico sem resultado careceria de investigação mais aprofundada, mais séria do que costuma ser em casos semelhantes. E já deveria ter sido antes de se chegar a gigantesco desperdício de dinheiro público. O diagnóstico de onde vem a sujeira já existe. Então, seriam necessárias algumas alterações em diversas ações e intensificação do trabalho noutras. Fiscalizar e exigir que as residências façam a adequação de seus esgotos para a rede, caso exista, ou para fossas. As indústrias e casas comerciais só deveriam receber a licença de funcionamento após comprovar a destinação adequada do seu esgoto e seu lixo. Aplicar multas desde pedestre que jogasse palito de fósforo, ponta de cigarro nas ruas até quem jogue sofás e material de construção em locais inadequados. Leis já existem em São Paulo. Falta só o cumprimento.

Como gostava de dizer o ex-presidente Lula, se o rio tivesse sido limpo, cada governador diria que ninguém nunca na história deste país teria feito tanto pela limpeza, numa busca pelo título de limpador-mor do Tietê. É possível ter havido projeto básico resultante de profundo estudo; projeto de execução; definição de resultado por etapas. Nenhum maluco poderia imaginar todo esse trabalho realizado propositalmente para um aumento “satisfatório” da poluição.  Alguém tem que vir a público dizer onde existiram falhas gravíssimas e grosseiras para se chegar a resultado tão bisonho.  Não se tem como negar a paternidade ao PSDB e a criação até a presente data. Também falhou a imprensa por não ter acompanhado de perto com cobranças periódicas de resultados. Cada governador teria que explicar quanto gastou e seu percentual de piora.

Nenhum argumento justificaria minimamente esse desastre. Apurar e punir os responsáveis seriam dever, mas não resolvem o que já deixou de ser feito. Servem de alerta para acabar com a política de gastar bilhões de dólares para piorar gradativamente um serviço público tão relevante. Com seguimento da política atual de despoluição, daqui a 80 anos 10 bilhões de dólares terão sido literalmente enterrados num rio acabado.(
Pedro Cardoso da Costa – Bacharel em direito – Interlagos/SP)

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