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Tocantins na rota do contrabando de urânio

Redação
Escrito por Redação

Palavra alemã, söldner significa mercenário, uma pessoa movida a interesses financeiros que não se apega a valores morais. Não por acaso esta foi a denominação utilizada pela Polícia Federal para batizar a operação desencadeada ontem em cinco estados brasileiros e no Distrito Federal para combater uma quadrilha especializada na extração e comercialização ilegal de urânio – material altamente radioativo – e pedras preciosas. Iniciada há dois anos a partir da informação de que urânio brasileiro vinha sendo vendido para núcleos terroristas, a investigação ainda não comprovou a denúncia, mas também não descartou. A Divisão Antiterrorismo (DAT) da Polícia Federal acompanha de perto o desenrolar das investigações.

Cerca de 200 policiais federais participaram das ações da operação em Goiás, Tocantins, em Minas Gerais, Pará, em Pernambuco, São Paulo e no Distrito Federal. Foram expedidos 58 mandados, dez de prisão temporária, e 19 de condução coercitiva, sendo que dois deles foram no Tocantins. Além de mandados de busca e apreensão.

Entre os alvos das prisões temporárias estão dois estrangeiros, de naturalidade européia, que por não se encontrarem em território brasileiro tiveram seus nomes incluídos na lista de procurados pela Interpol.

Presidente do inquérito e lotado na Superintendência Regional da Polícia Federal em Goiás, o delegado Charles Gonçalves Lemes explicou que o caminhar das investigações mostrou que o grupo criminoso vinha agindo não apenas na extração ilegal de minérios como urânio – combustível de reatores nucleares – e ouro, mas também de pedras preciosas como o diamante. Somente nos últimos dois anos, essa atividade rendeu à quadrilha aproximadamente R$ 500 milhões. Normalmente, o trabalho é feito por empresas que possuem autorização para pesquisar jazidas de ouro, mas na prática explora e negocia o minério radioativo.

O superintendente da PF no Tocantins, Marcelino Vieira, informou à TV Anhanguera que os mandados de condução coercitiva, que é o ato de levar o investigado a prestar depoimentos na sede da Polícia e depois liberá-lo para aguardar em liberdade o término das investigações, foram para Palmas e Paraíso. Na Capital, a tarefa foi cumprida, já em Paraíso, não foi possível, pois o investigado não estava no endereço informado.

Podres
A Polícia descobriu que em outra vertente, o grupo também comercializava títulos públicos chamados de “podres”, ou seja, sem nenhum valor. Para isso, até mesmo servidores públicos foram cooptados para respaldar a comercialização. Os títulos, até mesmo do governo venezuelano, renderam no período alvo da investigação algo em torno de R$ 700 milhões.

“Todas as medidas ostensivas da Polícia Federal é para formar um conjunto de provas, mas já podemos dizer que há indícios razoáveis de envolvimento de estrangeiros na extração e comercialização ilegal de urânio”, afirmou o delegado. As investigações apontam que tanto o minério quanto as pedras preciosas já chegaram a destinos como Bélgica, Israel e Emirados Árabes, passando por Portugal.

A Polícia Federal não entrou em detalhes, mas é certo de que foram identificadas minas usadas para exploração ilegal de minérios e pedras preciosas nas cidades de Coromandel, Frutal e Uberlândia (MG), Catalão e Ipameri (GO) e Abaeté (PA). “Como há um mercado consumidor latente e esse material está saindo de forma clandestina do País, a DAT está acompanhando de perto”, afirmou o delegado Charles Lemes.

Crimes
Os investigados responderão por crimes que vão desde a usurpação de matéria-prima da União a crime de formação de organização criminosa, dentre outros crimes correlatos.

Fonte: Jornal do Tocantins

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