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Unidade Prisional de Maués zera analfabetismo e concede remissão aos presos

Detentos reunidos na Biblioteca da UP/Foto: Francisco de Assis(Seap)
Redação
Escrito por Redação

Entre os 213 presos que atualmente cumprem pena na Unidade Prisional de Maués, cidade localizada a 365 quilômetros de Manaus, não há mais analfabetos. Com o encerramento do Programa Amazonas Alfabetizado, que teve início em setembro de 2014, 28 internos aprenderam a ler e escrever e reforçaram o trabalho da direção da unidade mediante parceria com Secretaria de Estado e Administração Penitenciária (Seap), que visa utilizar o aprendizado para a remissão de pena e ressocialização dos detentos.
Além de aprender a ler e escrever, os participantes do projeto terão 90 dias de remissão da pena. No entanto, para o diretor do presídio, Ademar Gruber, o mais importante é a oportunidade de mudança que se dá aos apenados. “Não temos mais nenhum analfabeto e isso ajuda muito nesse processo de recuperação. Frequentar a escola não ensina só português e matemática, mas ensina boas maneiras diante da sociedade”, comemorou Grauber.

A turma inicial era de 38 alunos, no entanto, segundo o diretor Ademar Gruber, dez conseguiram alvará de soltura, remissão de pena e outros benefícios que permitiram a saída do sistema prisional. As aulas foram ministradas sempre das 14h às 17h, na biblioteca da unidade e funcionou como atividade complementar. “Nós não os tiramos do banho de sol, por exemplo, nós demos a eles a chance de ocupar um tempo que estava vago, que eles não produziam nada”.

Coordenadora do projeto, que é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a professora Eliana Breves, destaca a importância de todos estarem alfabetizados. “Se todos sabem ler, eles são boa influência para eles mesmos dentro do presídio. Quando saírem terão as mesmas oportunidades”. Segundo ela, o gosto dos presos pela leitura é o que mais chama atenção no local.

Educar para recuperar – Desde a criação da Biblioteca da UP Maués, que hoje conta com mais de 2,5 mil livros em seu acervo, a direção investe na leitura para a recuperação dos internos. Uma das formas é incentivar que eles emprestem livros, façam a leitura e, pela decisão do juiz, ganhem a remissão da pena. “Os interessados emprestam um livro por 10 dias para ler. Quando terminam, na escola da unidade, eles preenchem uma ficha que avalia se eles realmente leram. A ficha é enviada ao juiz e se ele considerar válida ele pode dar até 10 dias de remissão de pena ao leitor”, explicou Gruber.

A biblioteca foi organizada e construída com ajuda dos próprios internos. Quem cuida do ambiente é um dos presos que possui ensino superior. “Nós tentamos indicar aquela leitura que mais agrada a pessoa para que seja um leitor que volta sempre. A leitura é uma forma de educação para recuperar”, disse.

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