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Véu de Cumplicidades(Por Flávio Lauria)

Professor Flávio Lauria(AM)
Redação
Escrito por Redação

Como todo brasileiro que quer a limpeza ética deste País, sabemos que este governo já está no final. Seriam prováveis sinais de estarmos em vias de voltar a trilhar o caminho do desenvolvimento que há pelo menos três décadas abandonamos para tropeçar nos atalhos da mediocridade e da estagnação.

Tudo isso pode ser fruto do clima de intensos debates que estamos vivendo. Em nenhum outro momento se deblaterou tanto em torno de idéias mal concebidas, de projetos desconhecidos e de reformas envelhecidas, mas infelizmente nada disso vai acontecer. Temos um corrupto presidente da Câmara, e outro do Senado,  estão todos batendo cabeça. Para os ministros, falta dinheiro. Para o PMDB ministérios, e para o PSDB e o DEM, boas causas. Para os mais pobres sobram programas, promessas e justificativas para explicar por que não chega o dinheiro que evitaria fazer voltar aos lixões as crianças.

Em compensação, para os economistas sobram idéias, como a da “focalização” (ou será a “focagem”?) das políticas sociais. Para enfrentar esse fecundo entrechoque de velhas idéias e antiquíssimos problemas, a presidente conta com armas poderosíssimas. Continua a fazer jus ao título de pior animadora de auditórios que o Brasil já conheceu. Não esses confinados nos estúdios de tevê, como os dos pastores especialistas em sessões de descarrego ou da fauna de peritos em idiotices e baixarias, como ratinhos, faustões e gugus. Os auditórios que ela embala com edificantes ditados, como “não temos meta mas vamos dobrar a meta”, raciocinio ilógico, nem sempre merecem elogios. Com tantos atributos, o Brasil está no picadeiro mundial, tentando roubar a cena dessa figura patética que é Donald Trump por cuja sobriedade uma parte do mundo teme, enquanto a outra treme.

A nossa sorte é que, nesse picadeiro, o povo não conta. Não tuge, não muge nem chia. Para todos sobram ameaças de guerra, de gripes e de epidemias. Vivemos pendentes das bolsas cujos índices nos enfiam pela garganta todas as noites, acompanhados das cotações do petróleo que sobem e descem para cair e aumentar no dia seguinte. Com hábitos assim tão arraigados, generalizadamente aceitos, muitos papéis estão invertidos. Fiscais que devendo arrecadar para o governo amealham para si e se tornam investidores privilegiados dos bancos suíços estão ficando fora de moda. Empresas “off shore”, que os simples mortais nem fazem idéia do que sejam, já estão obsoletas, tão sem atrativos como a Ilha de Jersey de que o País tomou conhecimento graças à revelação de que lá tem contas o Presidente da Camara.

Em meio a tantas e tão efusivas provas de criatividade, não deixa de ser lamentável um espesso véu de cumplicidades tentar encobrir mistério que inquieta o País: Como o Presidente da Camara Federal consegue postergar tanto tempo sua prisão? O espetáculo chamado Brasil é assim. José Bonifácio dizia pensar que só em Portugal a realidade superava a ficção. Confessou sua decepção quando descobriu que no Brasil também.(Flávio Lauria – Professor Universitário e Consultoir de Empresas – lauriaferreira@hotmail.com)

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