Amazônia Roraima

Venezuelanas em Roraima dizem que foram obrigadas a trocar sexo por comida

As venezuelanas foram achadas após denúncias de vizinhos/Foto: Divulgação/G1
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Redação
Escrito por Redação
As venezuelanas foram achadas após denúncias de vizinhos/Foto: Divulgação/G1

As venezuelanas foram achadas após denúncias de vizinhos/Foto: Divulgação/G1

Nove venezuelanas foram encontradas dentro de uma casa em Boa Vista onde, segundo elas, eram mantidas sob cárcere privado e obrigadas a trocar sexo por comida. As mulheres foram encontradas durante uma operação do Tribunal de Justiça de Roraima em parceria com a Polícia Civil e a Guarda Civil Municipal. Ninguém foi preso. A chefe de Divisão de Proteção da 1ª Vara da Infância e Juventude, Lorrane Costa, disse nesta sexta-feira (26) que as venezuelanas foram achadas após denúncias de vizinhos. A casa onde elas eram mantidas em cárcere privado fica no bairro Caimbé, na zona Oeste da capital. “Elas contaram que ficavam dentro da casa durante o dia e à noite eram obrigadas a se prostituir em estabelecimentos próximos ao terminal de ônibus do Caimbé. Eram escravas sexuais, porque o dinheiro que ganhavam na atividade era provavelmente repassado ao responsável pela casa que em troca dava moradia e comida a elas”, disse Lorrane.

As venezuelanas foram encontradas na segunda-feira (22) durante operação de rotina da 1ª Vara da Infância e Juventude. O homem apontado por elas como responsável pela casa ainda não foi localizado. A ação da 1ª Vara tinha como objetivo encontrar crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual. “Recebemos a denúncia de vizinhos e fomos a essa casa em busca de crianças e adolescentes que poderiam estar sendo vítimas de exploração, mas ao chegarmos lá encontramos uma venezuelana que disse que não tinha ninguém na casa e que não teria como abrir a porta. Então, com ajuda da polícia entramos na casa e achamos as outras mulheres. Estavam todas assustadas achando que seriam deportadas por nós”, relatou Lorrane. Segundo Lorrane, as nove venezuelanas foram ouvidas. Elas contaram que um homem as mantinha dentro da casa durante o dia e à noite abria o portão para que elas fossem se prostituir.

“Pelos relatos delas, acreditamos que o dinheiro que elas ganhavam com a prostituição era repassado ao responsável pela casa que em troca dava moradia e comida a elas”, explica Lorrane. Ainda de acordo com a chefe da divisão, ao serem abordadas, as venezuelanas apresentaram documentos que indicam que elas pediram visto de turismo à Polícia Federal. Após prestarem depoimento, todas foram liberadas. “Como o nosso objetivo na operação era encontrar crianças e adolescentes, liberamos as mulheres e repassamos o caso à Polícia Civil que elaborou um relatório e encaminhou à Polícia Federal, a quem cabe investigar esses crimes”, encerra Lorrane. Ao G1, o superintendente da Polícia Federal em Roraima, delegado Alan Robson, informou que ainda não foi oficialmente notificado sobre o caso.

Venezuelanos em Roraima
A crise econômica na Venezuela, país que faz fronteira com Roraima, e que está a 250 km da capital Boa Vista, está provocando uma busca frequente de venezuelanos pelo Brasil. Dados divulgados pela PF mostram que os pedidos de refúgio de venezuelanos cresceram 110% em Roraima. Em 2015, a polícia recebeu 234 pedidos de refúgio, enquanto que só nos primeiros sete meses deste ano, recebeu 493 pedidos de venezuelanos que querem morar em Roraima. Além dos pedidos legais, só nos últimos 12 meses, mais de 300 venezuelanos em situação ilegal foram deportados do estado. Em uma dessas ações, cerca de 60 venezuelanos foram devolvidos ao país vizinho. Parte deles pedia esmolas nas ruas e semáforos da capital roraimense, o que é incompatível com a entrada de estrangeiro do Brasil na condição de turista. Em julho de 2015, a PF encontrou 16 mulheres venezuelanas trabalhando em casas de prostituição em Boa Vista. À época, a polícia informou que elas tinham vindo por conta própria a Roraima, onde se prostituíam e pagavam 20% do que ganhavam aos donos das casas. (VOZ DA BAHIA)

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