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TO: presos decapitados denunciaram agressão, diz Defensoria

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Redação
Escrito por Redação

Os detentos Vinícius Dias da Silva, 29 anos, e Alessandro Rodrigues de Castro, 23 anos, mortos e decapitados na noite da última sexta-feira, no Presídio Agrícola Luz do Amanhã, em Cariri do Tocantins, estavam entre os quatro que denunciaram ter sido vítimas de tortura, supostamente praticada por policiais civis na Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota (UTPBG). A informação foi confirmada hoje pela Defensoria Pública Estadual (DPE).

De acordo com o defensor público Sandro Ferreira Pinto, após a repercussão da denúncia de tortura, os presos passaram a temer pela própria vida e teriam solicitado, por meio da DPE, a transferência daquela unidade para Palmas. “Por uma razão inexplicável, dois deles foram levados para Cariri e, para ficar mais evidente a omissão do Estado no que se refere à segurança dos internos, foram colocados em um pavilhão comum, juntos com outros presos, onde não sobreviveram 24 horas”, comentou o defensor.

 
A DPE informou que requisitou do Estado ontem explicações acerca da mudança de destino da transferência dos presos, bem como do porquê de tê-los colocado entre os outros detentos, uma vez que sua transferência foi motivada por medidas de segurança. O Núcleo de Direitos Humanos da DPE se deslocará até a unidade para requisitar as informações já solicitadas pelo defensor.

O JTo entregou em contato com o governo do Estado para comentar o caso e aguarda reposta.

Relembre o caso

Em fevereiro, quatro internos da Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota (UTPBG) teriam apresentado denúncia junto à Defensoria Pública Estadual (DPE), de que haviam sofrido tortura na UTPBG.

O caso estava sendo apurado pela DPE, que já havia solicitado imagens do circuito interno do presídio, quando um vídeo contendo o episódio relatado pelos presos foi recebido pela DPE, Vara Criminal e pelo Ministério Público Estadual (MPE), em abril.

Nas imagens, dois detentos algemados diante de sete agentes armados – sendo quatro identificados como policiais civis (PC) – quando um dos agentes dispara com uma taser (arma de choque) contra um interno que gesticula apontando-lhe o dedo. O interno cai. Logo em seguida, outro interno, que estava na sala ao lado tenta entrar e empurra o policial que efetuou o disparo, sendo imediatamente contido pelos agentes, que disparam contra ele.

Segundo a DPE, Silva seria o detento que aparece ao lado do que é alvo do disparo com a arma de choque. Castro não aparece nas imagens, mas também teria relatado ter sido alvo de um disparo com a taser.

A divulgação do vídeo levou ao afastamento do diretor da UTPBG, Alysson Alves, e à abertura de inquérito na Corregedoria da Polícia Civil (PC).

(Jornal do Tocantins)

 

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